quarta-feira, 18 de julho de 2018

Comunidade Católica Shalom comemora 36º aniversário de fundação




Em Maceió, as comemorações aconteceram na Paróquia Santa Rita e também no Centro de Evangelização, localizados no bairro do Farol.


A
 Comunidade Católica Shalom chegou aos seus 36 anos de existência no dia 09 de julho. Para a ocasião foram organizados diferentes eventos que ocorreram ao longo desta semana.

O primeiro deles foi a Santa Missa, em Ação de Graças, na Igreja de Santa Rita, presidida pelo Frei Ademir, celebrada no próprio 09 (segunda-feira). A celebração contou com a presença dos membros da Comunidade, da Obra Shalom (grupos de oração), amigos e familiares. A Santa Missa foi animada por cânticos da própria Comunidade e teve em seu início a entrada dos Escritos (compilação de escritos diversos do fundador, Moysés Azevedo) e dos Estatutos da Comunidade Católica Shalom (onde se encontram as regras e os fundamentos do Carisma Shalom), além dos sinais de consagração da Comunidade de Vida e da Comunidade de Aliança. Em sua homilia, frei Ademir abordou como tema central a necessidade de evangelização nos tempos atuais e a importância do engajamento de cada batizado na construção do Reino de Deus, bem como animou a todos os presentes a buscarem sempre renovar o fervor na doação ao Senhor e aos irmãos.

O segundo evento comemorativo foi uma assembleia comunitária, realizada no dia 10/07 (terça-feira) na qual foi reproduzida uma breve pregação de Moysés Azevedo destinada a toda a Comunidade, falando sobre o significado histórico e espiritual destes 36 anos completados e sobre os direcionamentos para os próximos passos a serem dados pelo Shalom, discernidos através do Conselho Geral em seu Retiro de Escuta. Em seguida houve uma celebração oracional finalizada com adoração ao Santíssimo Sacramento, momento de muitas graças e bênçãos para todos os presentes.

As comemorações foram encerradas com o Shalom White, festa temática animada pelo DJ Mano, tocando os melhores remixes de músicas católicas, e por membros da Comunidade que relembraram as músicas que marcaram a história do Shalom. Com direito a bolo de aniversário e muita animação, membros, familiares e amigos da Comunidade puderam partilhar da alegria desta estimável data que, para além de ser uma simples festa, foi a recordação dos grandes feitos de Deus na vida de inúmeras pessoas através deste Carisma de Paz.

UM POUCO DE HISTÓRIA
Surgida em Fortaleza (CE) em 1982, a Comunidade Católica Shalom nasceu como um desejo do coração de seu fundador, Moysés Louro de Azevedo Filho, de evangelizar a humanidade, em especial, os jovens. Juntamente com outros jovens universitários, Moysés teve a iniciativa de inaugurar a primeira livraria e lanchonete voltada para evangelização e a ela deu o nome de Shalom. Apesar de ser esta a primeira expressão concreta do Carisma Shalom, não foi, contudo, o ponto inicial.

O grande marco do desabrochar deste Carisma ocorreu dois anos antes (09 de julho de 1980) quando Moysés foi convidado por Sua Eminência Cardeal Aloísio Lorscheider, O.F.M., então arcebispo de Fortaleza, a dar um presente à sua escolha à São João Paulo II, na época Papa. O presente deveria ser entregue durante o ofertório da Missa inaugural celebrada pelo santo Padre por ocasião do X Congresso Eucarístico Nacional. A escolha do fundador para o presente foi sua própria vida, ofertada pela evangelização, e aos pés de São João Paulo II florescia o Carisma Shalom.

Desde aquela época esta obra, que era inicialmente voltada para os jovens, foi se expandindo até alcançar os mais diversos segmentos da sociedade (famílias, idosos, crianças) através de múltiplas formas de evangelização (Seminários de Vida no Espírito Santo, acampamentos de jovens, promoção humana, catequese, etc.). Atualmente a Comunidade está presente em mais de 20 países e é reconhecida como Associação Privada Internacional de Fiéis, com personalidade jurídica, reconhecida pela Santa Sé com o decreto do dia 22 de fevereiro de 2012, junto ao então Pontifício Conselho para os Leigos (cujas competências e funções são atualmente assumidas pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida).

