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liturgia deste 28º Domingo do Tempo Comum nos
apresenta uma das imagens mais belas e consoladoras da nossa fé: o Reino de
Deus como um grande banquete. Deus não nos convida para uma relação de servidão
ou de medo, mas para uma festa de comunhão, de alegria e de abundância.
Na primeira leitura, o profeta Isaías antecipa essa
promessa maravilhosa. Ele nos fala de um banquete preparado pelo próprio Senhor
no monte santo, um banquete de carnes gordas e vinhos finos, onde não haverá
mais choro, nem morte, nem opressão. Deus mesmo enxugará as lágrimas de todas
as faces. Essa é a meta da nossa história: a comunhão plena com o Criador, onde
toda a dor humana será finalmente redimida.
É essa mesma imagem que Jesus utiliza no Evangelho de
hoje através da parábola do banquete nupcial. O Rei, que representa Deus Pai,
prepara a festa de casamento para o seu Filho. No entanto, a parábola nos
confronta com um mistério doloroso: a rejeição humana diante da generosidade
divina. Os primeiros convidados se recusam a ir. Eles colocam seus próprios
interesses — o campo, os negócios, a rotina — acima do convite do Rei.
Muitas vezes, nós somos esses convidados. Deus nos
chama diariamente à oração, à vivência dos sacramentos, ao amor ao próximo e à
comunhão eclesial, mas respondemos com a nossa indiferença. Estamos
frequentemente "ocupados demais" com as coisas do mundo para dar
atenção às coisas do Espírito. Diante da recusa, a misericórdia de Deus não se
esgota; ela se alarga. O Rei ordena que os servos busquem a todos nas
encruzilhadas dos caminhos, bons e maus, mostrando que a salvação é uma oferta
universal. A Igreja é este espaço de portas abertas, onde todos encontram um
lugar à mesa.
Contudo, o Evangelho nos traz um alerta severo na
segunda parte da parábola: o homem que entrou sem o traje de festa. Quando o
Rei o questiona, ele silencia e é lançado fora. À primeira vista, pode parecer
injusto exigir uma veste especial de alguém que foi chamado às pressas na rua.
Mas, no contexto bíblico, essa veste significa a conversão do coração. Fomos
chamados gratuitamente, mas não podemos permanecer de qualquer maneira. A graça
de Deus nos aceita como estamos, mas nos transforma para que não continuemos os
mesmos. O traje nupcial é a veste batismal da justiça, da caridade, da
santidade e do compromisso com o Evangelho. Entrar na Igreja e participar da
Eucaristia exige de nós uma resposta ativa, uma vida coerente com a fé que
professamos.
Como o Apóstolo Paulo nos ensina na segunda leitura,
viver essa vocação nos exige desapego e profunda confiança. Paulo afirma saber
viver tanto na abundância quanto na penúria, pois aprendeu o segredo de todas
as coisas: "Tudo posso naquele que me dá força". Ele compreendeu que
a maior riqueza não está nos bens terrenos, mas na certeza de que Deus supre
todas as nossas necessidades. É essa mesma confiança que rezamos no Salmo
Responsorial: "O Senhor é o meu pastor, nada me faltará". Se Deus
cuida de nós e nos reserva um banquete eterno, podemos caminhar com serenidade,
mesmo diante das maiores dificuldades.
Que nesta celebração possamos renovar o nosso
"sim" ao convite do Senhor. Que não sejamos indiferentes ao Seu
chamado e que, ao nos aproximarmos da mesa da Eucaristia — que já é um antegozo
do banquete celeste —, estejamos revestidos com o traje da fé, da esperança e
da caridade.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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