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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

FÉ E URNAS: POR QUE A IGREJA CATÓLICA AFASTA LIDERANÇAS E VETA USO POLÍTICO DE SEUS ESPAÇOS

 

Normas do Direito Canônico e diretrizes da CNBB buscam preservar a neutralidade dos templos, evitar divisões nas comunidades e impedir a instrumentalização da fé durante o período eleitoral.

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 proximidade do período eleitoral reacende um debate recorrente e sensível no seio das comunidades religiosas: os limites entre a vivência da fé e a atuação político-partidária. Nos últimos meses, arquidioceses e regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em todo o país intensificaram a publicação de decretos e normativas estritas sobre o tema. O objetivo é claro: garantir o afastamento temporário ou definitivo de clérigos e leigos com cargos de liderança que estejam diretamente envolvidos em disputas eleitorais.

Para quem observa de fora, a medida pode parecer uma restrição à cidadania. No entanto, teólogos e juristas canônicos explicam que as regras visam proteger o bem maior da própria Igreja: a sua unidade espiritual.

O CLERO E A POLÍTICA PARTIDÁRIA

Diferente dos fiéis leigos, os membros do clero — o que inclui bispos, padres e diáconos — enfrentam restrições severas e permanentes quanto à militância político-partidária. De acordo com os Cânones 285 e 287 do Código de Direito Canônico, os sacerdotes são proibidos de assumir cargos públicos que impliquem o exercício do poder civil e de ter parte ativa em partidos políticos.

Recentemente, orientações emitidas por regionais da CNBB (como o Regional Nordeste 1) reafirmaram que os sacerdotes não podem apoiar publicamente candidatos, gravar vídeos de propaganda, participar de comícios ou utilizar as vestes clericais em atos de campanha. Quando um padre decide se candidatar, como ocorreu em casos recentes no interior paulista, a punição é imediata: o afastamento do exercício do ministério sagrado, suspendendo temporariamente o direito de celebrar missas publicamente.

"A missão evangelizadora da Igreja está acima de qualquer ideologia", reforça o posicionamento oficial da CNBB. Ao manter-se apartidária, a instituição preserva sua liberdade profética para dialogar com qualquer governo, sem se tornar refém de agendas partidárias.

LEIGOS NA POLÍTICA: INCENTIVO COM DISTANCIAMENTO CANÔNICO

Se por um lado a Igreja fecha as portas da política partidária para os padres, por outro ela incentiva fortemente que os leigos (os fiéis católicos que não fazem parte do clero) ocupem esses espaços para promover o bem comum e a justiça social. O próprio Papa Francisco, em suas encíclicas, costuma definir a boa política como uma das formas mais altas de caridade.

Contudo, para garantir a isonomia e evitar que um cargo pastoral seja usado como palanque involuntário, os bispos diocesanos utilizam sua autonomia jurídica para publicar decretos locais. Em julho de 2026, por exemplo, a Arquidiocese de Maceió — liderada por Dom Carlos Alberto Breis — emitiu um decreto determinando o afastamento temporário (de pelo menos 90 dias antes da votação) de qualquer leigo candidato, dirigente partidário ou cabo eleitoral ativo de suas funções de liderança na Igreja.

A medida atinge diretamente:

  • Coordenadores de pastorais e movimentos;
  • Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão;
  • Catequistas e leitores.

A PROIBIÇÃO DE TÍTULOS RELIGIOSOS NAS URNAS

Outro ponto que ganhou força nas diretrizes das províncias eclesiásticas do país é o veto ao uso de termos religiosos nas propagandas e no nome de urna dos candidatos. Expressões populares em santinhos como "Irmão Fulano", "Maria Catequista" ou "José do ECC" foram explicitamente proibidas pelas lideranças católicas.

Segundo os bispos, o uso dessas expressões vincula indevidamente a imagem e a autoridade moral da Igreja a uma candidatura individual, o que fere frontalmente o princípio da neutralidade institucional e confunde os eleitores dentro da própria comunidade.

TEMPLOS NÃO SÃO PALANQUES

Além das restrições às pessoas, a Igreja mantém tolerância zero com o uso físico de suas estruturas. É absolutamente vetado ceder igrejas, capelas, salões paroquiais ou redes sociais institucionais para a promoção de candidatos. Fazer discursos políticos durante as homilias ou mesmo direcionar pedidos de orações e intenções de missas para figuras políticas específicas também passou a ser normatizado e proibido em diversas paróquias do país para mitigar o clima de polarização.

Essa blindagem eclesial encontra respaldo, inclusive, na própria Legislação Eleitoral Brasileira, que tipifica como abuso de poder religioso a propaganda política em bens de uso comum, como os templos de qualquer culto.

Ao final, as regras rígidas da Igreja Católica Apostólica Romana durante o período eleitoral tentam traçar uma linha nítida: a fé deve ser um fator de comunhão universal, enquanto a política partidária, por sua própria natureza de disputa e escolha, pertence ao campo das decisões individuais e conscientes de cada cidadão na cabine de votação.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Os Dias de Preceito: Entenda a Importância de Santificar as Festas na Igreja Católica

 

Mais do que uma obrigação jurídica, os dias de guarda são convites para renovar a fé e celebrar os grandes mistérios da salvação em comunidade.

