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REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 13/09/2020
SENHOR, QUANTAS VEZES DEVO
PERDOAR?
Dom
José Aparecido Gonçalves de Almeida
Arquidiocese
de Brasília-DF
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A |
o rezarmos o Pai Nosso, fazemos uma súplica exigente:
“perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem
ofendido”. Com estas palavras ensinadas pelo próprio Senhor Jesus, nós pedimos
o perdão das nossas faltas oferecendo ao Pai, que não se cansa de perdoar, a
medida do perdão que desejamos receber.
Já no Antigo Testamento lemos que: “Se (alguém)
não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão a Deus?” (Eclo.
28,4). O mesmo sábio aconselha: “Perdoa ao próximo que te prejudica, assim,
quando orares, teus pecados serão perdoados” (28,2). Esta palavra já nos
aproxima da revelação Evangélica da centralidade do perdão e da misericórdia na
vida dos filhos de Deus.
Mesmo o salmista, ao convidar a própria alma a
bendizer ao Senhor lembrando-se dos imensos benefícios que o Senhor lhe fez,
diz: “Ele te perdoa toda culpa, cura toda tua enfermidade … como um pai se compadece
de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem” (Sl. 102,3.13).
Na segunda leitura, o Apóstolo sugere aos cristãos de
Roma que na comunidade Cristã nada há de essencial senão a pertença radical a
Jesus, pois “quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor”, que “morreu e
ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos” (Rm. 14,8-9). E o
fez realizando a reconciliação do gênero humano com o Seu Pai e nosso Pai.
Na sequência da tradição bíblica do perdão e levando-a
ao seu pleno cumprimento, Jesus universaliza o sentido do próximo e estabelece
o vínculo entre o perdão recebido e o perdão dado (cf. Mt 18, 21-35).
São João Paulo II assim comenta o diálogo entre Jesus e Pedro: “Cristo sublinha
com insistência a necessidade de perdoar aos outros. Quando Pedro lhe perguntou
quantas vezes devia perdoar ao próximo, indicou-lhe o número simbólico de
«setenta vezes sete», querendo desta forma indicar-lhe que deveria saber
perdoar sempre a todos e a cada um”. (Dives in misericordia, n. 14).
A parábola que ilustra a resposta de Jesus a Pedro,
coloca salienta o contraste hiperbólico entre a magnanimidade do senhor que
perdoa uma soma incalculável representada pelos dez mil talentos (mais de
dois bilhões de denários) e a mesquinhez do criado para com o companheiro
que lhe devia apenas cem denários, ou seja, cem vezes o salário de um dia.
O exercício contínuo e generoso do perdão nos
configura cada vez mais a Cristo, que “me amou e Se entregou por mim”. E nós
confiamos este desejo à intercessão d’Aquela que não cessa de proclamar «a
misericórdia, de geração em geração» e também a daqueles em que já se
realizaram até ao fim as palavras do Sermão da Montanha, «Bem-aventurados os
misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (cfr. Id., n. 15).
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REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 06/09/2020
SE TEU IRMÃO PECAR CONTRA TI…
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D |
esde a década de 70, a Igreja no Brasil dedica o mês
de setembro à promoção do conhecimento da Bíblia entre os católicos. Este mês
foi escolhido porque nele se celebra a memória de São Jerônimo, Doutor da
Igreja, patrono dos cultores das Escrituras Santas. Ele traduziu a Bíblia para
a língua dos romanos a pedido do Papa Dâmaso. Sua tradução foi adotada na
liturgia católica e ficou conhecida como “Vulgata”, por seu latim popular,
simples e belo. A tradução brasileira usada na liturgia foi feita a partir das
línguas originais e cotejada com a Nova Vulgata, revisada por especialistas a
pedido de São Paulo VI.
Neste mês, portanto, a Igreja no Brasil «exorta com
ardor e insistência todos os fiéis a que aprendam “a sublime ciência de Jesus
Cristo” (Fl. 3,8) na leitura frequente da Sagrada Escritura» (CIC n.
133), porque, como dizia S. Jerônimo, “a ignorância das Escrituras é
ignorância de Cristo” (Comentário a Isaías). Peçamos a sua intercessão
para aprendermos a conhecer e amar as Escrituras Sagradas.
Neste Domingo, a liturgia da Palavra nos orienta para
uma atitude oposta à de Caim, que ao matar o irmão, retrucou a Deus: “por acaso
sou guarda do meu irmão?” (Gn. 4,9). O desinteresse pela vida do irmão,
por suas quedas ou afastamento de Deus, não é respeito, é escárnio, desprezo.
Cada irmão nosso vale o caro preço do Sangue de Cristo.
Já na primeira Aliança, Deus exortava o profeta
Ezequiel a cuidar da casa de Israel, orientando e corrigindo o ímpio, isto é, o
pecador injusto: “Se eu disser ao ímpio que ele vai morrer, e tu não lhe
falares, advertindo-o a respeito de sua conduta, o ímpio vai morrer por própria
culpa, mas eu te pedirei contas da sua morte” (Ez 33, 7-9). A correção
omitida acarreta responsabilidade pela vida do ímpio, mas a correção realizada
traz a salvação àquele que corrige.
Ao convidar-nos a não fechar os corações, o Espírito
Santo nos chama pela pena do Salmista a ouvir “hoje a voz do Senhor” (Sl.
94). Por meio do Apóstolo dos gentios, a Sua voz nos diz para não ficar
“devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está
cumprindo toda a Lei” (Rm 13,8).
Quando por meio de obras de misericórdia espirituais
oferecemos nosso amor aos que padecem no erro, é a Cristo que adoramos: “O que
fizestes a um destes pequeninos, a mim o fizestes”. Por isso, no Evangelho (Mt
18,15-20), Jesus nos ensina o modo de fazer a correção fraterna e as etapas
a cumprir ao corrigir os que erram. Vale a pena meditar durante esta semana
sobre as palavras de Jesus, pedindo-lhe as luzes e a força para colocá-las em
prática. A capacidade de fazer correção fraterna é um índice de maturidade
cristã e, como nos ensina o Papa Francisco, um remédio eficaz contra a
maledicência.
Nossa Senhora nos ajude a ser atentos à voz do
Espirito Santo que fala nas Escrituras.
Fonte: Palavra do Pastor - Arquidiocese de Brasília-DF.



