Em Maceió desde 2005, a Comunidade inaugurou seu novo centro de evangelização no bairro do Farol, na Rua Dr. Floriano Ivo, nº 72, por trás da Casa da Indústria Napoleão Barbosa. Tendo iniciado suas atividades no mês de abril, conta com grupos de oração para jovens, crianças, adultos e casais, além de missas aos domingos e missionários disponíveis para oração e aconselhamento. Inicialmente houve centros de evangelização nos bairros de Jatiúca e Mangabeiras, sucessivamente.

Com informações da Arquidiocese de Maceió.

Bom dia... 18/07/2018


domingo, 15 de julho de 2018

Todos somos chamados por Deus e enviados em missão – 15º Domingo do Tempo Comum – Ano B


Pe. Leomar Antônio Montagna
Maringá – PR

N
a Liturgia deste 15º DOMINGO DO TEMPO COMUM, veremos na leitura do livro do profeta Amós (7,12-15) que no ano de 760, antes de Cristo, Jeroboão era o Rei de Israel, com sede em Betel, onde estava situado o santuário. A corte governava para uma pequena parcela de privilegiados e entre eles estavam os sacerdotes do templo. Neste sentido, a religião era um suporte ideológico para encobrir as injustiças e práticas perversas, pois mantinha uma realidade de abismo entre ricos e pobres por meio de uma sustentação teológica. É neste contexto que Deus manda o profeta Amós, especialmente neste momento difícil, pois a fé e a moral estão degeneradas e os valores estão diluídos. Um profeta sempre é escolhido por Deus, ensina com palavras, mas mais ainda com seu testemunho de vida. O profeta não visa seu próprio interesse, não teme desafiar a ordem estabelecida, defende a justiça e discerne quando o poder é ou não legítimo. Para ele a religião tem que ser comunhão com Deus e não suporta a falsidade do culto, por isso ele é sempre uma voz incômoda. Amós é expulso pela corte e pelos funcionários do templo: “Vai-te daqui... porque aqui é o santuário do rei”Em nome de Deus, o profeta segue sua missão com ousadia e coragem, assim como fez Jesus: “Passando pelo meio deles, continuou o seu caminho” (Lc 4,30).

No Evangelho de Marcos (6, 7-13) é Jesus quem envia os seus apóstolos para evangelizar: “Então, Jesus chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois”. O que vai garantir o sucesso da missão não será a abundância de poder econômico, nem na força mediática, mega shows, aparência estética, muitas rendas, fumaça, espetáculos etc. Não podemos achar que a força da evangelização está na ‘teologia do pano, na liturgia da fumaça e na pastoral do espetáculo’. Alguém já dizia: “Quanto mais pobre o circo, mais enfeita-se o palhaço”. O próprio modo de viver, na simplicidade, já é suficiente para dar testemunho de Jesus Cristo: “Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho”Um mundo melhor possível, sempre será fruto do próprio Deus que toca na interioridade humana. Não adiantaria termos uma inteligência excelente, uma perfeita organização pastoral, empenharmos todos nossos esforços e recursos possíveis se não contássemos com a ajuda e a graça de Deus: “Se Deus não construir a nossa casa em vão trabalham os operários” (Sl 126). A bíblia nos dá essa conscientização e no Documento de Aparecida (246ss) quando se fala de formação dos discípulos missionários a Sagrada Escritura ocupa um lugar de destaque na construção de um mundo melhor possível a favor do ser humano, como já dizia o Papa Paulo VI: “O homem poderá construir um mundo sem Deus, mas sem Deus construirá contra o próprio homem” (Populorum Progressio, 42). Um mundo melhor possível será sempre obra do próprio Deus que age na vida de seus filhos e filhas.

Hoje, também, Jesus nos envia em missão, dois a dois, para viver melhor a caridade, sentir os desafios de viver em comunidade, não somos nós que escolhemos a direção (sandálias), a missão não deve ser um peso, mas um gosto, um prazer: “Eis que venho, com prazer faço a vossa vontade!” Por isso não podemos abandoná-la por qualquer motivo, mesmo quando rejeitados: “Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele”Dos destinatários da missão se requer a acolhida ao missionário como enviado de Deus e a docilidade à Palavra divina por ele proclamada, caso contrário fecha-se para si mesmo o caminho da salvação.

Por fim é preciso estar atentos para não interpretar mal a frase de Jesus sobre ir sacudindo também o pó dos pés quando não são recebidos. Este, na intenção de Cristo, devia ser um testemunho para eles, não contra eles. Devia servir para fazê-los entender que os missionários não haviam ido por interesse, para tirar-lhes dinheiro ou outras coisas; que, mais ainda, não queriam levar nem sequer seu pó. Haviam ido por sua salvação e, rejeitando-a, eles privavam a si mesmos do maior bem do mundo.

