sábado, 5 de setembro de 2026

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA O 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 06/09/2026

 

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 Palavra de Deus que a Igreja nos convida a meditar neste 23º Domingo do Tempo Comum nos coloca diante de uma das dimensões mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, mais belas da nossa fé: a corresponsabilidade fraterna. Fomos salvos em comunidade e é em comunidade que somos chamados a viver e a guardar a santidade uns dos outros.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel recebe uma missão grave do Senhor. Ele é colocado como "sentinela" para a casa de Israel. A função da sentinela não é julgar, mas vigiar; não é condenar, mas alertar sobre o perigo que se aproxima. Deus deixa claro que, se o justo se desviar e a sentinela se calar, ela partilhará da responsabilidade pela perda daquele irmão. Essa passagem nos arranca do individualismo espiritual. A salvação do meu irmão diz respeito a mim. Não podemos nos render à cultura da indiferença, aquela que nos faz lavar as mãos e dizer: "O problema é dele, a vida é dele". Para Deus, o pecado do irmão também é um chamado à nossa ação amorosa.

É por isso que, no Evangelho de Mateus, Jesus nos dá o método prático de como exercer essa missão de sentinela através da correção fraterna. Jesus não nos pede para expor o erro do irmão publicamente, nem para fazer fofocas ou criar tribunais de internet. O caminho de Cristo é o da delicadeza e do respeito: "Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo a sós com ele". O objetivo da correção cristã nunca é a humilhação ou o desabafo do nosso orgulho ferido; o único objetivo é ganhar o irmão, resgatá-lo para a comunhão.

Muitas vezes, preferimos falar dos outros em vez de falar com os outros. O silêncio covarde ou a fofoca destroem a comunidade. Jesus estabelece degraus de paciência: primeiro a sós, depois com testemunhas e, por fim, com a Igreja. E mesmo quando o texto diz para tratá-lo "como um pagão ou um cobrador de impostos" caso ele recuse ouvir a Igreja, precisamos nos lembrar de como Jesus tratava os pagãos e os cobradores de impostos: com misericórdia infinita, chamando-os continuamente à conversão.

Como realizar essa missão tão difícil sem cair na hipocrisia de nos acharmos melhores que os outros? São Paulo, na segunda leitura, nos dá a chave de ouro: "Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor mútuo". O amor é o pleno cumprimento da Lei. A correção só é legítima e cristã se nascer do amor. Se corrigimos por irritação, por impaciência ou para provar que estamos certos, pecamos tanto quanto aquele que errou. Mas se corrigimos porque amamos a alma do irmão e queremos vê-lo no Céu, estamos cumprindo os mandamentos.

Para que nossos corações não fiquem endurecidos pelo orgulho, o Salmo de hoje nos adverte: "Não fecheis o vosso coração, ouvi vosso Deus". Precisamos primeiro ouvir a voz do Senhor, reconhecer que nós também necessitamos de correção e de misericórdia todos os dias, para só então podermos nos aproximar do irmão com mansidão.

Por fim, Jesus nos deixa uma promessa consoladora: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali no meio deles". A comunidade cristã, unida pelo vínculo do perdão e da reconciliação, torna-se o lugar da presença viva de Cristo. Quando rezamos juntos, quando nos perdoamos mútua e sinceramente, o Céu se abre e a terra se cura.

Que esta Eucaristia renove em nós a coragem de amar sem medidas, a humildade para sermos corrigidos e a caridade divina para sermos verdadeiras sentinelas da salvação de nossos irmãos.

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