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ara um católico, o domingo não é apenas o fim de semana, é o "Dia do Senhor", o núcleo do ano litúrgico e a celebração semanal da Ressurreição de Cristo. No entanto, o zelo da Igreja pela vida espiritual de seus fiéis estabeleceu também outros momentos fundamentais ao longo do ano: os chamados Dias de Preceito (ou dias de guarda).

Nessas datas específicas, a Igreja convoca seus filhos a interromperem o ritmo frenético do cotidiano para se reunirem em assembleia, participarem da Santa Missa e se absterem de trabalhos que impeçam o culto a Deus e o descanso da mente e do corpo.

O QUE DIZ O MANDAMENTO DA IGREJA?

O primeiro mandamento da Igreja determina: "Ouvir missa inteira e abster-se de trabalhos servis nos domingos e festas de guarda". O Código de Direito Canônico (Cânon 1246) reforça que o domingo é o dia festivo primordial.

Contudo, a mesma lei universal prevê dez solenidades que devem ser guardadas. Como a realidade pastoral varia ao redor do mundo, a Santa Sé permite que as Conferências Episcopais de cada país adaptem esse calendário, transferindo algumas festas para o domingo mais próximo para facilitar a participação dos fiéis.

QUAIS SÃO OS DIAS DE PRECEITO NO BRASIL?

No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) organizou o calendário de forma que os católicos possam cumprir o preceito sem prejuízo de suas atividades civis. Além de todos os domingos do ano, os dias de preceito específicos celebrados em nosso país são:

  • 1º de Janeiro: Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.
  • Quinta-feira do Corpo de Deus (Corpus Christi): Celebração pública da Santíssima Eucaristia.
  • 25 de Dezembro: Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Festas grandiosas como a Epifania do Senhor (Reis), a Ascensão de Jesus, a Assunção de Nossa Senhora e o Dia de Todos os Santos são transferidas para o domingo subsequente, garantindo que toda a comunidade possa celebrá-las unida. Há ainda a solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro), que permanece em sua data original e é preceito em Portugal, mas no Brasil vigora como dia de festa, com preceito dispensado em muitas dioceses (consulte sempre a orientação do seu bispo local).

OBRIGAÇÃO OU PRIVILÉGIO?

Muitas vezes, a palavra "preceito" pode soar como um fardo ou uma imposição burocrática. No entanto, a teologia católica ensina que o preceito existe para proteger o fiel da própria distração do mundo. Trata-se de um direito do católico de parar, reabastecer as forças na Palavra e na Eucaristia, e dar a Deus o lugar que Lhe cabe: o primeiro.

Faltar à Missa de preceito sem um motivo grave (como doença, cuidado de enfermos ou impossibilidade real de transporte) constitui uma falta grave. Por outro lado, participar dessas liturgias com o coração aberto transforma a obrigação em um privilégio de intimidade com o Criador.

COMO VIVER BEM OS DIAS DE GUARDA?

Para que estes dias cumpram seu papel espiritual, o fiel é convidado a:

1. Planejar o dia: Organizar os horários com antecedência para não deixar a Missa para a última hora.

2. Viver o descanso cristão: Dedicar tempo à família, às obras de caridade e à leitura orante.

3. Desconectar-se do trabalho: Evitar atividades profissionais ou tarefas domésticas pesadas que possam ser adiadas.

Santificar as festas é um testemunho público de fé. Em um mundo que mede o valor humano apenas pela produtividade, o católico que guarda o Dia do Senhor e as festas da Igreja recorda a todos que a nossa meta final é a eternidade.

 

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quarta-feira, 15 de abril de 2026

ESPERA E ORAÇÃO: O CENÁRIO DAS SEDES VACANTES NA IGREJA DO BRASIL

 

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 Igreja no Brasil vive um período de transição e expectativa episcopal. Com a realização da 62ª Assembleia Geral da CNBB, que acontece em Aparecida (SP) entre 15 e 24 de abril de 2026, o cenário das "sedes vacantes" — igrejas particulares que aguardam a nomeação de um novo bispo pelo Papa — ganha destaque nas comunidades católicas.

Atualmente, diversas dioceses e arquidioceses brasileiras operam sem um bispo titular, sendo geridas temporariamente por administradores diocesanos (eleitos pelo Colégio de Consultores) ou apostólicos (nomeados diretamente pelo Vaticano).

O PANORAMA DAS DIOCESES À ESPERA DE PASTORES

Até este mês de abril de 2026, a lista de sedes que aguardam novos nomes inclui regiões de norte a sul do país, motivadas principalmente por transferências recentes e renúncias por idade:

  • Arquidiocese de Cuiabá (MT): Vacante desde 2 de março de 2026, após a transferência de Dom Mário Antônio da Silva para a Arquidiocese de Aparecida.
  • Diocese de Palmeira dos Índios (AL): Vacante desde 24 de março de 2026, após a transferência de Dom Manoel de Oliveira Soares Filho para a Diocese de Castanhal, no Pará.
  • Diocese de Guarabira (PB): Sem bispo titular desde fevereiro de 2026, quando Dom Aldemiro Sena dos Santos foi nomeado para Teixeira de Freitas-Caravelas.
  • Diocese de Itabira-Fabriciano (MG): Aguarda sucessor após a transferência de Dom Marco Aurélio Gubiotti para Juiz de Fora em janeiro de 2026.
  • Diocese de Limeira (SP): Tornou-se vacante no início de 2026 com a ida de Dom José Roberto Fortes Palau para a Arquidiocese de Sorocaba.
  • Dioceses de Guajará-Mirim (RO) e União da Vitória (PR): Ambas aguardam novos pastores desde novembro de 2025.
  • Diocese de Rubiataba-Mozarlândia (GO): Atualmente sob a administração do Padre Diomar Aparecido de Bastos Xavier.

