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bolso pesa muito no momento de decidir que veículo comprar. Mas considere também a possibilidade de satisfazer antigos sonhos, não necessariamente caros, como o de ser o dono daquele "fora-de-linha conservado e econômico".
NOVO OU USADO?
O
aspecto emocional pesa na compra do carro. Você tem de gostar de como ele é. Mas
não convém exagerar na diferença. Com peças de reposição muito raras e caras,
devem-se evitar os importados antigos - se você não é colecionador, assim como
os modelos modificados - carroceria diferente, suspensão levantada etc. Eles
atraem os olhares na rua, mas as alterações dão despesa, e, na hora de passar
adiante os veículos modificados, poucos querem comprá-los.
CONFORTO DO ZERO
O
zero-quilômetro, além do conforto inerente ao fato de ser novo, tem vantagens evidentes:
a parte mecânica é mais confiável, os custos de manutenção são mais baixos, o
carro tem garantia de fábrica - em geral de um ano ou determinada quilometragem
-, a mão-de-obra e certas peças são gratuitas nas primeiras revisões. Por outro
lado, ele custa mais, a não ser para algumas pessoas que têm isenção de
impostos, como os deficientes.
Com
o passar do tempo e de milhares de buracos, aparecem os primeiros sintomas de perda
da juventude: ruídos, folga na direção, embreagem gasta etc. Outro argumento
favorável ao zero-quilômetro é o de que a troca frequente de veículo seria mais
econômica do que permanecer com ele por alguns anos, já que a desvalorização é
muito grande.
No
entanto, há quem defenda a tese contrária: perde-se dinheiro trocando de carro todo
ano, pois a maior depreciação do carro zero-quilômetro ocorre quando ele é
retirado da concessionária.
SEMINOVOS
Só
o fato de estar registrado em nome do primeiro proprietário, mesmo tendo apenas
50 km rodados, faz do ex-zero-quilômetro um carro usado e, portanto, bem mais barato
que o novo. Para tentar conter a depreciação dos usados e esquentar os negócios,
o mercado criou um neologismo e uma nova faixa de venda: os seminovos.
O
critério que indica se um carro é seminovo é impreciso. Na definição da Associação
dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp), o
seminovo deve ter, no máximo, três anos de uso, um só dono e baixa quilometragem.
E este é também um critério subjetivo: considera-se com "baixa
quilometragem" tanto um veículo que tenha rodado 5.000 km em três anos
quanto um que tenha percorrido 30 mil no mesmo período.
Há
outros fatores que impedem que o veículo seja comercializado como seminovo: má conservação; estrutura afetada por
acidentes; lataria com sinais de ferrugem; defeitos no motor, embreagem, câmbio
e/ou suspensão e mau alinhamento; mudança no motor para torná-lo mais potente; mudança
do tipo de combustível; rebaixamento da carroceria; acessórios que alteram a
forma original do veículo.
DEPRECIAÇÃO
No
Brasil da segunda metade da década de 1980, o automóvel se transformou numa espécie
de aplicação de curto prazo. Hoje, as filas de espera acabaram, produção e
demanda se normalizaram e até os modelos mais procurados são encontrados sem
dificuldade - só ganha dinheiro com a compra e venda de veículos quem negocia
com eles dia a dia. Portanto, a decisão de comprar um veículo para uso pessoal
não pode estar de forma alguma vinculada ao objetivo de ganhar dinheiro ao
vendê-lo: a desvalorização é incontestável.
A
depreciação de um veículo é consequência de diversos aspectos: o fato e não ser
novo; as condições de trânsito e de clima na região onde ele circula; o modo de
dirigir do motorista; o nível das oficinas mecânicas; a falta de assistência
técnica, como ocorre com certos modelos importados; o contexto econômico do
país; e até a existência de um bom transporte público. Quem está acostumado a
"esticar" a marcha além do normal e parar bruscamente, por exemplo,
desgasta muito mais o carro do que o motorista que não exige tanto do motor.
Índices
da perda entre os especialistas não há consenso sobre um índice anual de depreciação
dos veículos. Em geral, o carro sofre maior desvalorização, entre 20% e 30%, no
primeiro ano. Um fator que influencia essa queda abrupta é o lançamento de
modelos novos, com outros atrativos e preços mais altos. A desvalorização se
reduz e praticamente se estabiliza a partir do quarto ano, com um índice anual
inferior a 10%.
Faça
as contas: se você trocar de carro todo ano, terá pagado, em média, 25% a mais anualmente.
No fim de quatro anos, o gasto terá sido de 100%. Se, por outro lado, você
mantiver o veículo esse tempo todo, terá perdido 48%, no exemplo de veículos populares,
e 38%, nos veículos de médio porte.
Os
modelos importados e os de luxo são os que mais se desvalorizam em menos tempo,
pois sua compra está mais ligada ao status que eles proporcionam. Nessa faixa de
preço, os compradores potenciais preferem o zero-quilômetro. Desvalorização semelhante
ocorre com os modelos esportivos. Eles frequentemente fazem pensar em
motoristas displicentes que forçam o motor, deixando o carro "ralado".
A HORA DA TROCA
No
Brasil, um carro roda, em média, 20 mil quilômetros por ano. Em dois anos, já apresenta
cerca de 60% de desgaste dos componentes mais caros, como freio e embreagem.
Embora cada caso seja um caso, considera-se que a hora da troca chega quando as
despesas com a manutenção não mais conseguem segurar a desvalorização do usado.
Acessórios
e opcionais que custam caro num zero-quilômetro não contribuem tanto para valorizar
o usado. Apesar de ter aumentado a procura de complementos, são poucos os
compradores que se dispõem a pagar a mais pelos carros usados para compensar o
que os equipamentos valem.
Em
compensação, o usado tem a vantagem de pagar um Imposto sobre a Propriedade de Veículos
Automotores (IPVA) menor, que se reduz na mesma proporção do preço do veículo.
O custo do seguro do carro usado também diminui, mas em menor escala.
CARROS PARA DEFICIENTES
As
pessoas com deficiências físicas habilitadas a dirigir podem comprar em qualquer
concessionária um automóvel adaptado. A concessionária o encomenda à fábrica ou
recorre a uma firma especializada em adaptações. Qualquer veículo pode ser
modificado e tem isenção de impostos. As adaptações - embreagem, câmbio, pedais
etc. - são feitas de acordo com o laudo médico do órgão de trânsito. Os
deficientes auditivos podem optar pela instalação de sensores no painel que,
por meio de luzes, alertam para sons ou ruídos próximos (sirene, buzina etc).
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