sábado, 24 de outubro de 2026

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA O 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 25/10/2026

 

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este 30º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos conduz ao núcleo essencial da nossa fé e nos faz a pergunta mais crucial de nossas vidas: qual é o centro da nossa experiência cristã? Em um mundo repleto de regras, obrigações, discursos inflamados e complexidades diárias, Jesus hoje simplifica tudo e nos devolve a pureza do essencial.

No Evangelho segundo Mateus, vemos os fariseus tentando mais uma vez colocar Jesus à prova. Diante de um emaranhado de mais de seiscentos preceitos e leis que regulavam a vida religiosa da época, um doutor da Lei pergunta: Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? A intenção era ver se Jesus desvalorizaria alguma norma. Mas a resposta do Senhor ultrapassa a armadilha e estabelece uma ponte inquebrável. Ele une o amor a Deus com o amor ao próximo, revelando que ambos são as duas faces da mesma moeda.

Jesus responde resgatando o Shemá Israel: Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito. Esse é o primeiro mandamento. Mas, imediatamente, Ele acrescenta: O segundo, porém, é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas.

Ao dizer que o segundo é semelhante ao primeiro, Jesus nos ensina que o termômetro do nosso amor a Deus é a forma como tratamos o nosso semelhante. Não existe amor vertical a Deus se ele não se desdobrar na horizontalidade do amor ao irmão. Um culto a Deus que ignora o sofrimento humano se torna vazio e estéril.

E quem é esse próximo que somos chamados a amar? A primeira leitura do livro do Êxodo abre os nossos olhos para a dimensão prática e social desse amor. Deus emite ordens muito claras: Não prejudicarás o estrangeiro, não maltratarás a viúva nem o órfão, e não serás um usurário com o pobre. Naquela época, o estrangeiro, a viúva e o órfão formavam a tríade dos mais vulneráveis, os invisíveis da sociedade, aqueles que não tinham posses, direitos ou quem os defendesse.

Deus se apresenta como o protetor desses marginalizados e adverte severamente: Se eles clamarem por Mim, escutarei o seu clamor, porque sou misericordioso.

A liturgia nos convida a identificar quem são os invisíveis e vulneráveis em nossa realidade atual. São os imigrantes e refugiados, as famílias desestruturadas, os desempregados, os doentes e todos aqueles que a sociedade põe de lado. Amar o próximo significa vê-los, ouvir o seu clamor e agir com compaixão, sem replicar as lógicas de opressão e indiferença do mundo.

Na segunda leitura, São Paulo elogia a comunidade dos tessalonicenses porque eles se converteram dos ídolos para servir ao Deus vivo e verdadeiro, tornando-se um modelo para todos os fiéis. A verdadeira conversão se manifesta quando deixamos para trás os ídolos do egoísmo, do apego material, da soberba e da indiferença para viver a dinâmica do amor concreto que Jesus nos ensinou.

Ao celebrarmos esta Eucaristia, peçamos ao Senhor a graça de desinflar o nosso orgulho e abrir o nosso coração. Que a nossa vida diária seja o reflexo dessa unidade perfeita: amar a Deus sobre todas as coisas e, com a mesma intensidade, amar o próximo como a nós mesmos. Que o amor não seja apenas um sentimento abstrato, mas o motor das nossas decisões e o critério das nossas relações. Amém.

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