sábado, 12 de setembro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 13/09/2020

 


SENHOR, QUANTAS VEZES DEVO PERDOAR?

Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

Arquidiocese de Brasília-DF

A

o rezarmos o Pai Nosso, fazemos uma súplica exigente: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com estas palavras ensinadas pelo próprio Senhor Jesus, nós pedimos o perdão das nossas faltas oferecendo ao Pai, que não se cansa de perdoar, a medida do perdão que desejamos receber.

    Já no Antigo Testamento lemos que: “Se (alguém) não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão a Deus?” (Eclo. 28,4). O mesmo sábio aconselha: “Perdoa ao próximo que te prejudica, assim, quando orares, teus pecados serão perdoados” (28,2). Esta palavra já nos aproxima da revelação Evangélica da centralidade do perdão e da misericórdia na vida dos filhos de Deus.

    Mesmo o salmista, ao convidar a própria alma a bendizer ao Senhor lembrando-se dos imensos benefícios que o Senhor lhe fez, diz: “Ele te perdoa toda culpa, cura toda tua enfermidade … como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem” (Sl. 102,3.13).

    Na segunda leitura, o Apóstolo sugere aos cristãos de Roma que na comunidade Cristã nada há de essencial senão a pertença radical a Jesus, pois “quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor”, que “morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos” (Rm. 14,8-9). E o fez realizando a reconciliação do gênero humano com o Seu Pai e nosso Pai.

    Na sequência da tradição bíblica do perdão e levando-a ao seu pleno cumprimento, Jesus universaliza o sentido do próximo e estabelece o vínculo entre o perdão recebido e o perdão dado (cf. Mt 18, 21-35). São João Paulo II assim comenta o diálogo entre Jesus e Pedro: “Cristo sublinha com insistência a necessidade de perdoar aos outros. Quando Pedro lhe perguntou quantas vezes devia perdoar ao próximo, indicou-lhe o número simbólico de «setenta vezes sete», querendo desta forma indicar-lhe que deveria saber perdoar sempre a todos e a cada um”. (Dives in misericordia, n. 14).

    A parábola que ilustra a resposta de Jesus a Pedro, coloca salienta o contraste hiperbólico entre a magnanimidade do senhor que perdoa uma soma incalculável representada pelos dez mil talentos (mais de dois bilhões de denários) e a mesquinhez do criado para com o companheiro que lhe devia apenas cem denários, ou seja, cem vezes o salário de um dia.

    O exercício contínuo e generoso do perdão nos configura cada vez mais a Cristo, que “me amou e Se entregou por mim”. E nós confiamos este desejo à intercessão d’Aquela que não cessa de proclamar «a misericórdia, de geração em geração» e também a daqueles em que já se realizaram até ao fim as palavras do Sermão da Montanha, «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (cfr. Id., n. 15).

Bom dia... 12/09/2020


sábado, 5 de setembro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 06/09/2020

 


SE TEU IRMÃO PECAR CONTRA TI…

 

D

esde a década de 70, a Igreja no Brasil dedica o mês de setembro à promoção do conhecimento da Bíblia entre os católicos. Este mês foi escolhido porque nele se celebra a memória de São Jerônimo, Doutor da Igreja, patrono dos cultores das Escrituras Santas. Ele traduziu a Bíblia para a língua dos romanos a pedido do Papa Dâmaso. Sua tradução foi adotada na liturgia católica e ficou conhecida como “Vulgata”, por seu latim popular, simples e belo. A tradução brasileira usada na liturgia foi feita a partir das línguas originais e cotejada com a Nova Vulgata, revisada por especialistas a pedido de São Paulo VI.

 

Neste mês, portanto, a Igreja no Brasil «exorta com ardor e insistência todos os fiéis a que aprendam “a sublime ciência de Jesus Cristo” (Fl. 3,8) na leitura frequente da Sagrada Escritura» (CIC n. 133), porque, como dizia S. Jerônimo, “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” (Comentário a Isaías). Peçamos a sua intercessão para aprendermos a conhecer e amar as Escrituras Sagradas.

 

Neste Domingo, a liturgia da Palavra nos orienta para uma atitude oposta à de Caim, que ao matar o irmão, retrucou a Deus: “por acaso sou guarda do meu irmão?” (Gn. 4,9). O desinteresse pela vida do irmão, por suas quedas ou afastamento de Deus, não é respeito, é escárnio, desprezo. Cada irmão nosso vale o caro preço do Sangue de Cristo.

 

Já na primeira Aliança, Deus exortava o profeta Ezequiel a cuidar da casa de Israel, orientando e corrigindo o ímpio, isto é, o pecador injusto: “Se eu disser ao ímpio que ele vai morrer, e tu não lhe falares, advertindo-o a respeito de sua conduta, o ímpio vai morrer por própria culpa, mas eu te pedirei contas da sua morte” (Ez 33, 7-9). A correção omitida acarreta responsabilidade pela vida do ímpio, mas a correção realizada traz a salvação àquele que corrige.

 

Ao convidar-nos a não fechar os corações, o Espírito Santo nos chama pela pena do Salmista a ouvir “hoje a voz do Senhor” (Sl. 94). Por meio do Apóstolo dos gentios, a Sua voz nos diz para não ficar “devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo toda a Lei” (Rm 13,8).

 

Quando por meio de obras de misericórdia espirituais oferecemos nosso amor aos que padecem no erro, é a Cristo que adoramos: “O que fizestes a um destes pequeninos, a mim o fizestes”. Por isso, no Evangelho (Mt 18,15-20), Jesus nos ensina o modo de fazer a correção fraterna e as etapas a cumprir ao corrigir os que erram. Vale a pena meditar durante esta semana sobre as palavras de Jesus, pedindo-lhe as luzes e a força para colocá-las em prática. A capacidade de fazer correção fraterna é um índice de maturidade cristã e, como nos ensina o Papa Francisco, um remédio eficaz contra a maledicência.

 

Nossa Senhora nos ajude a ser atentos à voz do Espirito Santo que fala nas Escrituras.


Fonte: Palavra do Pastor - Arquidiocese de Brasília-DF.

Bom dia... 05/09/2020