A "BARREIRA DOS 75 ANOS" E A RENOVAÇÃO

O Direito Canônico estabelece que, ao completar 75 anos, o bispo deve apresentar seu pedido de renúncia ao Pontífice. Este marco deve acelerar a renovação do episcopado brasileiro ao longo de 2026. Grandes centros como as arquidioceses de São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus estão no radar para futuras nomeações devido à idade limite de seus atuais líderes.

O PAPEL DO ADMINISTRADOR DIOCESANO

Enquanto a "Sede Vacante" perdura, a vida administrativa da diocese não para. O administrador diocesano tem o dever de manter a ordem e a continuidade das ações pastorais, embora com poderes limitados pelo Código de Direito Canônico — a norma geral é que "nada se inove" durante a vacância.

A comunidade católica é convidada a permanecer em oração, pedindo ao Espírito Santo que inspire o Papa e a Nunciatura Apostólica na escolha de pastores segundo o coração de Cristo.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Novo Missal Romano: Um Marco na Vida Litúrgica da Igreja no Brasil

 

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 Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil vive um momento histórico com a nova tradução do Missal Romano, a terceira edição típica, aprovada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Após anos de estudo, revisão e oração, a nova versão começou a ser utilizada oficialmente em 2023, trazendo uma linguagem mais fiel ao texto original em latim e mais próxima da realidade linguística dos fiéis brasileiros.

UM PASSO IMPORTANTE

NA FIDELIDADE E NA COMUNHÃO

O Missal Romano é o livro que contém todas as orações, antífonas e orientações para a celebração da Santa Missa. Sua atualização não é apenas uma questão de tradução, mas um gesto de comunhão com toda a Igreja, que celebra o mesmo mistério da fé em diversas línguas e culturas. A nova edição busca unir precisão teológica, beleza litúrgica e clareza pastoral.

Entre as mudanças mais perceptíveis estão ajustes em expressões conhecidas, como no Pai-Nosso, que agora diz “não nos deixeis cair em tentação”, e no Glória, que recebeu uma tradução mais próxima do texto latino. Pequenas alterações que, embora sutis, ajudam a aprofundar o sentido espiritual das palavras e a vivência da oração comunitária.

A ESTRUTURA DA MISSA

PERMANECE A MESMA

A nova tradução não altera a estrutura da celebração eucarística, que continua dividida em quatro grandes partes: Ritos IniciaisLiturgia da PalavraLiturgia Eucarística e Ritos Finais. O que muda é a forma de expressar, com maior riqueza e precisão, o conteúdo teológico e espiritual de cada oração.

Os Ritos Iniciais continuam a acolher a assembleia e a preparar os corações para o encontro com Deus. Na Liturgia da Palavra, a escuta atenta das Escrituras é seguida pela homilia e pela profissão de fé. A Liturgia Eucarística mantém o coração da celebração, com a consagração e a comunhão, e os Ritos Finais enviam os fiéis em missão, fortalecidos pela graça recebida.

UM CONVITE À

REDESCOBERTA DA LITURGIA

Mais do que uma simples atualização de texto, a nova edição do Missal Romano é um convite à redescoberta da liturgia como fonte e cume da vida cristã. Cada palavra, gesto e silêncio da Missa tem um significado profundo, que conduz à comunhão com Cristo e com a comunidade.

A CNBB tem incentivado as paróquias e comunidades a promoverem momentos de formação litúrgica, para que sacerdotes, ministros e fiéis compreendam o sentido das mudanças e celebrem com mais consciência e participação.

UM NOVO TEMPO DE GRAÇA

O novo Missal Romano marca um novo tempo de graça para a Igreja no Brasil. É uma oportunidade de renovar o amor pela Eucaristia e de viver com mais profundidade o mistério da fé. A liturgia, quando bem celebrada e compreendida, torna-se um verdadeiro encontro com o Deus vivo, que fala, se doa e envia em missão.

A nova tradução é, portanto, mais do que uma mudança de palavras: é um chamado à conversão do coração e à redescoberta da beleza da celebração eucarística, centro da vida cristã e expressão máxima da comunhão com Deus e com os irmãos.

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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

ENCANTAR A POLÍTICA: “UMA MISSÃO URGENTE E NECESSÁRIA”


 Dom Giovane Pereira de Melo - Bispo de Araguaína (TO)

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 Projeto Encantar a Política em 2024 completa cinco anos, visto que se trata de um projeto permanente! Tem suas raízes nas Eleições Municipais de 2020, com iniciativa do CNLB – Conselho Nacional do Laicato do Brasil, CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz, CEFEP – Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara, e NESP – Núcleo de Estudos Sociopolítica da PUC Minas e sua inspiração se baseia na Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco (2020). Essa mobilização do Encantar a Política é herdeira da articulação do laicato do Brasil no Pacto pela Vida e pelo Brasil, durante o ano de 2020 e 2021, em defesa da democracia. Por isso, a centralidade da defesa da Democracia no Projeto.  