Para concluir esta reflexão, coloco algumas características da missão de Jesus e de seus discípulos: “Eles partiram... pregavam a conversão, expulsavam demônios e curavam doentes”.

1º) Mudança radical – conversão;
2º) Desalienar as pessoas – libertar dos demônios;
3º) Restaurar a vida – curar as pessoas;
4º) Estar consciente que a missão vai provocar choque com os que não querem transformação da realidade.

Boa reflexão e que possamos produzir muitos frutos para o Reino de Deus.

Bom dia... 15/07/2018


quarta-feira, 11 de julho de 2018

São Bento




D
eus o chamou para ser o "grande patriarca do monaquismo ocidental". A ordem por ele fundada fez nascer das ruínas do Império Romano a cultura e a civilização europeias.

Vejamos neste 11 de julho o que nos traz a "Revista Arautos do Evangelho" sobre o Grande São Bento no dia a ele dedicado pela Igreja.

O orgulhoso e outrora invicto Império Romano dissolvia-se devastado pelas hordas avassaladoras dos invasores bárbaros. Tudo cedia diante deles: exércitos, muralhas, instituições e costumes eram varridos pela maré montante dos novos dominadores.

"O navio afunda!" - Exclamava São Jerônimo, que escreveu com tristeza ao receber a notícia da queda de Roma: "A minha voz se extingue; os soluços embargam-me as palavras. Está tomada a ilustre Capital do Império!" A civilização parecia se desfazer num dramático ocaso sem esperança.

Entretanto, uma estrela luzia nessa escuridão desconcertante, indicando o verdadeiro rumo dos acontecimentos: na cidade de Hipona cercada pelos vândalos, Santo Agostinho escrevia "A Cidade de Deus", proclamando que o mundo nascido do paganismo soçobrava irremediavelmente, e a Cidade de Deus - a Santa Igreja Católica - não apenas jamais seria destruída, mas sempre triunfaria sobre qualquer adversidade. Que meios, porém, e que homens utilizaria Deus para desse caos fazer emergir a ordem e o esplendor?

VOCAÇÃO DO VARÃO PROVIDENCIAL
Nos tempos evangélicos, o Divino Mestre chamara obscuros pescadores para serem as colunas de sua Igreja. Agora o Espírito Santo escolhia um jovem para renovar essa sociedade convulsionada e instaurar uma nova civilização. No entanto - oh, paradoxo! - esse rapaz, cujo nome era Bento, nascido de nobre família da Núrsia, em 480, sentiu em si o apelo do Senhor para O seguir no silêncio e na solidão.

Seus pais o enviaram a Roma para estudar. Mas logo percebeu ele que, para corresponder ao sobrenatural desejo que ardia em seu coração, não podia permanecer naquele mare magnum, misto de barbárie e cultura romana decadente. Assim, na flor da juventude e sem nunca ter manchado sua inocência batismal, abandonou casa, haveres e estudos, e partiu à procura dum lugar ermo onde pudesse adquirir o conhecimento e o amor de Deus.

"DESEJAVA MAIS OS DESPREZOS QUE OS LOUVORES DO MUNDO"
A cidade de Enfide (atual Affile), a cerca de 50 quilômetros de Roma, foi o local escolhido para o seu recolhimento. Ali se instalou com sua antiga governanta, que lhe prestava os serviços domésticos.

Um pequeno incidente caseiro foi ocasião para o seu primeiro milagre. Encontrou certo dia a governanta chorando porque, por descuido, deixara quebrar um crivo de argila que havia pedido emprestado a uma vizinha para limpar trigo. Compadecendo-se dela, Bento tomou os pedaços do crivo, pôs-se em oração e ele se reconstituiu de forma tão perfeita que nem se notava sinal algum de fratura.

Logo se espalhou a notícia desse milagre, trazendo-lhe muita fama. Ele que, segundo relata o Papa São Gregório Magno, "desejava mais os desprezos que os louvores deste mundo", fugiu da casa de Enfide, indo procurar refúgio num lugar solitário chamado Subiaco, onde se alojou numa minúscula gruta.

