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liturgia deste 4º Domingo do Tempo Comum nos
coloca diante do "Sermão da Montanha", o coração do ensinamento de
Jesus. Se o Evangelho fosse um corpo, as Bem-aventuranças seriam os seus
batimentos cardíacos. Elas não são apenas belas palavras de consolo; são a
"Proclamação do Reino" e o novo estatuto da felicidade cristã.
A primeira leitura, do profeta Sofonias, nos fala de
um "resto de povo" que é humilde e pobre. Isso nos faz perguntar: em
que colocamos nossa confiança? No dinheiro? No status? No controle que achamos
ter sobre a vida? O profeta nos lembra que o único refúgio seguro é o Nome
do Senhor. Ser "pobre em espírito" não é falta de bens, mas é a
liberdade de quem não se deixa possuir pelas coisas, mas se deixa possuir por
Deus.
São Paulo, na segunda leitura, dá um "choque de
realidade" na comunidade de Corinto e em todos nós. Ele diz: Deus
escolheu o que o mundo despreza. Isso é libertador! Significa que para Deus
não conta o seu currículo, sua conta bancária ou sua influência social. O que
conta é a sua abertura para a graça. Se você se sente fraco, pequeno ou
inadequado, saiba que é exatamente você quem Deus deseja usar para manifestar a
Sua glória. Nossa única glória é o Senhor.
Jesus sobe ao monte, senta-se e ensina. Ele inverte a
lógica do mundo. O mundo diz: "Feliz quem tem poder"; Jesus diz:
"Felizes os mansos". O mundo diz: "Feliz quem se diverte e não
sofre"; Jesus diz: "Felizes os que choram". O mundo diz:
"Feliz quem é forte e se impõe"; Jesus diz: "Felizes os
misericordiosos e os puros de coração".
As Bem-aventuranças são o retrato fiel do próprio
Jesus. Ele foi o pobre, o manso, o aflito, o faminto de justiça, o
misericordioso e o perseguido. Segui-las não é buscar o sofrimento, mas
entender que, mesmo nas dificuldades, se estivermos com Deus, somos
profundamente felizes.
Nesta Eucaristia, peçamos a graça de um coração
humilde. Que não tenhamos medo de ser "diferentes" neste mundo. Que a
nossa busca não seja pela felicidade passageira que o consumo oferece, mas pela
alegria eterna que nasce de viver o Evangelho. Sejamos o sal da terra e a luz
do mundo, vivendo com a esperança de que o Reino dos Céus já começou aqui,
entre nós.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
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