Nas Eleições Municipais de 2020, a publicação de um Caderno de Formação Política com cinco encontros, em 45 dias teve mais de 600 mil downloads. A partir da avaliação positiva desta experiência, já em 2021, novos parceiros se somaram e contamos com o apoio da CNBB como um todo, e presença orgânica das Comissões Episcopais para o Laicato e para Ação Sociotransformadora. A partir de 2021, mais outras dezoito organizações se juntaram e houve apoio da cooperação nacional (Adveniat e Misereor) o que possibilitou a publicação de 60 mil exemplares do Caderno de Formação Política visando a formação da consciência crítica do eleitorado e a superação da intolerância e da criminalização da política, além da realização de um Seminário nacional, em Brasília – DF, em maio de 2022.  

Avaliou-se que o grande alcance do Projeto Encantar a política foi a de associar ao Caderno Encantar a Política, uma estratégia de formação de lideranças e fortalecimento do trabalho de base em grupos e comunidades presenciais e utilizando as Redes Sociais. Destarte, o Projeto Encantar a Política tem caráter permanente e tem três eixos de ação: (1) contribuir para formação da consciência crítica do eleitorado brasileiro na retomada do trabalho de base para fortalecer a democracia; (2) capacitação em planejamento de Campanha Eleitoral de Candidaturas populares; (3) apoio a candidaturas populares que tiverem programa e forma participativa de atuar na democracia representativa.   

Em 2023, a Revista Casa Comum foi assumida pela Comissão Ampliada do Projeto Encantar a Política, como seu instrumento de formação permanente, que então contava com vinte e dois parceiros e, destarte, ampliou para 301. 

Durante as reuniões quinzenais para planejar o Projeto Encantar a Política 2024, e fruto da experiência que a CBJP, a CEPAST e o CEFEP já tinham da Educação Popular à Distância par formação de conselheiros/as de Políticas Públicas e da Especialização em Dimensão Social da Fé, nasceu o novo: o Mutirão pela Democracia. 

Essa foi a novidade de 2024: a realização do Mutirão pela Democracia! Ele foi fruto dessa aliança entre o Projeto Encantar a Política e a Revista Casa Comum (editada pelo SEFRAS – Serviço Franciscano de Ação Social; impressa e distribuída pela Editora Paulus). A edição nº 8 da Revista Casa Comum, acolheu os conteúdos propostos pelo Projeto Encantar a Política e se tornou o “Caderno de Formação Política’, tendo sido distribuídos setenta mil exemplares em todo o país. Muita ousadia foi necessária para conceber pedagogicamente a proposta e ampliar a meta de multiplicadores/as para mil pessoas. E essa meta que foi conquistada: mais de mil lideranças se inscreveram. 

Outro fator decisivo foi fazer o lançamento das inscrições durante o 12° Encontro Nacional Fé e Política, em Belo Horizonte MG, de 5 a 7 de abril de 2024, que contou com mais de dois mil participantes e possibilitou que em dez dias tivéssemos a inscrição de mais de quinhentas pessoas, viabilizando o início das cinco primeiras turmas no dia 22 de abril. 

Assim desenhou-se o objetivo do Mutirão pela Democracia: formação de multiplicadores/as em sete Rodas de Conversa semanais, com indicação de material de apoio e avaliação, para que cada um/a animasse doze lideranças nos territórios para que estas coordenem três encontros de pequenos grupos de doze pessoas na base, utilizando a Revista Casa Comum como itinerário pedagógico, para alcançar a meta de cento e quarenta e quatro mil pessoas.  

As sete Rodas de Conversa seguiram a mesma lógica da trilha de saberes da Revista Casa Comum: (1) apresentação do Projeto Encantar a Política e da Revista Casa Comum; aprofundando a relação fé e política, a encíclica Fratelli Tutti e a história das Campanhas da Fraternidade. (2) Democracia em cheque. (3) Panorama das Eleições Municipais de 2024. (4) Religião e Política. (5) Experiências de Participação e Educação Política. (6) Trilha de saberes. (7) Plano de Multiplicação. 

A primeira fase foi concluída em 7 de junho; e a segunda fase, com mais quinhentas pessoas teve início em 10 de junho e encerrou-se em 26 de julho. E agora estão em execução os Planos de Multiplicação que cada participante elaborou de modo a fermentar a realidade e fortalecer a consciência crítica nas Eleições Municipais de 2024.  

Muitas Dioceses e Regionais estão lançando as Orientações e Diretrizes de Ação para esse período eleitoral, por meio de Cartas Pastorais e vídeos, que são repercutidas no portal www.encantarapolitica.org.br, onde também podem ser encontrados vídeos, podcasts, artigos e notícias para animar encontros com candidaturas às Câmaras de Vereadores e Prefeituras.

É motivo de grande esperança perceber o empenho e protagonismo do Laicato, dos Organismos e Pastorais Sociais, neste campo de especial missão dos cristãos leigos e leigas para que realmente aconteça a “política melhor” (Fratelli Tutti) e se fortaleça a democracia para que as políticas públicas possam atender as necessidades das pessoas e famílias empobrecidas e também se cuide da Natureza para que se preserve a integridade da Criação. Coragem, caminhemos juntos!

