terça-feira, 20 de janeiro de 2015

CARNAVAL, FESTA E RELIGIÃO

Maria Clara Lucchetti Bingemer
Maria Clara Lucchetti Bingemer

É
 parte constitutiva da identidade do ser humano o elemento da festa.  A festa interrompe o tempo cotidiano e introduz a diferença do ritual e da celebração, a fim de marcar uma ocasião especial em que é preciso deixar a rotina e voltar os olhos para o extraordinário que irrompe no tempo cronológico.

Todas as festas são eventos pelos quais se entra em “outra” ordem de coisas, onde a fantasia, a imaginação e o desejo tomam lugar.  Festejar, portanto, é reafirmar nossa condição de ser humano, é sublinhar o fato de que não somos guiados apenas pelos instintos e pelo kronos que implacavelmente passa.  Festejar é demonstrar que temos algum senhorio sobre o tempo, transfigurando-o com o rito da comemoração e da celebração.

Em tempo de preparação e espera do carnaval, as reflexões acima se aplicariam a essa festa. Somos instigados a refletir sobre o sentido e o objetivo da música e da dança, dos espetáculos cheios de luzes e cofres, dos corpos desnudados e fantasiados em desfile, do samba na rua, de tudo isso que compõe os três dias que o povo espera com sofreguidão. Torna-se isto ainda mais importante no Brasil país onde o carnaval ocupa lugar central no imaginário do povo. Chamado com justeza país do Carnaval, o Brasil parece que entra em câmara lenta no Ano Novo para só recuperar seu ritmo e dinamismo depois dos festejos momescos.

Efetivamente, a maioria daqueles e daquelas que “brincam”o Carnaval conhecem pouco ou nada do seu sentido mais profundo. A primeira dimensão dos folguedos carnavalescos tem a ver com um tempo religioso, cósmico e sagrado, onde a Transcendência mesma é que irrompe e transfigura o kronos.  O antropólogo Roberto da Matta nos chama a atenção em seu conhecido livro “Carnavais, malandros e heróis” para o fato de que o carnaval fica suspenso entre o Advento (tempo ligado ao nascimento de Cristo que é celebrado no Natal) e os 40 dias da Quaresma, esse período de penitência e mortificação que visa a conversão (metanoia), o qual culmina com a  celebração dos mistérios da paixão,  morte e  ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De fato, é como se todo o ritual carnavalesco, tão apaixonadamente preparado e vivido pelo povo e que tantos milhões rende aos bolsos dos donos das festas e desfiles só deixasse brilhar seu verdadeiro sentido quando o silêncio da Quarta feira de cinzas se faz, com seu ritual das cinzas aplicadas em cruz sobre a testa dos penitentes acompanhado das palavras: Convertei-vos e crede no Evangelho. A quarta feira onde tudo se acaba proclama sua morte, que se encontra, agora, assumida pela disciplina da Quaresma que substitui os folguedos e a descontração carnavalesca.

O carnaval, portanto, não tem rosto próprio, já que sua identidade lhe é dada por um outro tempo e uma outra ordem de coisas e de sentido. Figura ele – ainda seguindo a Roberto da Matta - como um momento sem nome ou vez, escondido que está nas dobras de um calendário sagrado. Situado entre o nascimento e a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, a festa que é o reinado de Momo é efêmera como as alegrias e gozos imediatos.  Ela como que assume e resume simbolicamente os momentos crísticos do Natal e da Páscoa, e a numerologia cristã dos três dias de que fala o Novo Testamento. O carnaval em si mesmo, portanto, é um evento relativo.  Com todo o brilho e o ruído que atraem todos os focos de atenção, na verdade está simplesmente resumindo algo de fulgor bem maior e duradouro: os três dias de folia se referem e encontram significação no mistério cristão, já que a festa carnavalesca  nasce, agoniza e morre em três dias.

Sendo um evento sincrônico, repetitivo, prenhe de conteúdos cognitivos e afetivos, o Carnaval tornou-se e passou a ser um tempo social importante, fortemente ligado à experiência vital de uma sociedade, muito especialmente da sociedade brasileira.  .

Em uma leitura informada pela fé, porém, e mesmo aos olhos das Ciências Sociais, o Carnaval só pode ser compreendido no contexto da visão de mundo cristã. Carnaval e Quaresma – no calendário cristão que rege o mundo após a queda do Império Romano - opõem-se no ciclo anual por seus conteúdos sociais e religiosos implicando comportamentos individuais e coletivos opostos. Porém na verdade, encontram seu ponto luminoso e iluminador na mesma pessoa de Jesus Cristo, Sol que nunca se apaga, Vivente por excelência, sobre quem a efemeridade das coisas e a corrupção da morte não têm poder.