UMA GRANDE TENTAÇÃO, UMA VITÓRIA DEFINITIVA
A caminho de Subiaco, ele encontrou- se com Romano, monge que vivia num mosteiro próximo dali. Em determinados dias, Romano fazia descer por uma corda um pedaço de pão até a gruta de Bento. Durante certo tempo, foi esta a única fonte de alimentação do jovem ermitão. Em breve, porém, tornou-se ele conhecido na região, e muitas pessoas, vindo procurar nutrimento para suas almas, traziam-lhe alimento para seu corpo.
Nesse período, sofreu o jovem as mais duras tentações diabólicas. Fortemente provado em certa ocasião contra a virtude da pureza, viu-se a ponto de ceder e até mesmo abandonar sua solidão.

Ajudado, porém, pela graça divina, reagindo, despojou-se de sua vestimenta e se atirou numa moita de espinhos e urtigas, na qual se revolveu durante longo tempo. Saiu com o corpo todo ferido, mas com a alma livre da tentação.

TENTATIVA DE ENVENENAMENTO
Nos três anos em que passou nesse lugar em completo isolamento, espalhou- se a fama de sua santidade. Tendo falecido o abade de um mosteiro existente por perto, os monges vieram pedir-lhe para assumir esse cargo. De início, Bento recusou, porém, ante a grande insistência dos religiosos, acabou por aceitar. Em pouco tempo, contudo, esses tíbios monges - arrependidos de terem escolhido por superior um homem que lhes exigia o caminho da perfeição - decidiram matá-lo, pondo veneno no seu vinho. O Santo traçou um grande sinal-da-cruz sobre a jarra de cristal que lhe foi apresentada e esta se despedaçou. Compreendendo bem o que isso significava, Bento abandonou no mesmo dia o mosteiro de monges relaxados e regressou à estimada solidão de sua gruta.

NASCE A ORDEM BENEDITINA
Atraídos pelo brilho de suas virtudes e a fama de seus milagres, muitos varões sedentos de sobrenatural foram para junto da gruta para viverem sob sua direção. Formaram-se, assim, sucessivas comunidades. Ao todo, São Bento erigiu ali doze mosteiros, escolhendo um abade para cada casa. Estava fundada a Ordem Beneditina.

Nessa época, Subiaco começou a ser visitada por pessoas importantes de Roma que traziam os filhos para serem educados segundo o espírito beneditino. Dentre estes, o Santo abade recrutou dois de seus melhores discípulos: São Mauro e São Plácido.

GRANDE TAUMATURGO
Deus concedeu com largueza a seu servo o dom dos milagres. O abastecimento de água de três dos mosteiros construídos sobrealta montanha acarretava grandes trabalhos aos monges. Estes foram pedir- lhe para se mudarem. Nessa noite, Bento rezou nesse local durante bom tempo e, antes de descer, marcou um ponto com três pedras. No dia seguinte disse àqueles monges:

- Ide e cavai no rochedo onde encontrardes três pedras superpostas. Feito isso, de lá brotou água que jorra em abundância até hoje.

Bento havia aceitado como monge um homem godo "pobre de espírito". Certo dia, deu-lhe por missão desbastar o mato à beira do lago para ali plantar uma horta. O homem cortava com vigor o matagal quando a foice desprendeu-se do cabo e caiu no lago, num lugar profundo. Aflito, foi ele confessar a São Mauro sua "falta". Bento, posto a par do sucedido, foi ao local e enfiou na água a ponta do cabo.

Nesse momento a foice subiu do fundo do lago e prendeu-se de novo no cabo. - Toma, trabalha e não te aflijas mais - disse o santo Abade ao monge. Muitos outros milagres operou Deus por intermédio de seu fiel servidor. Ele curou doentes, salvou pessoas de perigos, expulsou demônios, fez um monge andar sobre as águas, e até ressuscitou um menino morto.

"EU ESTAVA PRESENTE..."
Outro dom singular que aprouve ao Senhor conceder-lhe é o de estar presente em espírito junto a seus filhos espirituais, onde fosse necessária sua vigilância de Pai e Fundador. Dois episódios ilustram bem esse prodigioso privilégio.

Prescrevia a regra que os monges nada comessem nem bebessem quando saíssem do mosteiro para cumprir alguma incumbência.
Um dia dois monges, tendo ficado fora até muito tarde, aceitaram hospitalidade de uma piedosa mulher que lhes serviu alimento e bebida. Voltando ao mosteiro, foram pedir a bênção a São Bento, que os interpelou:

- Onde comestes?
- Em nenhum lugar - responderam eles.
- Por que mentis? Acaso não entrastes na casa de tal mulher e ali comestes tal e tal coisa, e bebestes tantas vezes?

