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Primeiro Domingo da Quaresma nos introduz no
grande caminho espiritual de quarenta dias que conduz à Páscoa. É um tempo
de conversão, de escuta da Palavra e de renovação da aliança com Deus. As
leituras deste domingo apresentam o drama da tentação e do pecado, mas também a
esperança da salvação que vem por Cristo.
A primeira leitura, do livro do Gênesis, recorda a
criação do ser humano e a sua queda. Deus forma o homem do pó da terra e lhe dá
o sopro da vida, colocando-o no jardim do Éden, símbolo da comunhão e da
harmonia com o Criador. No entanto, a serpente, figura do mal, introduz a
desconfiança: “É verdade que Deus vos disse...?”. O pecado nasce quando o ser
humano duvida da bondade de Deus e busca ser “como Deus”, decidindo por si
mesmo o que é bem e o que é mal. O resultado é a perda da inocência e a ruptura
da comunhão. O pecado não é apenas uma desobediência, mas uma rejeição da
confiança e do amor.
O Salmo 50 é o grande canto penitencial da Bíblia. Ele
expressa o arrependimento sincero de quem reconhece o próprio pecado e suplica
a misericórdia divina: “Tende piedade de mim, ó Deus, segundo a vossa bondade”.
A Quaresma é o tempo de fazer dessa oração o centro da vida espiritual.
Reconhecer o pecado não é motivo de desespero, mas o primeiro passo para
experimentar o perdão e a renovação do coração.
Na segunda leitura, São Paulo, na carta aos Romanos,
apresenta o contraste entre Adão e Cristo. Por um só homem entrou o pecado no
mundo, e com ele a morte; mas por um só homem, Jesus Cristo, veio a graça e a
vida. Adão representa a humanidade que se fecha em si mesma; Cristo é o novo
Adão, que abre o caminho da obediência e da reconciliação. Onde abundou o
pecado, superabundou a graça. A Quaresma é o tempo de deixar que essa graça
transforme a existência, libertando-a do egoísmo e do medo.
O Evangelho segundo Mateus narra as tentações de Jesus
no deserto. Após o batismo, o Espírito o conduz ao deserto, onde jejuou
quarenta dias e quarenta noites. O tentador se aproxima e propõe três caminhos
falsos: transformar pedras em pão, buscar prestígio e poder, e colocar Deus à
prova. Em cada tentação, Jesus responde com a Palavra de Deus, mostrando que a
verdadeira força está na fidelidade e na confiança no Pai. Ele vence onde
Adão caiu. Sua vitória é a vitória da humanidade redimida.
O deserto é o símbolo da Quaresma: lugar de silêncio,
de provação e de encontro com Deus. É no deserto que se aprende a discernir o
essencial, a vencer as ilusões e a fortalecer a fé. O jejum, a oração e a
caridade são os instrumentos que ajudam a trilhar esse caminho. O jejum
purifica o coração, a oração renova a comunhão com Deus e a caridade abre o
coração ao próximo.
A mensagem central deste domingo é clara: o pecado
destrói, mas a graça restaura; a tentação é real, mas a fidelidade é possível.
Jesus mostra que a vitória sobre o mal não vem da força humana, mas da adesão à
Palavra e da confiança no amor do Pai.
A Quaresma é o tempo de redescobrir o dom da vida nova
em Cristo. Conduzidos pelo Espírito, é tempo de enfrentar as tentações com fé,
de reconhecer as fragilidades com humildade e de recomeçar com esperança. Que
este tempo sagrado renove o coração e prepare para celebrar com alegria a
Páscoa da Ressurreição.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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