*Maria Clara Lucchetti Bingemer é Teóloga e professora do Departamento de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio, é autora de vários livros como 'Um rosto para Deus' (Editora Paulus) e 'O mistério e o mundo – Paixão por Deus em tempo de descrença' (Editora Rocco).


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

BLOCO DO MFC NO JARAGUÁ FOLIA 2015

Frente
O
 BLOCO FAMÍLIA NA FOLIA do Movimento Familiar Cristão de Maceió vai desfilar pela sétima vez consecutiva na melhor prévia carnavalesca do Nordeste e uma das melhores do Brasil, o JARAGUÁ FOLIA que acontece na sexta-feira, dia 6 de Fevereiro de 2015.

As camisas do BLOCO FAMÍLIA NA FOLIA estarão disponíveis a partir do dia 21 de janeiro, para os membros do Movimento Familiar Cristão, seus familiares e amigos com as coordenações de Cidade e dos Grupos de Base ao preço de R$ 15,00 (quinze reais).

Costa
O corredor do JARAGUÁ FOLIA será mais uma vez testemunha do empenho e desenvoltura do folião mefecista, parente ou amigo que desfila no BLOCO FAMÍLIA NA FOLIA. O sucesso do Bloco se deve única e exclusivamente ao clima de espontaneidade e compromisso de cada folião. O Bloco cresce a cada ano e se consolida como a melhor opção para brincar com segurança num bloco carnavalesco formado exclusivamente por membros do MFC, seus familiares e amigos.

A concentração será a partir das 19 horas na Praça Sinimbu e o BLOCO FAMÍLIA NA FOLIA desfilará às 20:00 horas, com muita alegria, ao som da Orquestra de Frevo do Mestre Aldo, da vizinha cidade de Marechal Deodoro, que tocará desde a concentração até o final do desfile, exclusivamente para o BLOCO FAMÍLIA NA FOLIA.

O BLOCO FAMÍLIA NA FOLIA é para todas as idades, participam netos, filhos, pais, avós. Toda família brincando com muita alegria, disposição e frevo no pé, e principalmente com muita segurança.



Adquira sua camisa do BLOCO FAMÍLIA NA FOLIA, não perca tempo, procure um membro da Equipe Cidade ou o Coordenador do seu Grupo de Base e adquira a sua camisa para participar do JARAGUÁ FOLIA 2015, a melhor prévia carnavalesca do Nordeste.

Se preferir, ligue 3235-2600, 9945-0098, 3325-2369 e veja a melhor opção de comprar sua camisa.

Toda a renda obtida com a venda das camisas do Bloco será revertida para o ENCONTRO QUARESMAL DO MFC e demais programas de evangelização do MFC MACEIÓ.


domingo, 18 de janeiro de 2015

LITURGIA DO 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 18/01/2015




 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM



PRIMEIRA LEITURA (1Sm 3,3b-10.19)

Leitura do Primeiro Livro de Samuel:
Naqueles dias, 3bSamuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.

4Então o Senhor chamou: “Samuel, Samuel!” Ele respondeu: “Estou aqui”.

5E correu para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli respondeu: “Eu não te chamei. Volta a dormir!” E ele foi deitar-se.

6O Senhor chamou de novo: “Samuel, Samuel!” E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Ele respondeu: “Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!”

7Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado.

8O Senhor chamou pela terceira vez: “Samuel, Samuel!” Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. 9Então disse a Samuel: “Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: ‘Senhor, fala, que teu servo escuta!’” E Samuel voltou ao seu lugar para dormir.

10O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: “Samuel, Samuel!” E ele respondeu: “Fala, que teu servo escuta”.

19Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

RESPONSÓRIO (Sl 39)

— Eu disse: Eis que venho, Senhor!/ Com prazer faço a vossa vontade.

— Esperando, esperei no Senhor,/ e, inclinando-se, ouviu meu clamor./ Canto novo ele pôs em meus lábios,/ um poema em louvor ao Senhor.

— Sacrifício e oblação não quisestes,/ mas abristes, Senhor, meus ouvidos;/ não pedistes ofertas nem vítimas,/ holocaustos por nossos pecados.

— E então eu vos disse: Eis que venho!/ Sobre mim está escrito no livro: Com prazer faço a vossa vontade,/ guardo em meu coração vossa lei!

— Boas-novas de vossa justiça/ anunciarei numa grande assembleia;/ vós sabeis: não fechei os meus lábios!

