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que faz um bom pároco em pleno século XXI?
Diante de uma sociedade complexa e de comunidades paroquiais cada vez mais
diversas, o desafio do sacerdote vai muito além da administração de
sacramentos. Para guiar o povo de Deus com fidelidade, o padre é chamado a
viver uma dupla dinâmica essencial: ser profundamente piedoso e rigorosamente
justo.
Essa união de virtudes, embora pareça natural, exige
um equilíbrio diário que desafia a rotina dos presbíteros. A piedade sem
justiça corre o risco de se transformar em um devocionalismo alienado, distante
das dores reais do povo. Por outro lado, a busca por justiça sem uma vida
interior de oração pode reduzir a paróquia a uma mera organização não
governamental (ONG) ou repartição burocrática fria.
A Piedade como Combustível do Altar
A verdadeira piedade sacerdotal não se resume a
fórmulas externas, mas nasce da intimidade com Cristo. Dom Bosco já ensinava
que o sacerdote deve ser "fogo que arde" para conseguir inflamar os
corações dos fiéis.
Na prática de uma paróquia viva, essa piedade se
manifesta em pilares inegociáveis:
- A Primazia da
Oração: O pároco piedoso inicia
o seu dia de joelhos, na fidelidade à Liturgia das Horas e na adoração
silenciosa diante do Sacrário.
- A Humildade
Sacramental: Para ser um bom
confessor, o padre precisa ser, antes de tudo, um bom penitente, buscando
o Sacramento da Reconciliação com frequência regular.
- Zelo Litúrgico: Celebrar a Santa Missa com dignidade e temor de
Deus, permitindo que a beleza do mistério aproxime a comunidade do
sagrado.
A Justiça como Expressão do Amor
Evangélico
Se a piedade olha para o céu, a justiça estende as
mãos para o irmão. No ambiente paroquial, exercer a justiça significa governar
com transparência, equidade e respeito ao Direito Canônico, refletindo a
própria justiça divina que é inseparável da misericórdia.
Para que uma paróquia seja reconhecida como um espaço
de justiça, o pastor deve zelar por:
- Acolhimento
Imparcial: Tratar com a mesma
dignidade o grande benfeitor da igreja e o irmão em situação de rua que
bate à porta da secretaria.
- Transparência
Administrativa: Governar os bens
da Igreja em total comunhão com o Conselho Econômico Paroquial, prestando
contas de forma clara e honesta.
- Valorização dos
Leigos: Respeitar o espaço, o
tempo e os carismas dos fiéis, promovendo uma liderança compartilhada e
corresponsável.
O Ponto de Encontro: O Confessionário e
a Homilia
É no atendimento diário e na pregação que essas duas
virtudes se fundem perfeitamente. Quando um fiel procura o seu pároco, ele
busca a justiça da verdade teológica, mas necessita da piedade acolhedora de um
pai.
O pároco que alcança esse equilíbrio não teme
proclamar as verdades difíceis do Evangelho, mas o faz com tamanha mansidão e
caridade que o pecador se sente atraído à conversão, nunca repelido pelo
julgamento. Ele se torna, como pedia o Papa Francisco, um pastor com "o
cheiro das ovelhas", presente nas periferias existenciais e materiais de
sua comunidade.
Ser um pároco piedoso e justo é um martírio diário de renúncia e entrega. No entanto, é precisamente nessa busca que o sacerdote encontra a sua santificação e arrasta, pelo exemplo, a comunidade inteira rumo ao Reino de Deus.

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