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024

 
Dom Mário Antonio - Arcebispo de Cuiabá (MT)

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ste é um ano de eleições municipais e todos temos o compromisso de comparecer às urnas para exercer a democracia, no próximo dia 6 de outubro, escolhendo bons prefeitos e vereadores para nossos municípios. O Papa Francisco, na sua carta encíclica Fratelli Tutti, lembra qual a verdadeira missão dos políticos em nossa sociedade, e sugere questionamentos importantes para os dias em que estamos vivenciando. Ele nos lembra que a melhor política, inicialmente, é aquela que é um serviço ao bem comum, assegura o respeito a dignidade humana e promove a justiça social.

Parece óbvio esse discurso. Estamos há semanas ouvindo propostas nos veículos de comunicação e o entendimento que temos é: todos estão envolvidos com o bem comum. Mas quem está comprometido? Papa Francisco tem insistido, ardentemente, especificamente na Exortação Laudate Deum, diante da crise climática, que tenhamos atenção e cuidado, sabedoria e esperança em agir de acordo com a criação.

A melhor política é aquela que promove o bem do povo com planejamento e acesso à saúde integral, a uma educação de qualidade, ao saneamento básico, uma economia sustentável, entre tantos outros pontos que faltam na vida de muitos de nossos irmãos e que, no entanto, estão contemplados nos planos de muitos candidatos. Planos esses, que precisam ser concretizados, mediante a política de equidade e caridade.

Já não é de hoje que a Igreja Católica vem abordando esses temas e contribuindo, através da Doutrina Social da Igreja, para a formação da consciência moral para uma política cristã. E nesse ponto voltamos nossos olhares para a dignidade humana, do Cristo que sofre em nossos irmãos e irmãs, do Cristo que passa e ninguém o vê.

Não é fácil. Hoje, após dias de reflexão e levando em consideração tudo o que a Igreja nos pede, creio que é possível fazer política com o compromisso de todos pelo bem comum. Que tenhamos um coração esperançoso e que ele nos leve a priorizar a justiça social, a caridade e a fé.

Rezemos para que nossos representantes sejam iluminados pela Luz de Cristo Vivo e Ressuscitado.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

AGOSTO: MÊS VOCACIONAL... MÊS DAS VOCAÇÕES!

 

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 Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, instituiu em sua 19ª Assembleia Geral, em 1981, que agosto seria o Mês Vocacional no Brasil. Desde então, católicos em todo o território nacional olham para esta época como uma chance de refletir sobre suas missões e chamados.

Nossa primeira vocação é o chamado à vida, a sermos cristãos e honrarmos a Deus todos os dias, em cada atividade e atitude que praticamos. Cada pessoa é criatura de Deus, amada e convidada por ele ao banquete da vida. A vida é, assim, o primeiro chamado de Deus, a primeira vocação.

Durante este mês de agosto, celebramos esta primeira vocação. Refletimos sobre o presente divino que é viver, e todos os frutos que Deus nos dá diariamente. Depois, celebramos ainda todas as outras: chamados à vida religiosa, ao matrimônio, ao voluntariado, ao sacerdócio, por exemplo.

Por isso, o Mês Vocacional é importante: durante 30 dias, as orações são focadas para que Deus prepare bons cristãos para aceitar e cumprir seu chamado na Terra, impactando positivamente a vida das pessoas ao seu redor, e também nossa sociedade de maneira geral.

O mês de agosto é tempo de esperança e de reflexões profundas sobre o que Jesus Cristo pretende para a vida de cada um de nós. A Igreja Católica determina uma estrutura para que ele seja celebrado da melhor maneira.

A divisão acontece por domingos, na Santa Missa:

Primeiro Domingo de Agosto – Vocações Sacerdotais – Dia do Padre

Segundo Domingo de Agosto – Vocação Familiar – Dia dos Pais

Terceiro Domingo de Agosto  Vocações Religiosas – Dia da Vida Religiosa

Quarto Domingo de Agosto – Vocações Leigas – Dia dos Ministérios Leigos

Quando há um quinto domingo no mês de Agosto, acontece a celebração do catequista, em homenagem àqueles que dedicam a vida a ensinar aos outros sobre o amor e o caminho de Cristo.


sábado, 20 de abril de 2024

CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA ENCERRA A 61ª ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB

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om a Celebração Eucarística com Laudes realizada no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), foi encerrada nesta sexta-feira, 19 de abril de 2024, a 61ª ASSEMBLEIA GERAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB), com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, e de cardeais, arcebispos e bispos de diversas circunscrições eclesiásticas de todo o território brasileiro.

A cerimônia foi presidida pelo arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, e teve como concelebrantes os demais membros da presidência da Conferência: dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo de Goiânia (GO) e primeiro vice-presidente; dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo vice-presidente; e dom Ricardo Hoerpers, bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário-geral.

Os presidentes dos 19 regionais da CNBB, que também compõem o Conselho Permanente da Conferência, participaram da procissão de entrada, juntamente com os membros da presidência, fortalecendo a união e representatividade das diferentes regiões do Brasil na assembleia.

Durante sua homilia, dom Jaime destacou pontos importantes para os bispos presentes e para a comunidade católica em geral. Ele iniciou com uma pergunta significativa: “QUEM ÉS TU, SENHOR?” Essa pergunta, segundo ele, continua a desafiar todos, especialmente aqueles que se consideram seguidores do Caminho.

