sábado, 6 de junho de 2026

Reflexão Litúrgica para o 10º Domingo do Tempo Comum – 07/06/2026

 

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 liturgia deste 10º Domingo do Tempo Comum nos coloca diante de uma das revelações mais consoladoras e, ao mesmo tempo, mais desafiadoras do Evangelho. Jesus declara abertamente a Sua missão: "Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes" (Mt 9,12). Ao sentar-se à mesa com cobradores de impostos e pecadores, Jesus assume o papel de Médico das nossas almas. Ele não se escandaliza com a nossa fraqueza; Ele vem para nos curar. No entanto, para receber essa cura, precisamos ter a coragem de assumir a nossa condição de necessitados.

Na Primeira Leitura (Os 6,3-6), o profeta Oseias denuncia uma atitude muito comum no meio religioso: o amor instável e superficial. Ele compara a devoção do povo a uma "nuvem pela manhã" ou ao "orvalho que cedo se desfaz". O povo oferecia sacrifícios de animais no templo, mas a vida prática estava distante da justiça e da compaixão.

É aqui que Deus pronuncia a frase que Jesus usará para responder aos fariseus: "Quero amor (misericórdia), e não sacrifícios" (Os 6,6). O Salmo 49 reforça essa verdade: Deus não precisa de animais ou holocaustos, pois o universo inteiro já Lhe pertence. O verdadeiro sacrifício que agrada ao Senhor é o louvor sincero e uma vida que procede retamente. O culto na igreja só tem valor se ele se transformar em amor ao próximo fora dela.

No Evangelho (Mt 9,9-13), vemos essa dinâmica acontecer na prática. Mateus era um publicano, um cobrador de impostos. Aos olhos da sociedade e dos religiosos da época, ele era um traidor da pátria, um ladrão público e um pecador impatável. Ele estava estático, preso à sua mesa de interesses egoístas.

Jesus passa, olha para ele e diz: "Segue-me". Não há sermão moralista, não há exigências prévias. O olhar de Jesus liberta Mateus de seu passado. Ele se levanta imediatamente, deixa tudo para trás e se torna discípulo.

A transformação é tão profunda que Mateus abre as portas de sua casa para um banquete. Ele quer que seus antigos amigos — outros pecadores e cobradores de impostos — também experimentem a alegria de serem olhados com amor por Jesus. Os fariseus, apegados às regras de pureza legal, questionam: "Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?". Eles preferiam o sacrifício do isolamento e do julgamento à misericórdia do acolhimento.

Como responder a esse chamado que parece impossível para nossas próprias forças? A resposta está na Segunda Leitura (Rm 4,18-25). São Paulo nos apresenta o exemplo de Abraão, o pai da fé. Ele "esperou contra toda esperança". Mesmo velho e diante de promessas humanamente impossíveis, Abraão não duvidou, mas fortaleceu-se na fé e deu glória a Deus.

Seguir a Jesus, abandonar os nossos próprios "postos de cobrança" (nossos egoísmos, vícios e preconceitos) exige uma fé semelhante. Exige crer que o amor de Deus é poderoso o suficiente para fazer brotar vida nova onde só havia pecado e paralisia.

Neste 10º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus bate à porta das nossas comunidades e do nosso coração com três questionamentos práticos:

  • Identificamos as nossas feridas? Temos a humildade de nos reconhecer doentes e necessitados do perdão de Deus, ou nos escondemos atrás de uma falsa capa de "bons católicos" que julgam os outros?
  • Como está a nossa coerência? O nosso louvor na Santa Missa tem se transformado em gestos concretos de misericórdia na nossa família, no nosso trabalho e com os mais necessitados?
  • Como olhamos para quem errou? Nós nos parecemos com os fariseus, que excluem e apontam o dedo, ou nos parecemos com Jesus, que estende a mão e chama para sentar-se à mesa?

Que ao celebrarmos esta Eucaristia — o memorial do sacrifício supremo de Cristo —, o nosso coração de pedra seja transformado em um coração de carne. Que possamos nos levantar com alegria ao ouvir o chamado do Senhor e ser, no mundo de hoje, o rosto vivo de Sua infinita misericórdia.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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