sábado, 3 de outubro de 2020

Bom dia... 03/10/2020

 


REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 04/10/2020


 

“ARRENDARÁ A VINHA A OUTROS VINHATEIROS…”

 

Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

Arquidiocese de Brasília – DF 

O

 mês de outubro é tradicionalmente dedicado ao Santo Rosário e às Missões. No Brasil, as Pontifícias Obras Missionárias, em colaboração com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e outros organismos, realiza a Campanha Missionária, que neste ano reflete sobre o tema “A vida é missão”, inspirando-se em Isaías 6,8: “Eis-me aqui, envia-me”. A Igreja de Brasília acolhe a Campanha com o propósito de robustecer o seu ardor missionário e, assim como o Papa Francisco disse aos católicos chineses, nós também suplicamos “uma nova efusão do Espírito Santo, para que em vós possam resplandecer a luz e a beleza do Evangelho, poder de Deus para a salvação de quem acredita”.

A Igreja se reconhece na belíssima imagem da Vinha do Senhor apresentada pelo profeta Isaías (cf. LG 6). Este cântico nupcial mostra o amor e os cuidados do Senhor com a Sua vinha: “O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz?” (Is 5,4), embora num dado momento tenha dela se desencantado. Por isso o começo lírico se converte depois em anúncio de castigos. A casa de Israel deverá reconhecer a sua culpa para voltar a produzir “frutos de justiça e obras de bondade” (5,7). Do contrário, como veremos no Evangelho, o Senhor confiará a vinha a novos vinhateiros: o novo Israel. As vicissitudes históricas do povo da primeira Aliança se tornarão ocasião para a abertura universal do anúncio da salvação.

 Na parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-43), Jesus se refere ao rechaço de Israel a seu Deus e à decisão divina de criar para Si um novo povo. Começa com uma evocação implícita da profecia narrada na primeira leitura (Is 5,1-7), dirigindo-se às classes dirigentes de Israel. Deus enviou os profetas, que não recolheram os frutos por Ele desejados, e foram maltratados ou mortos.

Finalmente, Jesus se refere a Si mesmo: o divino Vinhateiro enviou Seu Filho. Os profetas eram servos, Jesus é o Filho. Mateus, que escreve para judeus, é o único a dizer que Deus entregará a vinha a um outro povo, aludindo assim à Igreja, novo povo de Deus, que sofre perseguição como o seu Senhor.

 O Apóstolo Paulo, já preso por causa do Evangelho, dirige-se aos filipenses, também imersos em adversidades. Ele exorta-os a depositar a confiança no Senhor através da oração: “Irmãos, não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças” (Fl 4,6). Se o Senhor, o Esposo, a verdadeira Videira, do qual os filipenses são novos sarmentos, é perseguido, também os ramos o serão. Portanto, é preciso confiar no Senhor, “ocupando-nos de tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro…”, e o Deus da paz estará com a Sua Vinha, com o Seu povo.

 Com o Rosário, a oração dos simples, suplicamos neste mês a graça de sermos sempre uma Igreja Missionária.

sábado, 26 de setembro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – 27/09/2020

  


Pe. Fábio Evaristo R. Silva, C.Ss.R.

Folheto litúrgico Deus Conosco - Ed. Santuário

 

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eus nos convida, nos chama, convoca. É preciso unir a Palavra com nossos gestos e atitudes. Deus quer contar conosco para construirmos uma sociedade renovada pela justiça, pela fraternidade e pela paz. Diante desse projeto de vida, podemos assumir duas atitudes: dizer "sim" ou "não" à vontade de Deus. E ao celebrarmos o Dia Nacional da Bíblia, que a Palavra libertadora do Senhor alcance nosso coração. 

Na Liturgia da Palavra, Deus nos fala que devemos ter os mesmos sentimentos e atitudes de Cristo para segui-lo fielmente. Ele dispensou sua realeza para viver a simplicidade da vida.

Em diversas ocasiões nos evangelhos encontramos Jesus falando sobre a importância de uma vida coerente, isto é, uma vida onde as palavras e as ações não se contradizem, mas estão profundamente interligadas. Jesus aponta com frequência para o que deve caracterizar seus discípulos: saber colocar em prática a vontade do Pai, demonstrando por suas obras o quanto amam a Deus.

É assim que compreendemos suas palavras: "Nem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mt 7,21). Tal como no tempo de Jesus, hoje também é possível encontrar alguém que, com sua capacidade de orar e comunicar-se, com seus conhecimentos sobre Bíblia ou religião, arranque lágrimas das outras pessoas. Por vezes, não passam de palavras vazias, infecundas.

