sábado, 12 de setembro de 2026

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA O 24º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 13/09/2026


"O perdão não é um cálculo matemático,mas um transbordamento da misericórdia divina."

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este 24º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos coloca diante de um espelho incômodo, mas profundamente libertador. Ela nos convida a confrontar a nossa mesquinhez humana com a infinita generosidade do coração de Deus.

A primeira leitura, do livro do Eclesiástico, nos dá um choque de realidade. O autor sagrado diz, sem rodeios, que o rancor e a raiva são coisas detestáveis. Ele nos faz uma pergunta que ecoa em nossa consciência: "Se um homem guarda raiva contra o outro, como pode pedir a Deus a cura?". Guardar ressentimento é como beber veneno esperando que o outro morra. Sabota a nossa própria oração. Por isso, a Palavra nos convida a olhar para a brevidade da vida, a lembrar do nosso fim e a deixar de lado a pressa em condenar. Diante da eternidade, alimentar mágoas é um terrível desperdício do tempo que nos foi dado para amar.

É essa mesma lógica que Jesus quebra no Evangelho de hoje. Pedro, tentando ser generoso dentro dos limites humanos, pergunta se deve perdoar até sete vezes — o número que, para a época, já significava perfeição. Mas a resposta de Jesus eleva o padrão: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete". Com isso, o Senhor nos ensina que o perdão cristão não se conta, não se calcula e não tem limites.

Para ilustrar, Jesus nos conta a impressionante parábola dos dois devedores. Um homem devia ao rei uma fortuna astronômica, impagável. Movido por pura compaixão, o rei cancela a dívida e o liberta. Mas aquele mesmo homem, ao sair dali, encontra um companheiro que lhe devia uma quantia irrisória e o esgana, exigindo o pagamento, mandando-o para a prisão.

Meus irmãos, quantas vezes nós somos esse servo impiedoso? No confessionário, ou no silêncio da nossa oração, recebemos de Deus um perdão inestimável por tantas faltas, orgulhos e egoísmos. Deus nos perdoa uma fortuna! Mas, quando saímos da igreja, dentro de nossas casas, no trabalho ou nas redes sociais, cobramos as pequenas moedas das ofensas diárias com uma rigidez implacável. Como cantamos no Salmo 102, o Senhor "não nos trata como exigem nossas faltas". Como, então, ousamos tratar o nosso próximo com o chicote da intransigência?

A chave para romper esse ciclo nos é dada por São Paulo na segunda leitura. Ele nos lembra: "Nenhum de nós vive para si mesmo... pertencemos ao Senhor". Quando compreendemos que a nossa vida não gira em torno do nosso próprio ego ou do nosso orgulho ferido, tudo muda. Se eu pertenço a Cristo, e se o irmão que me ofendeu também pertence a Ele, eu não tenho o direito de condenar e prender na minha mágoa aquele que o Senhor já resgatou com o Seu próprio sangue.

Nesta Eucaristia, peçamos a graça de um coração semelhante ao de Jesus. Que ao rezarmos o Pai-Nosso, a frase "assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido" não seja uma condenação para nós, mas um compromisso de libertação. Que Deus nos dê a coragem de rasgar as notas promissórias espirituais que guardamos contra os outros e nos faça testemunhas vivas da Sua reconciliação e da Sua paz.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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