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I |
niciamos o Tempo Comum com uma cena de profunda humildade. João Batista está no
auge de sua popularidade, mas, quando Jesus se aproxima, João não hesita: ele
diminui para que o Outro cresça. Seu papel é ser o “dedo que aponta”.
Em um mundo onde todos lutamos por visibilidade e
autoafirmação, João Batista nos ensina a virtude da referencialidade. Nossa
missão como Igreja e como batizados não é brilhar com luz própria, mas refletir
a “Luz das Nações” (Isaías 49).
O cristão autêntico é aquele que, ao falar, faz as
pessoas olharem para Jesus, e não para si mesmo.
João
utiliza um título estranho para um “libertador”: Cordeiro. Naquela época,
esperava-se um leão, um guerreiro. Mas Deus salva pela mansidão e pelo
sacrifício. Chamar Jesus de “Cordeiro que tira o pecado do mundo” é reconhecer
que o mal não se vence com mais violência, mas com o amor que se entrega.
Nos tempos atuais, diante de tantos conflitos globais
e polarizações que ainda ferem nossas comunidades, a liturgia nos pergunta: “estamos
dispostos a vencer o ódio com a mansidão do Cordeiro, ou ainda buscamos a força
das armas e das palavras agressivas?”
João Batista diz: “Eu vi o Espírito descer”. Este é o
diferencial de Jesus. Ele não apenas nos limpa no batismo de água; Ele nos
incendeia no batismo no Espírito.
A segunda leitura de hoje (1Cor 1,1-3) nos
lembra que somos “chamados a ser santos”. A santidade não é um isolamento do
mundo, mas uma imersão nele com o Espírito de Deus. Ser santo é ser “luz das
nações” no nosso trabalho, na nossa família e por onde estivermos. É
transformar o ambiente em que estamos porque o Espírito de Deus repousa sobre
nós, assim como repousou sobre Jesus no Jordão.
O Evangelho de hoje é um convite ao reconhecimento.
João Batista só pôde testemunhar porque “viu”. Nós só podemos ser cristãos
autênticos se tivermos uma experiência pessoal com Jesus.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