Os dois culpados prostraram-se a seus pés e lhe pediram perdão.

Havia perto de Subiaco uma comunidade de virtuosas mulheres consagradas ao serviço do Senhor, às quais o Santo enviava com frequência um monge para lhes dar assistência espiritual. Certo dia, o monge encarregado dessa missão aceitou de presente delas alguns lenços e os escondeu sob o hábito, em seu peito. Regressando ao convento, foi severamente repreendido por São Bento e ficou estupefato pois, tendo já se esquecido da falta cometida, não atinava com o motivo da repreensão.

Então o santo Abade lhe disse: "Acaso não estava eu presente quando recebeste das servas de Deus os lenços e os guardaste em teu peito?"

ALVO DE PERSEGUIÇÕES
Em todos os tempos e lugares, é próprio dos Santos serem alvo da incompreensão e do ódio dos asseclas do demônio. O sacerdote de uma igreja próxima de Subiaco, tomado de inveja, começou a denegrir o gênero de vida de Bento, procurando afastar de sua santa influência todos que podia.

Vendo frustrados seus esforços, enviou de presente a Bento um pão envenenado, com o fito de matá-lo. Fracassado também este intento, chegou ao cúmulo de introduzir no jardim do mosteiro sete mulheres de má vida, com esperança de corromper os jovens monges.

Compreendendo que tudo isso era feito com intuito de persegui-lo pessoalmente, Bento nomeou prepostos seus em cada um dos doze mosteiros que havia fundado, e retirou-se de Subiaco.

MONTE CASSINO, O CAMINHO PARA A RESTAURAÇÃO
Dirigiu-se então a Cassino, uma cidadezinha fortificada a meio caminho entre Roma e Nápoles. Havia lá um templo pagão no qual camponeses da região rendiam culto a Apolo. Ao redor do templo, mantinham eles cuidadosamente alguns bosques nos quais ofereciam sacrifícios ao demônio. Ali chegando, o homem de Deus destruiu o ídolo, abateu os bosques e transformou o edifício em igreja erguendo nela um oratório a São João Batista e outro a São Martinho de Tours.

Em seguida, deu início à construção do famoso mosteiro de Monte Cassino, o qual teve por único arquiteto o santo Abade e como construtores os próprios monges.

O mosteiro de Monte Cassino foi a resposta de Deus à decadência do mundo de sua época. Exemplo de governo patriarcal e de sociedade verdadeiramente cristã, em meio às nações bárbaras, exerceu enorme influência sobre os costumes privados e públicos, tanto na ordem espiritual quanto na temporal. Bispos, abades, príncipes e homens de todas as classes visitavam o Santo, seja para lhe pedir um conselho, seja pela amizade e estima que tinham por ele. Potentados da época, às vezes depois de conquistas e vitórias, iam com frequência refugiar-se secretamente em Monte Cassino para se embeberem um pouco do espírito beneditino.

Descobriu-se, assim, após o desmoronamento do Império Romano, o caminho para a renovação.

A REGRA DOS MONGES
Enquanto erguia o edifício do novo mosteiro, São Bento erigia interiormente a Obra beneditina sobre uma base mais firme que a rocha, escrevendo sua inspirada e famosíssima Regra dos Monges. Tem ela por objetivo desprender o coração humano das trivialidades, facilitando à alma elevar-se a Deus sem obstáculos, com um proceder sempre sereno, tendo em vista a vida eterna.

Com seu conhecido aforismo "Ora et labora" (Reza e trabalha), a Regra tem o mérito de harmonizar no monge a oração e a ação, a ascese e a mística. A Regra escrita por São Bento produziu benéficos frutos em toda a Cristandade. Este sábio conjunto de normas vigorou quase com exclusividade nos mosteiros de Ocidente durante oito séculos.

A SANTIDADE E O ESPÍRITO VALEM MAIS QUE A REGRA
Entretanto, mais que a Regra, foram a santidade e o espírito de seu Fundador que deram à Ordem Beneditina a estabilidade, a força de expansão e a eficácia da sua ação civilizadora. Inspirados pela busca da perfeição na obediência, no esplendor da liturgia, no primor do canto gregoriano e no amor à beleza posta a serviço de Deus, os filhos de São Bento exerceram um papel fundamental na cultura, nos costumes e nas instituições das nações que formaram a Cristandade medieval.

A Ordem de São Bento teve um extraordinário surto de desenvolvimento a partir do século X, com a fundação da Abadia de Cluny.

