Advento:
Jesus que vem, mas que também é
presença viva em nosso meio.
Pe. Leomar Antonio Montagna
Arquidiocese de Maringá
I
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niciaremos,
neste domingo, o ano litúrgico. Ano litúrgico é a celebração do mistério, vida,
paixão, morte e ressurreição de Jesus, em quatro tempos: Advento, Quaresma,
Páscoa e Comum.
Na
Liturgia deste domingo, celebramos o primeiro domingo do Advento. Advento é
tempo de espera, espera de Jesus que chega a qualquer hora. Jesus é o Reino e o
Reino é uma vida melhor, dias melhores, paz, alegria, liberdade...
Advento
é tempo de preparar a chegada de Jesus, não só pelo ambiente externo: comidas,
bebidas, luzes, festas..., mas é tempo de arrumar o coração. Como? Onde? Pela
prática das virtudes, principalmente a caridade, a partilha, participação na
Novena de Natal com os vizinhos, visitas aos doentes e necessitados, buscar o
sacramento da confissão, frequentar a missa e a vida de comunidade.
Um
dos símbolos do Advento é Maria grávida, após o anúncio do anjo. Isso nos
indica que devemos gestar, em nós, o “Verbo”. Devemos nos encarnar no
Projeto de Deus. Em Maria, o Projeto de Deus se cumpriu. “Feliz aquela que
acreditou que iria acontecer o que o Senhor prometeu”. Acreditar é, a cada
dia, permitir o faça-se: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo
a tua palavra”. É produzir não só obras da carne, mas obras do espírito: “Concebeu
pelo Espírito Santo”. Enfim, Maria viveu o bem e pode sentir a grandeza de
Deus agindo por seu intermédio: “O Senhor fez em mim maravilhas”.
Penso
que a liturgia deste domingo, e de todo o Advento, quer chamar a atenção e nos
dizer que este é um tempo de graça, ‘kairós’, tempo de nossa
salvação. Portanto, cabe a cada um de nós apressar a vinda do Senhor, Ele se
manifestará plenamente quando for “tudo em todos”, por isso devemos
despertar para o essencial, despojarmo-nos de ações de trevas, não ficar
adormecidos, “pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os
habitantes da terra”.
Quando
Jesus voltará, não sabemos, mas o evangelho responde como nos comportarmos
enquanto Ele não chega: vigilância constante – Deus nos visita a todo
momento.
Os
que estão absorvidos pelos desejos da carne podem correr o risco de reduzir-se
a uma vida instintiva (os animais comem, bebem, dormem, se reproduzem e não
passam disso). Sem alimentar a vida espiritual, isto é, com a falta de Deus
no coração humano, tudo poderá vir a ser permitido e ser normal, perde-se o
senso da ética, do limite e da responsabilidade. Mas viver a vigilância é
cuidar de si, cuidar das pessoas e da casa de Deus; ser vigilante é construir a
esperança não só para si, mas também para os outros. Ser vigilante é uma
questão de sensibilidade: pelo presente vemos o futuro. Exemplo: o
Faraó, no Egito, não percebeu os sinais diante da realidade, enquanto Moisés
viu os sinais dos tempos e, com a ajuda de Deus, libertou todo o povo da
escravidão.
Enfim,
ser vigilante é viver em comunhão com Deus para vencer todos os obstáculos, os
problemas não devem nos derrotar, pois “em Cristo somos mais que vencedores”.
Acolhamos a palavra do Evangelho deste domingo e reforcemos nossa experiência
com Deus por meio da oração: “Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de
que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e
de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem”.
Concluo
esta reflexão com as palavras do Salmo (24/25): “Vem, Senhor, nos
salvar, vem, sem demora, nos dar a paz!”
Boa
reflexão e que possamos produzir muitos frutos para o Reino de Deus.