|
H |
oje,
o sinal das cinzas em nossas frontes não é uma marca de perfeição, mas um atestado
de humildade. Iniciamos a Quaresma de 2026 com o convite profético de
Joel: “Rasgai o coração e não as vestes”. No mundo das aparências,
onde muitas vezes cuidamos apenas da "vitrine" da nossa vida, a
Liturgia nos pede para olhar para o que está escondido.
No Evangelho de hoje, Jesus é direto: a esmola, a
oração e o jejum perdem o valor se o objetivo for o aplauso alheio. A Quaresma
é o tempo do “quarto fechado”. Rezar no secreto é encontrar um Deus que
não precisa de espetáculo para nos amar. O jejum que agrada a Deus não é apenas
o estômago vazio, mas o esvaziamento do nosso orgulho para que Ele possa nos
preencher.
Ao ouvirmos "Lembra-te que és pó",
não recebemos uma sentença de morte, mas uma lição de realismo. Somos pó, sim,
mas pó amado por Deus. Viemos da terra, mas fomos soprados pelo Espírito.
As cinzas nos nivelam: diante de Deus, não contam os títulos ou as posses, mas
a disposição de se deixar reconciliar, como nos exorta São Paulo na segunda
leitura.
Neste ano, a Igreja no Brasil nos provoca com a Campanha
da Fraternidade 2026, sob o tema “Fraternidade e Moradia”. Ao meditarmos
sobre o lema “Ele veio morar entre nós”, somos questionados: como
podemos celebrar a Quaresma se fechamos os olhos para aqueles que não têm um
teto? Onde Deus habita hoje? Ele habita na dignidade humana. Nossa conversão
pessoal deve transbordar em justiça social, garantindo que o direito sagrado à
moradia seja respeitado.
Irmãos, este é o “momento favorável”. Não deixemos para amanhã a mudança que o Espírito pede hoje. Que estas cinzas se transformem, ao longo destes 40 dias, em fogo de caridade e luz de Páscoa. Que o nosso jejum alimente quem tem fome e que nossa oração abra as portas do nosso coração e das nossas casas para o próximo.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Informe sempre no final do seu comentário o seu nome e a sua Cidade.