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oje, o grito que ecoa em todo o universo não é
de dor, mas de triunfo: "Cristo Ressuscitou! Aleluia!".
Este é o dia que o Senhor fez para nós (Sl 117). Mas reparem que, no
Evangelho de hoje (Jo 20, 1-9), a ressurreição não começa com luzes
ofuscantes ou anjos trombeteando para o mundo. Ela começa no escuro, no
silêncio e, para Maria Madalena, com um susto.
Maria Madalena vai ao
túmulo "quando ainda estava escuro". Essa escuridão não é apenas a
ausência de sol; é o símbolo do luto e da derrota que os discípulos sentiam.
Ela vê a pedra removida e corre. Sua primeira conclusão é puramente humana: "Tiraram
o Senhor do sepulcro". Às vezes, diante das crises da vida, nosso
primeiro olhar também é o da perda.
Pedro e o "outro
discípulo" (o discípulo amado) correm ao túmulo. Há um detalhe
belíssimo aqui: o discípulo amado corre mais rápido, chega primeiro, mas espera
por Pedro. É a caridade respeitando a hierarquia e a unidade da Igreja.
Ao entrarem, eles não
encontram o corpo, mas encontram sinais: os lençóis de linho no chão e o
sudário dobrado num lugar à parte. O Evangelho termina com uma frase que é o
coração da nossa fé: "Ele viu e acreditou".
O que eles viram? Um
túmulo vazio. O vazio, que geralmente significa ausência, aqui torna-se a maior
prova de uma presença viva. Jesus não foi roubado; Ele venceu a morte por
dentro. O sudário dobrado indica que não houve pressa ou roubo, mas uma ordem nova
que se estabelecia.
A segunda leitura (Cl
3, 1-4) nos dá a aplicação prática: "Se ressuscitastes com
Cristo, buscai as coisas do alto". Ressuscitar com Cristo não
significa ignorar o mundo, mas viver no mundo com o coração em Deus. É abandonar
o "velho fermento" da maldade e da corrupção (1Cor
5) e viver na sinceridade e na verdade.
Como nos ensina Pedro
na primeira leitura (At 10), nós somos agora as testemunhas. Não
somos apenas anunciadores de uma teoria, mas de um fato: Aquele que passou
fazendo o bem e foi morto na cruz, Deus O ressuscitou.
Irmãos, a Páscoa nos
diz que a última palavra não pertence ao túmulo, à doença ou ao desespero. A
última palavra é de Deus, e ela se chama Vida.
Que a partir de hoje,
nosso olhar seja transformado como o do discípulo amado. Que onde o mundo vê
"vazio" ou "fim", nós possamos ver a oportunidade de Deus
agir. Cristo vive e caminha conosco!
Feliz e Santa Páscoa!

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