Na parábola dos dois filhos que mudaram de atitude vemos um típico exemplo de que as palavras, assim como as ideologias, podem muitas vezes nos enganar. Só conhecemos verdadeiramente o coração do ser humano por suas obras: "Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros" (Jo 13,35).

O "sim" que os discípulos de Jesus são chamados a dizer deve ser respondido com consciência e maturidade, para que seja verdadeiro "sim", e não fruto de um mero momento de euforia. Nossa tarefa de cada dia consiste em renovar o nosso "sim", fazendo-o todas as vezes com mais profundidade, reafirmando-o sobretudo com nossas práticas.

Ao dizer que os cobradores de impostos e as prostitutas serão os primeiros a alcançar o Reino de Deus, Jesus aponta para a fragilidade daqueles que se acham perfeitos e melhores que os outros. Mostra-nos também que devemos nos colocar em permanente atitude de conversão, pois sempre estamos sujeitos a cair. Os que se acham "santos" são muito facilmente propensos ao erro, pois acabam perdendo-se na sua soberba e se fecham à graça divina.

Ao contrário, os pecadores são mais abertos para acolher a graça, pois têm consciência de sua precariedade e confiam apenas na misericórdia de Deus. Precisamos responder ao chamado de Deus nos atos cotidianos, nas relações interpessoais, nas próprias escolhas. Fazendo assim, caminha-se na justiça e no testemunho fidedigno do Reino de Deus.

Bom dia... 26/09/2020

 


sábado, 19 de setembro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 20/09/2020


Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

Arquidiocese de Brasília – DF

 

A

Palavra é a verdade que surpreende e ensina que os nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus. Faz ver que não é segundo os critérios humanos que o bom Deus recompensa os operários do Reino.

A primeira leitura salienta o convite de Isaías a buscar “o Senhor enquanto pode ser achado … enquanto está perto” (Is. 55,6). Na sequência, ele fala do nosso Deus generoso no perdão, ao contrário dos que nesses tempos carregamos uma espécie de sanha punitivista contra quem é ou consideramos ímpio, corrupto, injusto. Deus está sempre disposto a resgatar mediante o perdão a ser dado vezes sem conta, como se dizia no Evangelho da semana passada. Basta que o pecador o invoque, “pois Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente” (Sl. 144,18).

A comunidade de Filipos, à qual Paulo falou do paradoxo da “kenosis” ou da aniquilação de Cristo como caminho da salvação do gênero humano, recebe dele o testemunho de entrega e de amor ao Senhor Jesus: “Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte” (Flp. 1,20). No versículo seguinte, ele completa dizendo que Jesus é o sentido de sua vida e de sua morte: “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Trata-se do encontro com o Senhor. “É um sentido novo da vida, da existência humana, que consiste na comunhão com Jesus Cristo vivo; não só com uma personagem histórica, um mestre de sabedoria, um líder religioso, mas com um homem no qual Deus habita pessoalmente. A sua morte e Ressurreição é a Boa Nova que, partindo de Jerusalém, se destina a alcançar todos os homens e povos, a partir de dentro das culturas, abrindo-se à verdade fundamental: Deus é Amor, fez-se homem em Jesus e com o seu Sacrifício resgatou a humanidade da escravidão do mal dando-lhe uma esperança certa” (Bento XVI, Ângelus 18/09/2011).

A parábola que Jesus conta (Mt. 20,1-16) sobre o vinhateiro que, em diversas horas do dia, chama trabalhadores para a sua vinha e, ao cair da tarde, dá a todos o mesmo salário, torna-se causa do protesto dos trabalhadores da primeira hora. Parecia-lhes injusto ter recebido a mesma moeda dada também como paga àqueles que só começaram a trabalhar ao entardecer: faltou – diríamos hoje – isonomia. Mas a moeda dada a cada um representa a vida eterna. Deus não pode dar menos do que a vida eterna aos “primeiros” ou aos “últimos”. Além disso, o Senhor não tolera “desemprego” na Sua vinha. Na verdade, a primeira recompensa do operário da Vinha do Senhor consiste precisamente na honra de ser chamado à missão do próprio Vinhateiro divino. Só quem trabalha por amor ao Senhor e ao Seu Reino entende isso. Quem trabalha por um prêmio de qualquer outra natureza, nunca compreenderá que a vocação é “Dom e Mistério” (São João Paulo II).

Maria, a Virgem que sabe ouvir a Palavra, nos ajude a responder “sim” ao chamamento do Senhor para trabalhar na Sua Vinha.

Bom dia... 19/09/2020