domingo, 23 de novembro de 2014

LITURGIA DA SOLENIDADE DE CRISTO REI - 23/11/2014




SOLENIDADE DE CRISTO REI
  


PRIMEIRA LEITURA (Ez 34,11-12.15-17)

Leitura da Profecia de Ezequiel:
11Assim diz o Senhor Deus: “Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. 12Como o pastor toma conta do rebanho, de dia, quando se encontra no meio das ovelhas dispersas, assim vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que foram dispersadas num dia de nuvens e escuridão.

15Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar — oráculo do Senhor Deus — 16Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-las conforme o direito.

17Quanto a vós, minhas ovelhas — assim diz o Senhor Deus —, eu farei justiça entre uma ovelha e outra, entre carneiros e bodes”.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

RESPONSÓRIO (Sl 22)

— O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma.

— Pelos prados e campinas verdejantes/ ele me leva a descansar./ Pelas águas repousantes me encaminha,/ e restaura as minhas forças.

— Preparais à minha frente uma mesa,/ bem à vista do inimigo,/ e com óleo vós ungis minha cabeça;/ o meu cálice transborda.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me/ por toda a minha vida;/ e, na casa do Senhor, habitarei/ pelos tempos infinitos.

SEGUNDA LEITURA (1Cor 15,20-26.28)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:
Irmãos: 20Na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21Com efeito, por um homem veio a morte, e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos.

22Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. 24A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. 25Pois é preciso que ele reine, até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26O último inimigo a ser destruído é a morte.

28E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele, então o próprio Filho se submeterá àquele que lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

EVANGELHO (Mt 25,31-46)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 31“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso.

32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.

34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; 36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’.

37Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39Quando foi que te vimos doente ou preso e fomos te visitar?’

40Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’

41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não me fostes visitar’.

44E responderão também eles: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’

45Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo: todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’

46Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

HOMILIA
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

É com muita alegria que celebramos, hoje, a Festa de Cristo Rei; coroamos o ano litúrgico, coroamos a nossa vida proclamando essa verdade suprema: Jesus Cristo é Rei, é o Senhor! Nós queremos exaltar o reinado e o senhorio de Cristo, nos rendendo, nos entregando a Ele, proclamando que da nossa vida Ele é o Senhor.

A cada dia, meus irmãos, precisamos nos tornar súditos desse reinado de Jesus; o Seu reinado começa em nossa alma e em nosso coração quando Lhe entregamos nossa vida.

O Evangelho, deste domingo, permite-nos refletir sobre o “juízo universal” e o reinado definitivo de Deus sobre todo o universo, o reinado de Jesus sobre todos nós. Se hoje vivemos todos juntos no Reino definitivo do Senhor, haverá a separação dos que são de Deus e daqueles que não são.

Existe um critério fundamental. Primeiro, o amor a Deus sobre todas as coisas, que é vivido na caridade sem medida, ou seja, é saber acolher Jesus na pessoa do próximo, do pobre, do sofredor e do rejeitado. É também entender que cada sofredor que vem ao nosso encontro, que vamos ao encontro dele ou ainda o sofredor de quem nos desviamos é o próprio Jesus.

O Senhor está na pessoa do preso, do doente, do enfermo; está na pessoa daquele que passa fome, daquele que passa necessidade. Como nos recorda Papa Francisco a partir dos santos padres da Igreja: “A carne do pobre é a carne de Cristo”. Sabe aquela carne humana sofrida pela doença, pelas diversas lepras da vida, que, muitas vezes, nós nem gostamos de olhar? Sabe aquela pessoa de quem não suportamos o cheiro? É o cheiro de Jesus, é a pessoa d’Ele! Vamos ser considerados dignos de estar ao lado d’Ele ou não a partir da escolha, da aceitação dos pobres e dos sofredores em nossa vida!

Sabe, meus irmãos, não adianta só adorar Jesus no Sacrário, na igreja; não adianta apenas amá-Lo com o terço na mão, com a Bíblia pregando para lá e para cá. A fé se traduz em obras e gestos! O mesmo Jesus que recebemos na comunhão é o que vem ao nosso encontro na pessoa dos pobres e dos sofridos.

Não é discurso social, é discurso evangélico; não é teoria política, é Evangelho puro: cuidar dos pobres, amá-los e dar a nossa vida por eles. No Reino de Deus, no julgamento definitivo, eles serão os protagonistas; e quem nessa vida cuidou deles reinará com eles junto com Nosso Senhor.

Deus abençoe você!

ORAÇÃO
                             
Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Amém!