SEGUNDA LEITURA (1Cor 6,13c-15a.17-20)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:
Irmãos: 13cO corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo; 14e Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder. 15aPorventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo?

17Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito.

18Fugi da imoralidade. Em geral, qualquer pecado que uma pessoa venha a cometer fica fora do seu corpo. Mas o fornicador peca contra seu próprio corpo. 19Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que mora em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais também que vós não pertenceis a vós mesmos?

20De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

EVANGELHO (Jo 1,35-42)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 35João estava de novo com dois de seus discípulos 36e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus!

37Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus.

38Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: O que estais procurando? Eles disseram: Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?

39Jesus respondeu: Vinde ver. Foram pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde.

40André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram a palavra de João e seguiram Jesus. 41Ele foi encontrar primeiro seu irmão Simão e lhe disse: Encontramos o Messias (que quer dizer: Cristo).

42Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer: Pedra)

Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor!

HOMILIA
Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

No dia seguinte à festa do Batismo do Senhor, celebrada no último domingo, teve início o Tempo Comum, caracterizado pela cor litúrgica verde.  Por isso, celebra-se hoje a liturgia do 2º Domingo deste novo tempo litúrgico. A denominação Tempo Comum não implica em menor importância, mas ao fato de se tomar o conjunto da pregação e das ações de Jesus, ao invés de se deter num aspecto específico do mistério de Cristo, como nos outros tempos litúrgicos.

O Evangelho nos chama a seguir a Cristo, imitando os seus primeiros discípulos. Eles aceitaram o testemunho de João Batista e se dispuseram a seguir a Jesus, ‘o Cordeiro de Deus’, respondendo sim ao convite: ‘Vinde e vede’ (Jo 1,35-42). O discípulo se dispõe a caminhar, a dar passos (vinde), com a visão da fé (vede). O ver do discípulo pressupõe o olhar da fé. Estar com Jesus e permanecer com Ele é a atitude fundamental do discípulo. Contudo, quem tem a graça de seguir a Cristo partilha com os outros o dom do encontro com Jesus e a vida nova que Ele nos traz, como fez André. Ele conta a sua experiência ao seu irmão Simão Pedro, conduzindo-o a Jesus. Um irmão ajuda o outro a seguir a Cristo. Isso nos faz pensar na importância do testemunho cristão, a começar da própria família. Necessitamos hoje de discípulos missionários de Jesus Cristo dispostos a viver o Evangelho nos diversos ambientes e situações da sociedade. Ao seguir a Cristo, o discípulo tem a sua vida transformada, conforme nos mostra o Evangelho, referindo-se a mudança do nome de ‘Simão’ para Pedro, indicando a transformação radical por ele vivida, que o tornou o grande apóstolo capaz de dar a vida por Jesus.

Na segunda leitura (1Cor 6,13-20), S. Paulo destaca a vida nova em Cristo, a ser vivida na pureza, convidando-nos a glorificar a Deus em tudo o que somos e fazemos. ‘Glorificai a Deus em vosso corpo’, afirma o apostolo aos coríntios. A vida toda do discípulo de Cristo, todo o seu agir, deve ser um grande louvor a Deus. Não se louva a Deus apenas com a alma ou somente pela oração. O viver do discípulo no dia a dia deve prolongar a sua oração e testemunhar a fé que celebra.

Na raiz do discipulado está a atitude resumida pelo Salmo 39: ‘Eis que venho, Senhor! Com prazer, faço a vossa vontade’. Esta palavra realizada plenamente por Jesus se atualiza na vida dos seus discípulos, tendo sido vivida também por tantos profetas. Assim como Samuel, possamos dizer, a cada dia: ‘Fala, Senhor, que o teu servo escuta’ (1Sm 3,18). Neste novo ano, possamos cultivar sempre essa atitude de escuta e discipulado!

ORAÇÃO
                             
Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Amém!

HOJE, 275ª MISSA DO MFC NO ALDEBARAN


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

CONSELHO DO MFC MACEIÓ SE REÚNE NESTA QUARTA-FEIRA (14)

N
esta quarta-feira, 14 de janeiro de 2015, a partir das 19h30min, no auditório do MFC (Rua Araújo Bivar, 580, Pajuçara), a EQUIPE CIDADE e o CONSELHO DE CIDADE, formado por coordenadores, tesoureiros, auxiliares de Grupos de Base e do MFC Jovem do MFC MACEIÓ estarão reunidos para mais uma reunião administrativa na atual Gestão, com a finalidade de organizar as ações e atividades mefecistas no âmbito de Maceió, para que possa existir sucesso nas metas planejadas.

