“Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo.”
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liturgia deste 5º Domingo do Tempo Comum
convida à reflexão sobre a missão dos discípulos de Cristo no mundo. Após
proclamar as Bem-aventuranças, Jesus dirige-se aos seus seguidores com
duas imagens fortes e simbólicas: o sal e a luz. Ambas expressam a vocação
cristã de transformar a realidade e testemunhar o amor de Deus em meio à
sociedade.
O sal, na cultura bíblica, era símbolo de aliança,
purificação e preservação. Ele dá sabor e impede a corrupção dos alimentos.
Assim também o cristão é chamado a dar sabor à vida, a conservar o bem e a
impedir que o mal se espalhe. Ser “sal da terra” significa viver de modo
coerente com o Evangelho, tornando a presença de Cristo perceptível nas
atitudes, palavras e escolhas diárias. Quando o sal perde o sabor, torna-se
inútil; da mesma forma, a fé sem testemunho perde sua força transformadora.
A segunda imagem, a da luz, remete à missão de
iluminar. A luz não existe para si mesma, mas para dissipar as trevas. Jesus é
a Luz verdadeira, e os seus discípulos refletem essa luz no mundo. “Brilhe a
vossa luz diante dos homens”, diz o Senhor, para que as boas obras revelem a
presença de Deus. A fé autêntica não se esconde, mas se manifesta em gestos
concretos de justiça, solidariedade e misericórdia.
A primeira leitura, do profeta Isaías (58,7-10),
reforça essa dimensão prática da fé: “Reparte o teu pão com o faminto, acolhe
em casa os pobres sem abrigo.” A luz que o Evangelho pede não é apenas
espiritual, mas também social. A caridade e a justiça são o brilho que
torna visível o Reino de Deus. Quando o amor se traduz em ação, a luz de Cristo
resplandece no mundo.
Na segunda leitura, São Paulo (1Cor 2,1-5)
recorda que o anúncio do Evangelho não depende da sabedoria humana, mas da
força do Espírito. O apóstolo se apresenta com humildade, consciente de que a
eficácia da missão vem de Deus. Essa atitude ensina que ser sal e luz não
é questão de prestígio ou poder, mas de serviço e fidelidade.
A liturgia deste domingo, portanto, é um chamado à
coerência e à responsabilidade. O cristão não pode ser indiferente diante das
trevas da injustiça, da indiferença e da falta de esperança. Ser luz é iluminar
com a presença, com a palavra e com o testemunho. Ser sal é conservar o
sabor do Evangelho em meio às dificuldades e desafios do tempo presente.
Que a Palavra deste domingo inspire a viver uma fé viva, saborosa e luminosa, capaz de transformar o mundo pela força do amor e da esperança em Cristo.
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