O presidente da conferência ressaltou a importância de “caminhar pelo homem”, afirmando que essa é a razão e a motivação de todas as atividades pastorais e do cotidiano das comunidades e da CNBB. Ele citou que “caminhar pelo homem” é a essência de nossas atividades, empenho e dedicação, enfatizando o compromisso com a causa humana, guiados pelo Evangelho.

“Caminhar pelo homem! Eis a razão, a motivação de todas as nossas atividades, empenho, dedicação. Pela causa do humano, iluminados pelo Evangelho, empenhamos nossa juventude, forças, a vida! Aqui está a razão de ser das diversas iniciativas, pastorais que caracterizam nossas iniciativas, o cotidiano de nossas comunidades, de nossa Conferência.”

Além disso, o arcebispo destacou que a encarnação de Deus entre os homens cria uma íntima união entre o divino e o humano, tornando-nos participantes do mistério divino. Enfatizou que “não se pode separar a fé da defesa da dignidade humana, a evangelização da promoção de uma vida digna, a espiritualidade do empenho pela dignidade de todos os seres humanos”.

Ao final de sua homilia, dom Jaime agradeceu a todos os participantes e colaboradores da Assembleia, reconhecendo sua dedicação e empenho. Ele também incentivou os bispos a dar continuidade ao trabalho iniciado na Assembleia, estimulando as comunidades a participarem ativamente dos processos vivenciados durante o evento.

Sob a materna intercessão da Padroeira do Brasil, os bispos reunidos ao redor da imagem de Nossa Senhora Aparecida agradeceram os dias de convivência, oração, diálogos e trabalhos da assembleia, consagrando o ministério episcopal, as dioceses, os regionais, os presbíteros e todos os agentes pastorais que colaboram na evangelização da Igreja no Brasil.

Os Bispos consagraram as Igrejas Locais à Mãe Aparecida e agradeceram o bom andamento da 61ª Assembleia Geral da CNBB.

MAIS DE MIL PESSOAS PARTICIPARAM DA 61ª ASSEMBLEIA GERAL

Desde o último dia 10, até a manhã de desta sexta-feira, dia 19, o episcopado brasileiro esteve em Aparecida (SP) para a realização da 61ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

“O Caminho Sinodal” foi o tema do retiro espiritual que iniciou a 61ª Edição da AG e contou com a assessoria do secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin.

Ao todo, ao longo das duas semanas, o encontro de comunhão eclesial teve 27 sessões que trataram assuntos variados em prol da ação evangelizadora nos quatro cantos do país.

Em clima de comunhão, os bispos emitiram quatro textos: uma mensagem ao povo brasileiro e outra aos cristãos católicos; e duas cartas, uma ao Papa Francisco; e a outra ao prefeito do Dicastério para os Bispos.

ESCUTA DE DEUS E DOS IRMÃOS

Divididos em 19 regionais, mais de 400 bispos participaram do evento eclesial que, com silêncio orante e reflexão comum, o episcopado contribuiu para a atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) com o uso do método de discernimento comunitário intitulado de “Conversa no Espírito”. Em 45 pequenas comunidades, em diversos momentos, os bispos partilharam momentos de escuta de Deus e dos irmãos.

“O método de conversação no Espírito vai favorecer uma maior participação de todos nos processos de evangelização”, indicou o subsecretário pastoral da CNBB, padre Jânison de Sá Santos, ao afirmar que o método adotado exige a interação de todos.

MINISTÉRIO DO CATEQUISTA

Em rito inédito no país, o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Comissão Episcopal Bíblico-Catequética da CNBB, dom Leomar Brustolin, em nome de todos os bispos, presidiu a Celebração de Instituição do Ministério do Catequista.

Ao todo, 19 catequistas, um de cada regional, receberam o ministério instituído pelo Papa Francisco através do Motu Próprio Antiquum Ministerium.

MARCA DO AMOR

Sobre os trabalhos da AG, o subsecretário adjunto geral da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, que ajudou na logística do evento eclesial, sublinhou que foi um momento de graça. “Trabalhar na Assembleia, favorecendo estrutura e meios para que os bispos possam rezar e refletir, é contribuir com o anúncio do Evangelho na Igreja no Brasil”, comentou.

Ao trazer a frase de Santo Ambrósio, “Aquilo que o amor faz o medo jamais poderá realizá-lo”, o padre Patriky destacou que os serviços prestados pelas 637 pessoas envolvidas na concretização da Assembleia Geral, entre assessores e colaboradores da CNBB, e do Santuário Nacional, “tiveram a marca do amor: na preparação, na realização e nos encaminhamentos finais”, finalizou.

HINO EM LÍNGUA PORTUGUESA

No dia 16, durante a realização da AG, em Missa no Santuário Nacional, o Hino Oficial brasileiro do Ano Jubilar foi entoado pela primeira vez.

Com o tema “Peregrinos da Esperança”, escolhido pelo Papa Francisco, o Jubileu terá início no Natal deste ano e se estenderá durante 2025. A apresentação em língua portuguesa contou com a presença dos diretores musicais do hino, o maestro Delphim Porto e padre José Weber, da São Paulo Schola Cantorum, assessores e colaborados da Conferência Episcopal. A execução do hino também se repetiu na 16ª sessão da Assembleia quando os bispos aprofundaram o tema do Jubileu 2025.