Nesta reunião o CONSELHO DE CIDADE definirá as logísticas dos eventos: Família na Folia, Capacitação de Coordenadores e Auxiliares de Grupos de Base, Nucleação de Pessoas, entre outros eventos que estão sendo programados e organizados pela Equipe Cidade de Maceió para 2015, além de tratar a parte administrativa no âmbito de Maceió.

É importante a presença dos coordenadores, tesoureiros, auxiliares de Grupos de Base, membros da Equipe Cidade e coordenadores do MFC Jovem na reunião para que os assuntos sejam discutidos e deliberados.

A coordenação da reunião será do casal Péricles e Ula, Coordenadores de Cidade do Movimento Familiar Cristão de Maceió.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

2014: ANO DE FRANCISCO

Luiz Alberto Gómez de Souza
Luiz Alberto Gómez de Souza*

U
m ano de conflitos: “uma terceira guerra mundial pode ter começado aos poucos, com crimes, massacres e destruições”, nas palavras angustiadas de Francisco. Síria devastada; nascimento de um novo califado islâmico no norte dessa mesma Síria e em boa parte do Iraque, até perto de Bagdá – antiga sede gloriosa do califado abássida (750 - 1258), perseguindo muçulmanos chiitas, mesmo alguns sunitas, alauitas, yázidis, curdos e minorias cristãs, degolando ocidentais sequestrados; Paquistão e Afeganistão ameaçados pelos Talibãs; Boko Haram, na Nigéria, sequestrando meninas e querendo criar outro estado islâmico; Ucrânia, perdendo a Criméia e com suas províncias orientais ameaçando secessão; milhares de refugiados subsaarianos e árabes, desembarcando na Itália e na Espanha em frágeis embarcações, deixando para trás seus mortos que pereceram na viagem. E poderíamos elencar outros conflitos, muitos endêmicos, como no Sudão. Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita e os Estados Unidos jogando para baixo o preço do petróleo em manobras especulativas, criam problemas para outros países produtores, inclusive para o pré-sal no Brasil. Governos europeus enfraquecidos tentam contornar suas crises com medidas duras exigidas pela Merkel; porém, em outra direção, vem à esperança da vitória, na Grécia, do renovador partido Syrisa. Barak Obama está em parte neutralizado por um congresso reacionário e racista. Mas em sentido contrário, temos Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Equador, Nicarágua, El Salvador e Venezuela com políticas sociais populares, para horror de suas elites atrasadas, que controlam mídias ferozes e derrotistas. À frente, três mulheres valentes e um índio aimara.

E no fim do ano, em 17 de dezembro, uma notícia inesperada e feliz, para os que não aceitávamos o embargo a Cuba de tantas décadas. Um diálogo entre Obama e Raul Castro, através da discreta e firme mediação do bispo de Roma, que nesse dia completava 78 anos. Olhando o ano que terminou, estamos descobrindo Francisco como o personagem mais luminoso, num mundo carente de expressivas lideranças. Na sua recente Mensagem de Natal, exigiu paz e diálogo num planeta em crise. E no pronunciamento de 1º de janeiro, insistiu que “a paz é sempre possível”. Há muito tempo não se tinha visto uma personalidade tão forte e ao mesmo tempo com meios materiais tão frágeis. “Quantas divisões tem o Papa?” perguntara irônico o poderoso Stalin. A força de Francisco vem de uma ética e de uma espiritualidade irradiantes e de uma enorme capacidade de escuta e de diálogo.

A história caminha enviesada. Um culto da personalidade envolvia Stalin e Pio XII na metade do século passado. Mas, um pouco adiante chegou, na Igreja Católica, “um homem chamado João”, simples e sorridente, espalhando sinais de uma “inesperada primavera”, como ele mesmo disse ao anunciar o concílio Vaticano II. Entretanto, anos depois, veio o que o teólogo jesuíta João Batista Libânio chamou, “a volta à grande disciplina”, ou um “inverno na Igreja”.                                                                                                                                                                                       
Eis que, em 13 de março de 2013, outro homem, chegando “do fim do mundo” para ser bispo de Roma, teve a valente ousadia de chamar-se Francisco, como o pobre de Assis. E, em sua primeira aparição pública na Praça de São Pedro, inclinando-se, pediu que a multidão  o abençoasse, isto é, invocasse sobre ele a força do Espírito. Antes apelou para a comunidade, depois deu a bênção como bispo recém-eleito. Deu-se uma significativa e eloquente inversão. O povo de Deus precedia o bispo, fazendo real o que era antes apenas uma figura de retórica: este último como “servo dos servos de Deus”. Quando João Paulo II veio ao Brasil, em 1980, num livro que editei sobre a visita, pus o título: “O povo e o papa”, era aquele que vinha antes e acolhia este último.

