sábado, 14 de março de 2026

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA O 4º DOMINGO DA QUARESMA - 15/03/2026

 

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 4º Domingo da Quaresma é tradicionalmente chamado de Domingo Laetare, o domingo da alegria. No meio do caminho quaresmal, a liturgia nos convida a alegrar-se, pois a Páscoa se aproxima e a luz de Cristo já desponta sobre as trevas do pecado e da morte. As leituras deste dia giram em torno do tema da luz e da visão, contrapondo a cegueira física e espiritual à iluminação que vem de Deus.

Na primeira leitura, o profeta Samuel é enviado por Deus para ungir um novo rei em Israel. Aos olhos humanos, os filhos mais fortes e imponentes de Jessé pareciam os mais aptos, mas o Senhor ensina: “O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. Davi, o menor e o pastor de ovelhas, é o escolhido. Essa escolha divina revela que Deus não se guia por critérios externos, mas pela disposição interior e pela fidelidade do coração. A unção de Davi antecipa a unção de Cristo, o verdadeiro Pastor e Rei, que conduz o seu povo com ternura e justiça.

O Salmo 22(23) expressa a confiança plena no Senhor, o Pastor que guia, alimenta e protege. Mesmo quando se caminha “pelo vale escuro”, não há medo, pois a presença de Deus é consolo e segurança. Essa imagem do Pastor se liga diretamente a Jesus, que cura o cego e o conduz da escuridão à luz, da exclusão à comunhão.

Na carta aos Efésios, Paulo recorda que os cristãos, outrora trevas, agora são luz no Senhor. A vida nova em Cristo exige uma conduta coerente com essa luz: bondade, justiça e verdade. A Quaresma é tempo de despertar do sono espiritual, de deixar que a luz de Cristo revele e transforme as zonas sombrias do coração.

O Evangelho de João apresenta a cura do cego de nascença, um dos sinais mais profundos realizados por Jesus. O milagre não é apenas físico, mas simbólico: o cego representa a humanidade mergulhada na escuridão do pecado e da ignorância. Ao abrir-lhe os olhos, Jesus manifesta-se como a Luz do mundo. O processo de cura é também um caminho de fé: o homem passa de uma simples experiência de cura a uma confissão plena — “Creio, Senhor!”. Em contraste, os fariseus, que se consideram iluminados, permanecem cegos por causa da rigidez e da autossuficiência.

A liturgia deste 4º Domingo da Quaresma convida a reconhecer as próprias cegueiras e a permitir que Cristo ilumine a vida. Ver com os olhos da fé é enxergar além das aparências, é acolher o modo de Deus agir, muitas vezes discreto e surpreendente. A verdadeira visão nasce da humildade e da abertura ao Espírito.

Meus irmãos, minhas irmãs, a Quaresma é um itinerário de iluminação. A Palavra e os sacramentos são luzes que conduzem ao encontro com Cristo. Deixar-se iluminar por Ele significa converter o olhar, aprender a ver o mundo, as pessoas e a própria história com os olhos de Deus. Assim, a alegria do Domingo Laetare não é superficial, mas fruto da certeza de que a luz venceu as trevas e que, em Cristo, a vida nova já começou.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 Leituras: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a; Sl 22(23),1-3a.3b-4.5.6 (R. 1); Ef 5,8-14; Jo 9,1-41


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