sábado, 4 de abril de 2026

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA O DOMINGO DA PÁSCOA DO SENHOR – 05/04/2026

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oje, o grito que ecoa em todo o universo não é de dor, mas de triunfo: "Cristo Ressuscitou! Aleluia!". Este é o dia que o Senhor fez para nós (Sl 117). Mas reparem que, no Evangelho de hoje (Jo 20, 1-9), a ressurreição não começa com luzes ofuscantes ou anjos trombeteando para o mundo. Ela começa no escuro, no silêncio e, para Maria Madalena, com um susto.

Maria Madalena vai ao túmulo "quando ainda estava escuro". Essa escuridão não é apenas a ausência de sol; é o símbolo do luto e da derrota que os discípulos sentiam. Ela vê a pedra removida e corre. Sua primeira conclusão é puramente humana: "Tiraram o Senhor do sepulcro". Às vezes, diante das crises da vida, nosso primeiro olhar também é o da perda.

Pedro e o "outro discípulo" (o discípulo amado) correm ao túmulo. Há um detalhe belíssimo aqui: o discípulo amado corre mais rápido, chega primeiro, mas espera por Pedro. É a caridade respeitando a hierarquia e a unidade da Igreja.

Ao entrarem, eles não encontram o corpo, mas encontram sinais: os lençóis de linho no chão e o sudário dobrado num lugar à parte. O Evangelho termina com uma frase que é o coração da nossa fé: "Ele viu e acreditou".

O que eles viram? Um túmulo vazio. O vazio, que geralmente significa ausência, aqui torna-se a maior prova de uma presença viva. Jesus não foi roubado; Ele venceu a morte por dentro. O sudário dobrado indica que não houve pressa ou roubo, mas uma ordem nova que se estabelecia.

A segunda leitura (Cl 3, 1-4) nos dá a aplicação prática: "Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto". Ressuscitar com Cristo não significa ignorar o mundo, mas viver no mundo com o coração em Deus. É abandonar o "velho fermento" da maldade e da corrupção (1Cor 5) e viver na sinceridade e na verdade.

Como nos ensina Pedro na primeira leitura (At 10), nós somos agora as testemunhas. Não somos apenas anunciadores de uma teoria, mas de um fato: Aquele que passou fazendo o bem e foi morto na cruz, Deus O ressuscitou.

Irmãos, a Páscoa nos diz que a última palavra não pertence ao túmulo, à doença ou ao desespero. A última palavra é de Deus, e ela se chama Vida.

Que a partir de hoje, nosso olhar seja transformado como o do discípulo amado. Que onde o mundo vê "vazio" ou "fim", nós possamos ver a oportunidade de Deus agir. Cristo vive e caminha conosco!

Feliz e Santa Páscoa!

 

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