Desde sua eleição, Francisco não deixou de surpreender. Antes de vir ao Brasil, para uma jornada da juventude desenhada como um grande espetáculo no estilo de seus antecessores, praticamente só, foi à ilha de Lampedusa, ao encontro de refugiados subsaarianos e árabes e celebrou com eles, num altar que era uma embarcação emborcada e semidestruída, empunhando uma cruz feita com um remo empapado de dor e sangue. Abraçou aqueles corpos sujos e suarentos e lembrou aos muçulmanos ali presentes, a força e o significado do seu Ramadã. Afastou-se dos aposentos principescos de uma Roma imperial e se instalou numa pousada para peregrinos de passagem. Sua pedagogia não consiste em repisar doutrinas e preceitos (“eles estão aí”, indicou sem dar detalhes), mas em clamar por compaixão e misericórdia. Ao mesmo tempo, teve palavras duras para uma Igreja encerrada num gueto narcisista. E, já em suas alocuções no Rio de Janeiro, exigiu uma saída ao mundo, correndo os riscos e as ciladas de uma sociedade minada por conflitos, ambições e individualismos.

Nada exprime melhor a valentia de seu ensinamento do que sua dura alocução aos membros da cúria romana, bastião de poder corroído por lutas de interesses que provocaram a renúncia de seu antecessor. Ali apresentou quinze possíveis doenças. Entre outras, um Alzheimer espiritual (perda das faculdades espirituais), esquizofrenia existencial, rivalidades, murmurações, círculos fechados, indiferença para com os outros, sisudez, exibicionismo. E terminou com um pedido que sempre tem repetido: “Não vos esqueçais de rezar por mim”.

Alguns tradicionalistas estão protestando: não reitera doutrinas, para eles indispensáveis de serem repisadas. Do outro lado, outros, afoitos, reclamam que, até agora, ele não inovou em doutrinas e normas. Os primeiros se queixam de sua imprevisibilidade e um chegou a afirmar que, “continua perturbando a tranquilidade do mundo católico”, que vegetaria nas águas mornas das rotinas. Os segundos seguem com o mau hábito de aguardar mudanças vindas de cima, através de alocuções magisteriais. Esquecem que o importante é esperar que as transformações subam das práticas e das ações concretas e que devem colaborar para tal. Jesus não trouxe um conjunto de normas, como um código canônico antecipado. Ao contrário, violou preceitos fazendo milagres no sábado e entrando na casa de publicanos. O receituário era mais bem próprio dos fariseus legalistas, encastelados em seus princípios, mas tantas vezes “sepulcros caiados”. Para Francisco, antes de tudo, o importante é criar um clima novo, um chamado à conversão, isto é, procurar mudanças de rumos (con-vertere).

Nomeou uma comissão de oito cardeais para que o assessorem, fora dos hábitos curiais. Como presidente dela, colocou outro latino-americano, bispo de um pequeno e pobre país da América Central, na quase desconhecida Tegucigalpa. E numa reunião com cardeais, solicitou ao alemão Kasper, crítico ácido dos hábitos romanos, que levantasse questões sobre um tema que lhe é caro, o tema da família. A imprensa se fixou nas normas de sua indissolubilidade e na união de hétero e de homossexuais. Mas o fundo último dessa temática não é uma instituição, porém a relação amorosa entre os seres humanos.

Francisco convocou um sínodo extraordinário, em outubro de 2014, sobre os problemas da família. Mas repito, o tema fundante na raiz mesmo da família e de qualquer relação, é sempre o amor. No sacramento do matrimônio, os oficiantes são os cônjuges, num ato de entrega amorosa. No convite ao casamento, amigos e um sacerdote são convidados para apenas testemunhar, em nome da comunidade (ecclesia), quando eles dois se irão dar um ao outro (objeto direto) o matrimônio. Fica uma pergunta no ar, hoje ainda sem resposta, para repensar o sacramento. Se o elo é o amor e os agentes sacramentais o casal, que acontece quando o amor se esvai e um novo amor pode surgir? Não estamos muitas vezes reduzindo o sacramento do matrimônio a um ato mecânico?

