sábado, 21 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA O 1º DOMINGO DA QUARESMA – 22/02/2026

 

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 Primeiro Domingo da Quaresma nos introduz no grande caminho espiritual de quarenta dias que conduz à Páscoa. É um tempo de conversão, de escuta da Palavra e de renovação da aliança com Deus. As leituras deste domingo apresentam o drama da tentação e do pecado, mas também a esperança da salvação que vem por Cristo.

A primeira leitura, do livro do Gênesis, recorda a criação do ser humano e a sua queda. Deus forma o homem do pó da terra e lhe dá o sopro da vida, colocando-o no jardim do Éden, símbolo da comunhão e da harmonia com o Criador. No entanto, a serpente, figura do mal, introduz a desconfiança: “É verdade que Deus vos disse...?”. O pecado nasce quando o ser humano duvida da bondade de Deus e busca ser “como Deus”, decidindo por si mesmo o que é bem e o que é mal. O resultado é a perda da inocência e a ruptura da comunhão. O pecado não é apenas uma desobediência, mas uma rejeição da confiança e do amor.

O Salmo 50 é o grande canto penitencial da Bíblia. Ele expressa o arrependimento sincero de quem reconhece o próprio pecado e suplica a misericórdia divina: “Tende piedade de mim, ó Deus, segundo a vossa bondade”. A Quaresma é o tempo de fazer dessa oração o centro da vida espiritual. Reconhecer o pecado não é motivo de desespero, mas o primeiro passo para experimentar o perdão e a renovação do coração.

Na segunda leitura, São Paulo, na carta aos Romanos, apresenta o contraste entre Adão e Cristo. Por um só homem entrou o pecado no mundo, e com ele a morte; mas por um só homem, Jesus Cristo, veio a graça e a vida. Adão representa a humanidade que se fecha em si mesma; Cristo é o novo Adão, que abre o caminho da obediência e da reconciliação. Onde abundou o pecado, superabundou a graça. A Quaresma é o tempo de deixar que essa graça transforme a existência, libertando-a do egoísmo e do medo.

O Evangelho segundo Mateus narra as tentações de Jesus no deserto. Após o batismo, o Espírito o conduz ao deserto, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites. O tentador se aproxima e propõe três caminhos falsos: transformar pedras em pão, buscar prestígio e poder, e colocar Deus à prova. Em cada tentação, Jesus responde com a Palavra de Deus, mostrando que a verdadeira força está na fidelidade e na confiança no Pai. Ele vence onde Adão caiu. Sua vitória é a vitória da humanidade redimida.

O deserto é o símbolo da Quaresma: lugar de silêncio, de provação e de encontro com Deus. É no deserto que se aprende a discernir o essencial, a vencer as ilusões e a fortalecer a fé. O jejum, a oração e a caridade são os instrumentos que ajudam a trilhar esse caminho. O jejum purifica o coração, a oração renova a comunhão com Deus e a caridade abre o coração ao próximo.

A mensagem central deste domingo é clara: o pecado destrói, mas a graça restaura; a tentação é real, mas a fidelidade é possível. Jesus mostra que a vitória sobre o mal não vem da força humana, mas da adesão à Palavra e da confiança no amor do Pai.

A Quaresma é o tempo de redescobrir o dom da vida nova em Cristo. Conduzidos pelo Espírito, é tempo de enfrentar as tentações com fé, de reconhecer as fragilidades com humildade e de recomeçar com esperança. Que este tempo sagrado renove o coração e prepare para celebrar com alegria a Páscoa da Ressurreição.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


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