"Também conosco, quando sentirmos a rejeição à nossa missão
de paz, ao nosso trabalho de construção da justiça, aos nossos atos de
fraternidade, não deveremos assumir a recusa, o repúdio, como algo feito a nós,
mas ao Senhor, de quem sempre somos embaixadores."
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em dúvida, o tema da liturgia deste
domingo é a Missão! Segundo o Dicionário Houaiss, da Língua Portuguesa, Missão
é incumbência que alguém deve executar a pedido ou por ordem de outrem;
encargo; ora, a missão é profetizar/evangelizar, ordenada por Deus a quem Ele
quis.
Na
primeira leitura extraída do livro do Profeta Amós 7, 12-15, temos o Sacerdote
Amasias, enciumado, solicitando que Amós deixasse de ser seu concorrente e
fosse pregar em Judá, mas não em Betel, seu posto de trabalho, já que ele,
Amasias, era ligado ao Rei Jeroboão II e à sua corte. Todavia, foi o Senhor
quem solicitou ao camponês Amós que deixasse de pastorear o gado e de cultivar
sicômoros. O Senhor lhe deu a missão de ir a Betel e lá profetizasse para o
Povo de Israel. Se Amós se intimidasse com a figura de Amasias e se
transferisse para Judá, estaria desobedecendo a Javé.
Muitas
vezes conosco acontecem coisas semelhantes e nos sentimos em uma enrascada; mas
ao Senhor, sempre deveremos obedecer, mesmo que nos deixe em uma situação
difícil.
No
Evangelho, Marcos 6, 7-13, vemos o Senhor enviar os doze apóstolos em grupo de
dois, com a missão de evangelizar, e dentro de uma simplicidade e austeridade
pedidas ao enviado, para que confie apenas na Providência e sinta-se totalmente
livre de cuidados e preocupações para o desempenho da missão.
Eles
irão lutar contra os espíritos impuros, isso significa que a luta será
aguerrida e, por isso mesmo, deverão estar bem preparados, confiando apenas no
poder do Senhor, e não em recursos humanos, por mais excelentes e puros que
sejam.
E
como será essa evangelização? Marcos nos fala em anúncio da conversão, expulsão
de demônios, cura de doentes e unção com óleo.
Por
outro lado, a não acolhida do anúncio deverá ser tratada como recusa ao dom de
Deus e é dada aos apóstolos a orientação de sacudir a poeira dos pés, como
testemunho contra os rejeitadores da Palavra. Nesse momento o despojamento é
mudado. Não se trata de deixar elementos de que necessitarão para a própria
sobrevivência e exercício da missão, mas a própria poeira daquela povoação,
sinal explicito de que a eles chegou a Mensagem, mas houve a rejeição, a recusa
em ouvir a Palavra de Deus.
Também
conosco, quando sentirmos a rejeição à nossa missão de paz, ao nosso trabalho
de construção da justiça, aos nossos atos de fraternidade, não deveremos
assumir a recusa, o repúdio, como algo feito a nós, mas ao Senhor, de quem
sempre somos embaixadores. E nossa dignidade exige que não aceitemos nada, não
acrescentemos nada em nossa equipagem, como uma simples lembrança ou cortesia.
Na
segunda leitura, Efésios 1,3-14, São Paulo nos fala, no versículo 4, sobre
nossa vocação, pensada para nós, pelo Criador, “antes da fundação do mundo”.
Cada
um de nós é criado por e com amor e com dons e carismas que norteiam nossa
vocação e nossa missão. Portanto se admiramos a capacidade de um grande
profissional em sua área, dizemos que é carismático; também como cidadão do
Reino, cada um de nós foi predestinado “a ser, para o louvor de sua glória, os
que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo.” Desse modo fica claro que
nossa opção sempre deveria ser a maior glória de Deus, através da concretização
de nossa vocação, do uso de nossos dons e carismas; tudo com o fim
evangelizador. Quanto mais integrado com nossa vocação, mais clareza no tocante
à nossa missão específica, mais felicidade, maior realização e maior desfrute
de todo o Criado.
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