Na metade do sínodo, um bispo, Bruno Forte, teólogo agudo, apresentou uma “relatio” insinuando a necessidade de mudanças, provocando fortes reações. O testemunho de um casal australiano, também vindo “do fim do mundo”, mostrou, a partir de uma experiência concreta, a necessidade de ter uma abertura aos temas da homossexualidade no interior das famílias. Foram aplaudidos, mas logo o Cardeal Burke e grupos pro-vida reagiram contra. O casal brasileiro, afirmando o uso pessoal dos métodos contraceptivos ditos naturais, indicou que eles, muitas vezes, carecem de praticidade. Aliás, a distinção entre natural e artificial, no relativo aos métodos contraceptivos, suporia uma natureza imutável, o que vem sendo questionado desde os alvores da modernidade. Para Emmanuel Mounier, na aurora dos tempos modernos, os componentes habituais da ideia de natureza (imobilidade, equilíbrio, perfeição circular), cederam lugar a um destino aberto, “em direção ao imprevisível e ao infinito” (La petite peur du XXème siècle, 1949). Para Candido Mendes, “o avanço do conhecimento da complexidade da vida e seu controle, (foram) esvaziando toda visão fixista de uma ‘natureza’ ou de uma ordenação previa às potencialidades do homem” (Por um humanismo da encarnação, 2008).

As reações de muitos membros do sínodo, alguns norte-americanos e o próprio chefe da congregação da doutrina, o alemão Müller, mostraram como a Igreja ainda não está preparada, na cúpula, para transformações. O relatório final do sínodo foi uma volta atrás, à doutrina tradicional. Francisco assistiu todo o sínodo e não interveio, deixando a liberdade para pensar, propor ou resistir: “falem com clareza e sem temor”, declarou na abertura. Mas na mensagem deste ano novo lembrou: mesmo os cristãos tem uma “tendência a resistir à liberdade... A liberdade nos assusta... Uma nostalgia pela escravidão se aninha em nossos corações, pois parece mais reconfortante do que a liberdade, que é muito mais arriscada”. Francisco exigiu que fossem publicadas as posições mais inovadoras do sínodo que não obtiveram maioria, com o número de votos que conquistaram. Indicavam tendências emergentes.

Agora, Francisco convoca um sínodo ordinário, mais amplo, para outubro de 2015. Um novo questionário está sendo enviado às igrejas locais. No Vaticano II os primeiros documentos, rotineiros e tradicionais, foram postos de lado ao final da primeira sessão. Não poderá repetir-se uma dinâmica de abertura e de inflexão entre os dois sínodos? Francisco não quer sozinho, ditar novos preceitos. Ele espera que estes surjam da prática e da sensibilidade das comunidades cristãs. Nisso parece consistir sua pedagogia: aguardar o surgimento de novos consensos, para que ele possa assumi-los.

E aqui lembro as lições de um grande teólogo, John H. Newman (1801-1890), beatificado por Bento XVI em 2010. Sacerdote anglicano converteu-se ao catolicismo romano em 1845. Escreveu no ano de sua conversão, um tratado sobre “o desenvolvimento da doutrina” (An Essay on the Development of Christian Doctrine, texto de 1845, revisto em 1878). A doutrina, no seu entender, é dinâmica e foi se desdobrando através dos tempos. Para Newman, isso se dá através do “consensus fidelium”, o acordo entre os fieis, pela história afora. Apresentou, inclusive, um exemplo muito revelador. Num célebre artigo na revista The Rambler, de 1859, lembrou que, no século IV, a Igreja viveu uma profunda crise. A maioria dos bispos era ariana, isto é, negava a divindade de Cristo. O próprio papa Liberio estava indeciso. Para o autor, o que salvou o pensamento ortodoxo da fé em Cristo como membro da Trindade, foi o sentir do povo cristão (e Congar acrescentou a reflexão de teólogos). O povo de Deus, não uma maioria de bispos e nem o próprio papa, foi o que afirmara com força a doutrina trinitária, apoiando o patriarca Atanásio de Alexandria, exilado várias vezes em sua luta contra o arianismo. Para Newman, seria necessário estar à escuta do que as comunidades cristãs vão expressando.

Se pensarmos na prática real dos fiéis em relação ao matrimônio, ao segundo casamento, à contracepção e aos métodos de limitação da maternidade, assim como outros, sobre o celibato eclesiástico obrigatório e a ordenação de mulheres, a partir de pesquisas como as do importante centro norte-americano Pew Forum, e outras feitas nos vários países, inclusive no Brasil, uma significativa porção dos cristãos estão pedindo mudanças radicais. Do contrário, teremos uma posição esquizofrênica, entre uma doutrina proclamada cada vez mais no vazio e uma prática real dos cristãos. O Cardeal Martini, antes de morrer, em seu testamento espiritual, indicou que a doutrina, em áreas como da sexualidade e do matrimônio, estava atrasada em várias décadas e que o documento de 1968 de Paulo VI, Humanae Vitae, sobre a contracepção, reiterando documento anterior de Pio XI de 1930, tivera uma função paralisante e negativa.

