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Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos não é
um dia de desespero, mas o encontro profundo da nossa dor com a esperança
cristã. Na liturgia deste dia, a Igreja nos convida a erguer os olhos para além
do sepulcro, transformando a nossa saudade em oração e a nossa finitude em
certeza de ressurreição.
Na primeira leitura,
encontramos Jó no ápice do seu sofrimento. Ele perdeu tudo: bens, filhos e a
própria saúde. Ainda assim, do meio das cinzas de sua existência, ele professa
uma das mais belas declarações de confiança da Bíblia: "Eu sei que o
meu Redentor vive e que, por último, se levantará sobre a terra".
A morte nos impressiona
e o luto nos pesa. Jó nos ensina que a última palavra não pertence à sepultura,
mas a Deus. Mesmo que o corpo se desfaça, os nossos olhos contemplarão o
Salvador.
O Salmo 23 nos
pergunta: "Quem subirá até o monte do Senhor?". A resposta
aponta para a pureza de coração e a santidade. Ao rezarmos pelos nossos fiéis
defuntos, intercedemos para que o Senhor purifique suas almas e os receba em
sua santa habitação. É o desejo profundo de fazer parte da "geração que
procura a face do Senhor", onde não haverá mais pranto nem dor.
São Paulo introduz a
dimensão teológica que muda tudo: Cristo ressuscitou dos mortos como o primeiro
de muitos. Se por um homem (Adão) entrou a morte no mundo, por um homem
(Cristo) veio a ressurreição.
A morte é apresentada
como o último inimigo a ser destruído. Quando entregamos nossos entes queridos
a Deus, não os estamos perdendo para o nada; estamos plantando-os na vitória
pascal de Jesus. Nele, todos reviverão.
O Evangelho nos chama à
realidade do tempo presente. Jesus pede que estejamos de "rins cingidos
e lâmpadas acesas", como servos que esperam o seu senhor voltar de uma
festa de casamento. O Filho do Homem virá na hora em que menos pensamos. A
morte, para o cristão, não deve ser um terror inesperado, mas o momento do
encontro com o Dono da casa. Estar pronto significa viver no amor, na
reconciliação e na graça. Quem vive com a lâmpada da fé acesa não teme a
chegada do Senhor, pois sabe que Ele se sentará à mesa para nos servir na
eternidade.
Celebrar o Dia de
Finados à luz destas leituras nos move a duas atitudes fundamentais: a caridade
da oração pelos que já partiram e a conversão do nosso próprio modo de viver.
Que a nossa saudade hoje seja consolada pela certeza de que o amor de Deus é
mais forte do que a morte.
Louvado Seja Nosso
Senhor Jesus Cristo!

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