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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A FORÇA DOS LEIGOS NA PARÓQUIA

 

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 paróquia é, por excelência, a face mais visível e próxima da Igreja na vida dos fiéis. É nela que a fé nasce, é alimentada pelos sacramentos e se traduz em comunidade. No entanto, por muito tempo vigorou a falsa impressão de que a responsabilidade pela condução e pelo dinamismo paroquial recaía exclusivamente sobre os ombros do pároco. Hoje, a compressão teológica e a realidade pastoral nos mostram o oposto: o bom funcionamento de uma paróquia depende da dedicação e da corresponsabilidade do fiel leigo.

O Concílio Vaticano II, por meio do decreto Apostolicam Actuositatem, relembrou que a vocação cristã é, por sua própria natureza, uma vocação ao apostolado. Os leigos não são meros espectadores ou destinatários passivos da ação evangelizadora; eles são sujeitos ativos. Ao receberem o Batismo, todos os fiéis tornam-se participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo. Isso significa que cada leigo carrega consigo o direito e o dever de colocar seus dons a serviço do Evangelho no âmbito de sua comunidade local.

Na prática cotidiana de uma paróquia, a presença do leigo é o que viabiliza a execução de suas estruturas mais fundamentais. Na dimensão litúrgica, são os leigos que atuam nas celebrações recepcionando e ajudando na organização da missa, como ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, leitores, salmistas, coroinhas e acólitos, garantindo que as celebrações transcorram com a dignidade e a beleza necessárias. Na dimensão catequética e formativa, homens e mulheres dedicam voluntariamente seu tempo para preparar crianças, jovens e adultos para os sacramentos, transmitindo a fé de geração em geração.

Além disso, a gestão administrativa e a pastoral social de uma paróquia moderna exigem competências que muitas vezes superam a capacidade de tempo ou a formação técnica de um único sacerdote. É aqui que os Conselhos Pastorais e de Assuntos Econômicos tornam-se vitais. Leigos com conhecimentos em administração, contabilidade, direito, comunicação e assistência social oferecem um suporte profissional indispensável para que os recursos da paróquia sejam geridos com transparência, ética e zelo evangélico. Da mesma forma, as pastorais sociais — como a Pastoral da Criança, dos Enfermos ou da Pessoa Idosa — chegam às periferias existenciais e geográficas onde o sacerdote, sozinho, não conseguiria estar presente.

Contudo, a importância do leigo vai além do trabalho interno ("dentro dos muros" da igreja). O Papa Francisco sempre alertou contra o perigo do clericalismo, que isola os fiéis e engessa a criatividade pastoral. A paróquia deve ser uma "comunidade de comunidades" e uma "Igreja em saída". O leigo possui a missão única de ser o braço da paróquia nas realidades temporais: na política, na cultura, no ambiente de trabalho, nas escolas e no seio das famílias. É o testemunho do leigo no mundo que valida e expande a eficácia do trabalho realizado dentro da paróquia.

Uma paróquia madura e saudável é aquela onde o pároco e os leigos caminham juntos, em mútua escuta e colaboração. O sacerdote atua como o pastor que santifica, governa e ensina, garantindo a comunhão e a fidelidade ao magistério. O leigo, por sua vez, complementa essa missão com seu dinamismo, sua experiência de vida no mundo e sua corresponsabilidade na ação pastoral.

Portanto, valorizar e incentivar o fiel leigo não é apenas uma necessidade prática diante da escassez de vocações presbiterais; é uma exigência teológica e eclesial. Quando os leigos compreendem o valor de sua identidade e assumem seu lugar no bom funcionamento da paróquia, a comunidade se transforma. Ela deixa de ser uma mera prestadora de serviços religiosos para se tornar um organismo vivo, uma verdadeira família unida na fé, na esperança e na caridade.