O filósofo católico Pietro Prini, num livro provocador, falou de um cisma oculto ou subterrâneo (Lo scisma sommerso, 1999), a partir de uma quebra de comunicação entre Igreja e sociedade. Rompeu-se a comunicação entre o emissor da mensagem com seus códigos tradicionais (a Igreja) e o receptor contemporâneo com sua nova sensibilidade e novas necessidades. Sempre deveria haver uma reciprocidade ativa entre quem envia e quem recebe uma mensagem. Este último, o conjunto dos fieis, não é um ser passivo que, indiferente, acolheria enunciados gerais, a-históricos ou passadistas, mas tem uma qualificação psicológica, mental, social e histórica precisa. Uma certa linguagem clerical, autoritária e impositiva, passa a não lhe dizer grande coisa. Seu comportamento vai se configurando à margem de normas e prescrições que lhe parecem estranhas e incompreensíveis. Frente a uma ética e a receitas com invólucros de outros tempos, o fiel comum não entra em heresia (negação de uma doutrina), mas toma, na prática, um distanciamento da autoridade (distacco em italiano), que caracterizaria mais bem um cisma de fato, um não recebimento de uma mensagem ou ordem na qual não descobre sentido. Não se trata propriamente de indiferença, mas de um processo de filtragem. Isso fica claro no que se refere à ética da sexualidade (uso de anticoncepcionais, por exemplo). As falas do magistério podem perder-se no vazio da não comunicação.

Uma pesquisa do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS), sobre desafios do catolicismo em seis grandes cidades do Brasil, no ano 2000, (CERIS/Paulus 2002) mostrou fortes discrepâncias entre a conduta individual dos católicos e as orientações da Igreja. O jornalista católico americano Peter Steinfels, que escreveu uma dura crítica ao pensamento oficial de sua Igreja, num livro sobre “um povo à deriva” (A people adrift,The crisis of the Roman Catholic Church in America,2008), relata outra pesquisa de 1993, indicando que  8 entre 10 católicos americanos não aceitavam a afirmação de que o uso de métodos artificiais de controle da natalidade era errado; 9 de cada 10 consideravam que alguém que utilizasse métodos artificiais poderia ser um bom católico. Lucia Ribeiro, numa pesquisa sobre “Práticas reprodutivas entre mulheres das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica” (1997), na Baixada Fluminense, constatou que o comportamento delas com respeito às práticas reprodutivas, não se distingue das mulheres em geral, com outras crenças ou sem elas.

Essas práticas poderão abrir caminho ao repensamento doutrinário, não através de um debate teológico abstrato, mas de situações pastorais concretas. É por esse viés pastoral, com um olhar de misericórdia, que a doutrina vai se desenvolvendo. Penso ser essa a paciente atitude de espera de Francisco (“Quem sou eu para julgar os gays”, lembrou numa conversa informal no avião na volta do Brasil. E mencionou o caso das mulheres paraguaias, depois de uma guerra criminosa que dizimou a população masculina). E antes de tudo defendeu, na linha do Vaticano II, a liberdade de consciência. Volto a Newman. Perguntado certa vez se ergueria um brinde ao papa (era ainda Pio IX), declarou que sim, desde que antes, erguesse um brinde à consciência. É a essa consciência livre que se dirige Francisco, não para impor regras ou preceitos, mas para possibilitar, com um profundo sentimento de compaixão, um repensamento pastoral.

Quando Leão XIII sucedeu ao antimoderno Pio IX, indicou que esperassem sua nomeação de cardeais, para sentir os rumos diferentes de seu novo pontificado. E fez cardeal o convertido Newman, para mal-estar de católicos ingleses tradicionais e de Manning, o outro cardeal inglês. Assim também Francisco, nos dois consistórios que nomeiam cardeais, dá sinais eloquentes nas escolhas que está fazendo. Deixa de lado sedes que historicamente eram cardinalícias, como Veneza, Turim ou Bruxelas/Malines; no Brasil, Brasília e Salvador. Nomeou, no primeiro consistório de fevereiro de 2014, pela primeira vez, um cardeal no Haiti, não em sua capital, mas numa pequena diocese do interior, Les Cayes. E agora, em 20 de fevereiro de 2015, no segundo consistório, não há nenhum novo cardeal dos Estados Unidos, do Brasil, da Polônia ou da França, somente um membro da cúria; mas indica, pela primeira vez, cardeais do Cabo Verde, Moçambique, Miamar, e na pequenina Tonga, na Polinésia, conjunto de 172 ilhas com apenas cerca de cem mil habitantes, que terá o mais novo dos cardeais, com 53 anos; também no Panamá, será o bispo de David, cidade pequena. Duas cidades têm cardeais pela primeira vez: na Oceania, John Dew, em Wellington (Nova Zelândia) e não o de Sidney, na Austrália; na Itália, Edoardo Menichelli em Ancona, diocese mediana (o bispo fora escolhido pessoalmente por Francisco para o sínodo). Uma característica comum: ambos têm defendido a comunhão para divorciados em segunda união e o reconhecimento de uniões homossexuais. Mudanças no colégio que poderá eleger o próximo papa.

