sábado, 28 de março de 2026

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA O DOMINGO DE RAMOS – 29/03/2026

 

A

 liturgia deste DOMINGO DE RAMOS é marcada por um contraste profundo que define a nossa fé. Começamos com a alegria festiva da entrada de Jesus em Jerusalém e terminamos no silêncio do sepulcro.

Jesus entra em Jerusalém não como um conquistador militar sobre um cavalo de guerra, mas montado em um jumentinho. Ele cumpre a profecia de Zacarias e nos ensina que o Reino de Deus não se impõe pela força, mas pela mansidão. A multidão estende mantos e ramos, gritando "Hosana!". É o reconhecimento de Jesus como o Messias, mas um Messias que vem para servir, não para ser servido.

As leituras nos ajudam a entender o "interior" de Cristo durante sua Paixão. Isaías nos apresenta o Servo que não desvia o rosto dos ultrajes porque confia no Senhor. São Paulo, na belíssima carta aos Filipenses, resume o mistério da encarnação. Jesus, sendo Deus, esvaziou-se a si mesmo. Ele não se apegou à sua divindade, mas assumiu a condição de escravo. A glória de Cristo passa, necessariamente, pela sua obediência radical ao Pai por amor a nós.

O relato da Paixão segundo Mateus coloca-nos diante da fragilidade humana e da fidelidade divina. Vemos a traição de Judas, o abandono dos discípulos e a negação de Pedro. No centro de tudo, está Jesus. Ele vive a angústia do Getsêmani e o abandono na cruz (Sl 21/22), mas o faz entregando-se voluntariamente.

O grito "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?" não é um grito de desespero, mas o início de um salmo que termina em confiança e vitória. Ao morrer, Jesus rasga o véu do templo, abrindo para todos nós o acesso direto ao coração de Deus.

Nesta semana, somos convidados a não sermos apenas espectadores de um drama antigo, mas participantes. Quantas vezes aclamamos Jesus com nossos "hosanas" na oração, mas o crucificamos em nossos irmãos através do julgamento e da falta de caridade?

Que o Domingo de Ramos nos ajude a descer dos nossos "cavalos" de orgulho para caminhar com Jesus no caminho da humildade. Acompanhá-lo na Paixão é a única forma de experimentarmos, verdadeiramente, a alegria da Ressurreição.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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