ENGAJAMENTO NA COMUNICAÇÃO

Em um trabalho de comunicação integrada, 9 coletivas de imprensa informaram os principais temas refletidos nos dias da Assembleia. Com transmissões, programas, podcasts e publicações, as redes sociais da Conferência Episcopal tiveram um aumento de 80% no engajamento. Programas de rádio também foram produzidos pela Assessoria de Comunicação da CNBB durante os trabalhos da Assembleia.

Para proporcionar a integração dos fiéis com a entidade em todo o país por meio de notícias, formação e espiritualidade, ontem, dia 18, a presidência da CNBB e a assessoria de comunicação laçaram o aplicativo da Conferência Episcopal.

Com informações da Comissão para a Comunicação da CNBB - Comunicação 61ª AG CNBB.

sábado, 13 de abril de 2024

SÃO FRANCISCO DE ASSIS CONVIDA A AMADURECER O DEVER DE CUIDAR E PRESERVAR A TERRA, A CASA COMUM.

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a memória de São Francisco de Assis, a Igreja no Brasil é motivada a amadurecer sua consciência missionária, seu dever de cuidar e de preservar a terra, a casa comum, e fazer crescer no amor aos pobres e pequeninos.

A relação de São Francisco com a Criação é presente na sua história de vida, no testemunho que o levou aos altares. E, na atualidade, ganhou novo impulso com as reflexões do Papa Francisco contidas na encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum.

O arcebispo da Paraíba, dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, afirmou em artigo publicado no Portal da CNBB que “o grande Santo da Igreja, São Francisco, nos coloca diante do testemunho irrefutável do cuidado com a casa comum que nos cerca, isto é, a mãe terra que nos acolhe”. E que o Papa Francisco escreveu a encíclica Laudato Si’, “que chama a nossa atenção para este cuidado”.

Dom Delson destaca o desejo do Papa e o valor inerente à consciência ecológica, os quais indicam “a necessidade de guardar os bens que Deus colocou em nossas mãos, e não agirmos como proprietários e dominadores dos mesmos”.

“O testemunho existencial de São Francisco diz-nos não somente de uma ecologia pontual, mas leva-nos à preocupação com uma consciência ecológica integral, pondo-nos para dentro da ética fraterna, colocando o homem no centro e diante do cuidado com o mundo”, ensina dom Manoel.

Também, o então bispo de Juazeiro (BA), atual arcebispo de Maceió (AL), dom Carlos Alberto Breis Pereira (dom Beto Breis), de sua experiência franciscana, traz uma reflexão sobre essa relação de São Francisco de Assis com a ecologia integral.

“A ação ecológica que se inspira no Irmão de Assis precisa ir além de atividades pontuais como reciclar materiais, plantar árvores e flores, bem como lutar pela preservação de determinadas espécies ameaçadas. É preciso mudar o jeito de viver e conviver, de olhar e de se relacionar. Urge denunciar um modelo econômico e social que privilegia poucos em detrimento de graves impactos sociais e ecológicos”, lembra.

Para dom Beto Breis, a Laudato Si’ é uma encíclica “revolucionária”. Nela estão acolhidas e recolhidas “as intuições do Pobrezinho e as grandes inquietações dos homens e mulheres do nosso tempo e desta Casa Comum, acenando que tudo está interligado e que as grandes questões sociais estão profundamente relacionadas às interpelações ecológicas. Uma ecologia integral, que exige um processo comum de conversão de mentalidade e de ações cotidianas”.

“Com o Francisco de Roma em sua inovadora Laudato Si’, é oportuno olhar para Francisco de Assis neste tempo de aquecimento global, exclusão social gritante e outros tantos efeitos do descuidado humano com a Mãe-Terra, Casa Comum. Deixemo-nos impactar pelo seu atualíssimo testemunho para sermos, também nós, profetas da vida e defensores da criação, num modo radicalmente novo de viver e conviver com os irmãos e irmãs que partilham conosco esse habitat comum ainda tão belo e encantador”, motiva dom Beto Breis.


Artigo postado no Portal da CNBB em 04/10/2022

quinta-feira, 11 de abril de 2024

MISSA NO SANTUÁRIO NACIONAL DE NOSSA SENHORA APARECIDA ABRE A 61ª ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB

 

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 61ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, cuja temática principal está voltada à realidade da Igreja no Brasil e a atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil - DGAE, teve início na quarta-feira, 10 de abril, às 7h, com a Missa com Laudes, presidida pelo arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.

O encontro reúne os cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, auxiliares e coadjutores, bispos eméritos, administradores diocesanos e representantes de organismos e pastorais da Igreja, que são convidados.

Atualmente, a Igreja Católica no Brasil possui 279 circunscrições eclesiásticas. O número de bispos no país é de 486, dos quais 318 estão no exercício do governo pastoral de alguma Igreja Particular e outros 168 são bispos eméritos.

Este ano, a programação da 61ª Assembleia Geral da CNBB está dividida em quatro sessões diárias, totalizando 27 ao longo das duas semanas. A primeira sessão, a de abertura, aconteceu no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, às 8h30, com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro; os membros da presidência da CNBB: dom Jaime Spengler (presidente), dom João Justino de Medeiros Silva (primeiro vice-presidente), dom Paulo Jackson Nóbrega (segundo vice-presidente) e dom Ricardo Hoepers (secretário-geral), e o reitor do Santuário Nacional, padre Eduardo Catalfo. 