A América Latina arejou a Igreja, nos anos setenta, com sua teologia da libertação, duramente castigada pelo centro do poder romano da época. Hoje, vemos em Francisco, uma prática da libertação, que ele considera ligada a uma teologia popular argentina, da mesma família libertadora.

Porém, o mais importante, é que Francisco, fiel a seu chamado de sair ao mundo, não fala apenas no círculo fechado do espaço católico. No Brasil, visitando a favela de Manguinhos, parou para rezar o Pai-nosso com um pastor e sua comunidade evangélica. Na visita à Palestina/Israel, fez parar seu carro diante do vergonhoso muro que o governo israelita construiu e, encostando nele sua testa,  rezou em silêncio. Dias depois, fez o mesmo no Muro das Lamentações, caro aos religiosos judeus. E convidou os líderes da Palestina e de Israel a irem a Roma e rezarem juntos por uma situação aparentemente insolúvel.

Um momento eloquente, como sinal de presença num mundo secular, foi seu encontro com movimentos sociais de todo o mundo. Encorajados pelo Papa Francisco a "construir uma Igreja pobre e para os pobres”, líderes de movimentos sociais, 30 bispos e leigos engajados com as realidades e os movimentos sociais em seus países, participaram, em Roma, do dia 27 de outubro ao dia 29, do Encontro Mundial dos Movimentos Populares. O Brasil esteve presente com alguns representantes, entre eles o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile e o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner. Da Argentina veio o dirigente do movimento dos catadores. Evo Morales, da Bolívia, participou como membro de um movimento social e não como presidente. O Encontro teve por objetivo "elaborar uma síntese da visão dos movimentos populares em torno das causas da crescente desigualdade social e do aumento da exclusão em todo mundo, principalmente a exclusão da terra, do teto e do trabalho”, e "propor alternativas populares para enfrentar os problemas gerados pelo capitalismo financeiro, a prepotência militar e o imenso poder das transnacionais, como a guerra, a fome, desemprego, exclusão, despejos e miséria, com a perspectiva de construir uma sociedade livre e justa”. O evento, com a metodologia ver-julgar-agir, abordou três eixos de discussão, chamados simbolicamente de "Pão”, "Terra” e "Lar”.

No segundo dia, momento do julgar, Francisco se reuniu com os participantes do Encontro. Falou sobre o termo solidariedade: “é lutar contra as causas estruturais da pobreza, da desigualdade, da falta de trabalho, da terra e da moradia, a negação dos direitos sociais e trabalhistas. É enfrentar... os deslocamentos forçados, as emigrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas essas realidades que muitos de vocês sofrem... É estranho, mas se falo disso, para alguns significa que o papa é comunista... Hoje, ao fenômeno da exploração e da opressão se soma uma nova dimensão,... os que não podem ser integrados; os excluídos são dejetos, restos. Esta é a cultura do descarte... No centro de todo sistema social ou econômico tem que estar a pessoa, imagem de Deus... a criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão... neste sistema (atual) ... se rende um culto idolátrico ao dinheiro! Porque se globalizou a indiferença! ... Porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai; se tornou órfão porque deixou a Deus de lado''.

A posição de liderança de Francisco foi se afirmando, neste ano de 2014 que terminou, não somente na sua Igreja, mas em todo o planeta, hoje envolto em tantas violências, mas guardando, aqui no Brasil e pelo mundo afora, sinais de esperança e de renovação. A carta que os participantes do encontro de outubro enviaram a Francisco no final de dezembro, expressa bem este sentimento: “Os movimentos populares do mundo estamos muito orgulhosos e esperançosos com os frequentes exemplos que [Francisco] nos tem dado. Sua coragem para enfrentar temas internos da Igreja e os temas políticos que afetam os poderosos nos dá ânimo. O mundo não está perdido! A humanidade tem energias suficientes para reverter e construir uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária”...

*Diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião, Universidade Candido Mendes.