No seu apogeu, 17 mil mosteiros estavam subordinados a ela. Nações inteiras foram convertidas à Fé cristã pelos discípulos do santo Patriarca. Muitas famosas universidades - Paris, Cambridge, Bolonha, Oviedo, Salamanca, Salzburgo - nasceram como desdobramentos de colégios beneditinos. Inúmeros mártires deram valorosamente a vida pronunciando o nome de seu Fundador.

Plêiades de cardeais, bispos e santos doutores tinham-no por mestre. Mais de 30 papas seguiram sua inspirada Regra. Finalmente, há 1500 anos, incontáveis almas se consagram a Deus sob a égide de sua santa Instituição.

Pode-se, pois, com toda propriedade, comparar ao grão de mostarda da parábola do Divino Mestre a Obra do Pai do Monaquismo Ocidental: "É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos" (Mt 13,32).

MORREU DE PÉ, COMO VALENTE GUERREIRO
O santo Abade anunciou com meses de antecedência a data de sua morte. Seis dias antes, mandou preparar a sepultura. Logo foi atacado por violenta febre. Como a enfermidade se agravava cada vez mais, no dia anunciado fez-se conduzir ao oratório onde, fortalecido pela recepção da Santíssima Eucaristia e apoiado nos braços de seus discípulos, morreu de pé com as mãos levantadas aos Céus e os lábios pronunciando a última oração.

Era o dia 21 de março de 547. Foi enterrado no local onde havia outrora edificado o oratório de São João Batista, em Monte Cassino.

Com informações da GaudiumPress

Bom dia... 11/07/2018


domingo, 8 de julho de 2018

14º Domingo do Tempo Comum - O profeta rejeitado




Dom Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

A
pós as celebrações das solenidades de S. João Batista e dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, nos domingos anteriores, a Igreja retoma a Liturgia da Palavra própria dos Domingos do Tempo Comum. Por isso, continuamos a ler e a meditar o Evangelho segundo Marcos, proposto para os domingos do Tempo Comum deste ano. Estamos hoje meditando o início do capítulo sexto (Mc 6,1-6), contemplando Jesus em “sua terra”, a pequena cidade de Nazaré, na Galileia, onde ele cresceu e onde residia a sua família. Marcos destaca as reações das pessoas diante da pregação de Jesus na sinagoga: “ficaram escandalizados por causa dele”; não admitiam sua sabedoria e seus milagres, por considerá-lo “o carpinteiro” cuja família humilde era conhecida entre eles. Diante disso, temos as duras palavras de Jesus sobre o profeta que “só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares” e que não podia “fazer ali milagre algum” pela “falta de fé deles” (Mc 6, 5s). Entretanto, a rejeição em Nazaré não impede Jesus de continuar a cumprir sua missão de anunciar a Boa-Nova. Ao contrário, o relato proclamado hoje apresenta, no seu início e no seu final, Jesus “ensinando”.

A rejeição sofrida pelos profetas, mencionada por Jesus, encontra-se exemplificada em Ezequiel, cuja vocação é recordada na primeira leitura (Ez 2,2-5). Ele é enviado a “rebeldes que se afastaram” de Deus, que “se revoltaram” contra Deus, a gente de “cabeça dura e coração de pedra”. Contudo, é ressaltada a iniciativa de Deus, que o envia e sustenta na missão profética.

Na segunda leitura, meditamos o testemunho de São Paulo, que além das perseguições sofridas, refere-se à sua própria fragilidade, aos obstáculos de sua condição pessoal, testemunhando que “é na fraqueza que a força se manifesta” (2Cor 12,9). Paulo experimenta a força de Cristo nele agindo em meio a “fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias sofridas por amor a Cristo” (2Cor 12,10). Por isso, jamais desanima diante dos desafios enfrentados, mas prossegue confiante na graça de Deus, que faz crescer aquilo que ele e outros apóstolos plantaram e regaram.

Hoje, em muitas situações, Jesus Cristo continua a ser rejeitado, assim como aqueles que ele envia em missão. Ninguém deve se deixar abater perante as incompreensões e críticas ofensivas que sofrer por causa da fé em Cristo e de sua participação na Igreja. Cada cristão é chamado a permanecer fiel e a dar testemunho corajoso de sua fé, perseverando na Igreja e sendo “sal da terra” e “luz do mundo”, conforme nos recorda o Ano Nacional do Laicato.

Bom dia... 08/07/2018