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liturgia deste 25º Domingo do Tempo Comum
coloca-nos diante de um dos maiores choques entre a nossa mentalidade humana e
o mistério do coração de Deus. Vivemos em um mundo pautado estritamente pela
lógica do mérito, da produtividade e da recompensa proporcional. Aprendemos
desde cedo que quem trabalha mais deve receber mais, e que a justiça se resume
a dar a cada um exatamente o que conquistou com o próprio esforço.
No entanto, a Palavra de Deus hoje quebra essas nossas
estruturas rígidas e convida-nos a dar um salto de fé para compreender a lógica
do Reino dos Céus.
Na Primeira Leitura, o profeta Isaías adverte-nos
claramente: “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos
caminhos não são como os meus caminhos”. A distância entre a nossa forma de
ver o mundo e o olhar do Criador é tão vasta quanto a que separa o céu da
terra.
Nós calculamos, pesamos e, muitas vezes, guardamos
rancor. Deus, por sua vez, é descrito por Isaías como generoso no perdão. Ele
não busca apenas punir ou cobrar; Ele deseja que o ímpio abandone o seu mau
caminho e volte para a vida. O Salmo 144 responde a essa verdade cantando que “o
Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura”. A
justiça divina não é a balança fria de um tribunal, mas sim o transbordamento
de uma misericórdia que acolhe quem se aproxima com sinceridade.
No Evangelho, Jesus ilustra essa diferença de
pensamentos através da instigante Parábola dos Trabalhadores da Vinha. O
proprietário sai em diferentes horas do dia — desde a madrugada até o final da
tarde — para contratar operários. Ao cair da noite, todos recebem exatamente o
mesmo salário: um denário.
Aqueles que suportaram o cansaço e o calor do dia
inteiro imediatamente murmuram e reclamam. Sob a ótica puramente humana, a
revolta deles parece justa. Mas o dono da vinha responde com uma pergunta que
toca no âmago do nosso egoísmo: “Ou será que o teu olho é invejoso porque eu
sou bom?”
O denário não representa o pagamento por horas
trabalhadas, mas sim a graça da salvação, que é indivisível. Deus não dá "meia
salvação" para quem se converteu mais tarde. O senhor da vinha não
suporta ver ninguém ocioso na praça. Ao chamar os operários da última hora, Ele
restitui a dignidade daqueles que ninguém queria contratar.
A parábola alerta-nos contra o perigo de nos acharmos "melhores
católicos" ou "mais dignos" do que os outros por
estarmos na Igreja há mais tempo. No Reino de Deus, o amor é gratuito.
Como responder a essa generosidade avassaladora? São
Paulo dá-nos a resposta na Segunda Leitura. Escrevendo da prisão, ele não está
preocupado com o que vai ganhar ou perder humanamente. Ele afirma: “Para
mim, o viver é Cristo”.
Quando compreendemos que tudo o que temos é fruto da
graça, e não do mérito, paramos de olhar para o lado com inveja do irmão.
Passamos a viver com o único propósito de que Cristo seja glorificado em nosso
corpo, seja pela vida, seja pela morte. Paulo exorta-nos a viver uma vida digna
do Evangelho de Cristo, o que se traduz em alegria pelo bem do próximo e em
serviço desinteressado.
Meus irmãos, a liturgia deste domingo convida-nos a
fazer um profundo exame de consciência:
- Ficamos tristes ou
irritados quando vemos alguém que andou distante da Igreja ser acolhido
com festa pelo Pai?
- Exigimos de Deus
bênçãos automáticas por causa das nossas boas obras, esquecendo que o
próprio fôlego de vida já é um presente dele?
Deixemos de lado o "olho invejoso" e
a mentalidade contábil na nossa fé. Alegremo-nos porque o Senhor da vinha
continua saindo pelas praças do mundo para nos chamar a trabalhar com Ele.
Que possamos nos sintonizar hoje com os pensamentos de
Deus, transformando nossas comunidades em espaços de acolhida, gratuidade e
imensa misericórdia.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.




























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