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oje, a Igreja não celebra a morte como um fim,
mas o Amor como uma entrega total. Entramos nesta liturgia em silêncio e,
prostrados por terra no início da celebração, reconhecemos nossa pequenez
diante do mistério que nos salva: a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A primeira leitura de
Isaías nos choca. Ela descreve um homem desfigurado, alguém de quem desviamos o
olhar. Quantas vezes, em nossa sociedade, desviamos o olhar dos "servos
sofredores" de hoje? Dos pobres, dos doentes, dos esquecidos? Mas o profeta
nos dá a chave: "Eram os nossos sofrimentos que ele levava sobre si".
Naquela carne ferida de Jesus, está a nossa cura. Cada chaga de Cristo é um
"não" de Deus à violência e um "sim" eterno à nossa
dignidade. Ele se deixou esmagar para que nós pudéssemos caminhar de cabeça
erguida.
A carta aos Hebreus nos
traz um consolo profundo. Jesus não é um Deus imune à dor humana. Ele não
assistiu ao nosso sofrimento de um camarote celestial. Ele mergulhou nele. Ele
aprendeu a obediência por meio do sofrimento. Ele gritou, ele chorou, ele sentiu
o abandono. Por isso, quando você se sentir no limite das suas forças,
lembre-se: o seu Sumo Sacerdote entende o que você está passando. Ele
santificou a sua dor ao torná-la d’Ele. Na Cruz, Deus não explica o sofrimento;
Ele o preenche com a Sua presença.
No Evangelho de João, Jesus
não é uma vítima arrastada para o matadouro. Ele é o Rei que caminha para o seu
trono. Mesmo preso e julgado, é Jesus quem conduz a história. Ele é a Verdade
diante de Pilatos. Ele é o Cuidado que entrega sua Mãe a João e João à sua Mãe.
E, finalmente, o grito:
"Tudo está consumado!". No grego original, essa palavra não significa
um suspiro de derrota ("acabou-se"), mas o grito de um
vencedor que completa uma tarefa: "Está pago! A dívida da humanidade foi
quitada!". O véu do templo se rasga, o lado de Cristo se abre. Do coração
transpassado, jorram sangue e água — a Igreja nasce ali, no alto do Calvário,
alimentada pelos sacramentos.
A liturgia de hoje nos
convida à Adoração da Santa Cruz. Ao nos aproximarmos do madeiro, não estamos
beijando um objeto de tortura, mas o sinal da nossa liberdade.
Levemos para este beijo
as nossas cruzes pessoais: o desemprego, o luto, a depressão, a crise na
família. Mas levemos também a nossa gratidão. O silêncio deste dia não é o
silêncio do túmulo, mas o silêncio da semente que, sob a terra, prepara-se para
romper em vida.
Hoje, o Rei morre por
amor aos seus súditos. Que este amor nos transforme, para que possamos, como o
centurião, reconhecer: "Verdadeiramente, este era o Filho de
Deus".
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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