A pauta da 61ª Assembleia Geral da CNBB inclui o tema central (A realidade da Igreja no Brasil e a atualização de suas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora), quatro temas prioritários (Sínodo dos Bispos 2021-2024, Jubileu 2025, Relatório da Presidência e Juventude) e assuntos a serem tratados em razão da previsão estatutária da Conferência (Doutrina da Fé, Liturgia, Relatório do anual da presidência, relatório econômico, Textos Litúrgicos – CETEL) e outros temas e informes diversos sobre a vida da Igreja Católica no Brasil.

As coletivas de imprensa, este ano, estão sendo promovidas na parte da manhã. No primeiro dia, 10 de abril, às 10h30, na Sala de Coletivas, no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida. Dessa primeira coletiva participam os membros da presidência da CNBB e o assunto tratado foram os temas da Assembleia. O retiro espiritual dos bispos terá início também neste primeiro dia, 10, às 16h, com a pregação do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

Com informações da CNBB.

sábado, 14 de outubro de 2023

REFLEXÃO LITÚRGICA DO 28º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 15/10/2023

Folheto Litúrgico Celebrando a Vida, Diocese de São Mateus, ES.

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odos são convidados para o banquete do Noivo; quem ousa recusar? Muitas vezes na Sagrada Escritura, o Reino dos Céus é comparado a um banquete! Para os orientais, o banquete, a festa ao redor da mesa, é sinal de bênção, pois é lugar da convivência que dá gosto de existir, da fartura que garante a vida e do vinho que alegra o coração. É por isso que Jesus hoje nos diz que "o Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho". Deus, desde a criação do homem, pouco a pouco, foi preparando a festa de casamento do seu Filho, Jesus Cristo, com a humanidade.

Já no Antigo Testamento, Deus falava a Israel sobre o destino da vida, luz e paz que ele preparava para toda a humanidade: "O Senhor dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos.

O Senhor Deus dominará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces…" O pensamento e o desejo de Deus para o povo são de paz; de vida, de liberdade, de felicidade! Se o Senhor havia escolhido Israel como seu povo, era para que fosse ministro dessa salvação. O monte Sião seria o lugar de onde brotariam a salvação e a bênção de Deus para toda a humanidade. Infelizmente, Israel não compreendeu sua missão.

No Evangelho de hoje, Jesus mostra o que aconteceu ao povo de Israel, especialmente por parte de suas lideranças religiosas, a partir de imagens: o rei é o Pai; o casamento do Filho (Jesus) é a Aliança nova que Deus quer selar com toda a humanidade; os empregados são os profetas e os apóstolos. Deus preparou tudo e por seu Filho fez o convite: "Vinde

para a Festa!", mas o povo (Israel) não aceitou! A festa era para acolher o Messias, o Filho amado! Aquele que traz a vida para toda a humanidade!

O que fazer diante da recusa dos convidados? O rei ordena aos servos: "'Ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes!' E a sala ficou cheia de convidados".

Somos nós, os que antes éramos pagãos e não conhecíamos o Deus de Israel. Pela voz dos Apóstolos e dos pregadores do Evangelho, o Senhor nos reuniu de todos os povos da terra, das encruzilhadas dos caminhos da vida, e nos fez o seu povo, o novo povo, a Igreja! Assim, a sala do banquete, a sala da aliança eterna, ficou repleta, porque o desejo de Deus é que todos se salvem! Ainda hoje muitas pessoas recusam o convite de vir participar do Banquete da Eucaristia e do Reino por causa das novelas, jogos, bares, internet, lazeres e até por causa de pessoas!

A Igreja, da qual fazemos parte como membros e filhos, é fruto de um desígnio do amor do Pai eterno que, na plenitude dos tempos, nos chamou e reuniu em Cristo Jesus! Nunca deveríamos esquecer que este Banquete eucarístico do qual participamos agora é o Banquete que o rei, o Pai eterno, nos preparou: banquete da aliança do seu Filho, o Esposo, com a Igreja, sua Esposa! Somos os convidados para o banquete das núpcias da aliança do Cristo com a sua amada Esposa e o alimento, o Cordeiro, é o próprio Jesus dado e recebido em comunhão!

Devemos estar de qualquer jeito? No Batismo recebemos uma veste pura e santa. Cabe a cada um zelar para que a nódoa do pecado não manche nossa veste. Devemos ter e vestir sempre a veste da justiça do Reino de Deus. O Senhor pergunta: "Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?" Diz que "O homem nada respondeu!". No nosso caso: o compromisso com a justiça do Reino é a única resposta coerente que podemos dar ao chamado gratuito de Deus no banquete de casamento com a humanidade. Só assim seremos, além de convidados a fazer parte de Reino, escolhidos para participar, com dignidade, da festa do Cordeiro.

O anúncio do Reino e a conversão devem acontecer em todos os momentos; tanto na miséria como na abundância. Pela vida digna e justa somos fortalecidos no Senhor e chamados por Ele, em todos os momentos da vida, para testemunhar o Reino de justiça, amor e paz. É verdade que muitas forças nos convidam a manchar a veste festiva do nosso Batismo, mas aquele que confia no Senhor pode dizer: "Tudo posso naquele que me dá força" e seguir como verdadeiro discípulo missionário.

Que o Senhor nos dê a graça de fazermos parte de seu Reino. Que Ele nos conceda força e coragem para não desanimarmos no trabalho missionário e resistir às tentações.