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elebramos
hoje o Domingo da Divina Misericórdia, instituído por São João Paulo II,
para que toda a Igreja contemplasse o coração aberto de Cristo ressuscitado, de
onde jorram sangue e água — sinais do amor que salva e renova o mundo. Este
domingo é o prolongamento da Páscoa: a vitória de Cristo sobre o pecado e a
morte manifesta-se agora como misericórdia que recria a humanidade.
No Evangelho de João, encontramos os discípulos
reunidos, ainda tomados pelo medo. As portas estão fechadas, mas Jesus entra e
se coloca no meio deles, dizendo: “A paz esteja convosco!”. É o primeiro
dom do Ressuscitado: a paz que nasce do perdão. Ele mostra as chagas — não como
feridas de derrota, mas como fontes de misericórdia. As marcas da cruz
não desapareceram; tornaram-se sinais do amor que venceu o ódio.
Tomé, ausente naquele primeiro encontro, representa
todos nós em nossas dúvidas e resistências. Ele quer ver, quer tocar, quer
provas. Mas quando Jesus o convida a colocar o dedo nas chagas, Tomé não
precisa mais fazê-lo. Diante da presença viva do Senhor, ele professa: “Meu
Senhor e meu Deus!”. A fé nasce do encontro com a misericórdia. Jesus não
repreende Tomé por duvidar, mas o conduz a uma fé mais profunda: “Felizes os
que não viram e creram”.
A primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, mostra o
fruto dessa fé: uma comunidade unida, perseverante na oração, na fração do pão
e na partilha. A misericórdia recebida se transforma em misericórdia vivida.
A fé pascal não é apenas uma experiência interior, mas uma vida nova que se
expressa em comunhão, solidariedade e alegria.
Na segunda leitura, São Pedro nos recorda que fomos
regenerados por uma esperança viva, graças à ressurreição de Jesus Cristo.
Mesmo em meio às provações, essa esperança nos sustenta, porque sabemos que a
misericórdia de Deus é maior do que qualquer sofrimento.
Celebrar a Divina Misericórdia é, portanto, acolher
o Ressuscitado que entra em nossas portas fechadas — portas do medo, da
culpa, da indiferença — e deixar que Ele nos diga: “A paz esteja convosco”.
É permitir que Sua misericórdia cure nossas feridas e nos transforme em
instrumentos de reconciliação.
Que neste domingo, ao contemplarmos o Coração de
Jesus, aprendamos a confiar plenamente em Sua bondade e a repetir com fé: “Jesus,
eu confio em Vós!”. E que essa confiança se traduza em gestos concretos de
amor, perdão e serviço, para que o mundo creia que a misericórdia é o
verdadeiro rosto de Deus.












