JorgeMacielNews


HOJE, 267ª MISSA DO MFC NO ALDEBARAN


sábado, 22 de novembro de 2014

A IMPORTÂNCIA DA NOVENA DE NATAL EM FAMÍLIA



A
 NOVENA DE NATAL é um encontro para orações, e como o próprio nome menciona é realizada durante nove dias. Dá ascensão de Jesus ao céu e até a descida do Espírito Santo, passaram exatamente nove dias. Durante esse tempo a comunidade cristã ficou reunida diante de Maria, de algumas mulheres e dos apóstolos, este foi a primeira novena cristã realizada. Esse ato de louvor ao Pai é repetido todos os anos. Durante esses dias a prática da oração, do louvor e da súplica deve confirmar de maneira extraordinária a fé em DEUS que nos salva, por intermédio de Jesus, de Maria e dos Santos. Foi através dessa tradição que nasceu a prática da NOVENA DE NATAL.

O fortalecimento de nossa fé, a revisão de nossas atitudes e a realização de gestos concretos de conversão, fazem parte do encontro da NOVENA DE NATAL. Por isso, não deixemos passar em branco o tempo do Advento, que se aproxima. Adquira seu livro da Novena, chame seus familiares, vizinhos, amigos e vamos juntos percorrer o caminho que nos conduzirá aos braços daquele que nascerá no dia do Natal. Peçamos também que a NOVENA DE NATAL nos ajude a crer na necessidade de acolher em família, o Senhor que vem na pessoa do pobre.


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

CÂMARA PROMOVE ENQUETE SOBRE CONCEITO DE FAMÍLIA


Texto-base para o Estatuto da Família define entidade familiar como o núcleo formado a partir da união entre homem e mulher.


A
 polêmica sobre CONCEITO DE FAMÍLIA é tema de enquete do Portal da Câmara dos Deputados. O objetivo é avaliar se os cidadãos são favoráveis ou contrários ao conceito incluído no Projeto de Lei 6583/13, do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que cria o Estatuto da Família.

De acordo com o texto, que apresenta diretrizes de políticas públicas voltadas para a entidade familiar e obriga o poder público a garantir as condições mínimas para a “sobrevivência” desse núcleo, família é formada a partir da união entre homem e mulher.

O deputado argumenta que “a família vem sofrendo com as rápidas mudanças ocorridas em sociedade”. E que, apesar de a Constituição prever que o Estado deva proteger esse núcleo, “o fato é que não há políticas públicas efetivas voltadas para a valorização da família e ao enfrentamento de questões complexas no mundo contemporâneo”.

A presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, criou uma comissão especial para analisar a proposta. Os líderes partidários deverão indicar os integrantes da comissão, que será formada por 23 deputados titulares.

JUSTIFICATIVA DO AUTOR DO PROJETO
Segundo o deputado Anderson Ferreira (PR-PE), a família num sistema social, funcionando como uma espécie – porque devemos conferir grande importância à família e às mudanças que a têm alterado a sua estrutura no decorrer do tempo.

Não é por outra razão que a Constituição Federal dispensa atenção especial à família, em seu art. 226 da Constituição Federal, ao estabelecer que a família seja base da sociedade e deve ter especial proteção do Estado.

Conquanto a própria carta magna tenha previsto que o Estado deve proteger a família, o fato é que não há políticas públicas efetivas voltadas especialmente à valorização da família e ao enfrentamento das questões complexas a que estão submetidas às famílias num contexto contemporâneo.

São diversas essas questões. Desde a grave epidemia das drogas, que dilacera os laços e a harmonia do ambiente familiar, à violência doméstica, à gravidez na adolescência, até mesmo à desconstrução do conceito de família, aspecto que aflige as famílias e repercute na dinâmica psicossocial do indivíduo. A questão merece aprofundamento e, disciplinamento legal.

O ESTADO TEM TAREFA CENTRAL NESSA DISCUSSÃO
A família vem sofrendo com as rápidas mudanças ocorridas em sociedade, cabendo ao Poder Público enfrentar essa realidade, diante dos novos desafios vivenciados pelas famílias brasileiras.

O deputado Anderson Ferreira (PR-PE) afirma ter feito no exercício do mandato e da atuação parlamentar, instrumentos de valorização da família. Acredita firmemente que a felicidade do cidadão está centrada, sobretudo na própria felicidade dos membros da entidade familiar. Uma família equilibrada, de autoestima valorizada e assistida pelo Estado é sinônimo de uma sociedade mais fraterna e também mais feliz, afirma o autor do projeto.

Por cultivar essa crença, submeteu à apreciação dos nobres pares o projeto de lei que, em síntese, institui o Estatuto da Família. A proposta pretende ser o ponta pé inicial de uma discussão mais ampla a ser empreendida na Câmara Federal em favor da promoção de políticas públicas que valorizem a instituição familiar.

O ESTATUTO ABORDA QUESTÕES CENTRAIS QUE ENVOLVEM A FAMÍLIA
Primeiro propugna duas ideias: o fortalecimento dos laços familiares a partir da união conjugal firmada entre o homem e a mulher, ao estabelecer o conceito de entidade familiar; a proteção e a preservação da unidade familiar, ao estimular a adoção de políticas de assistência que levem às residências e às unidades de saúde públicas profissionais capacitadas à orientação das famílias.

Entre outros temas de interesse da família, o projeto propõe ainda: que a família receba assistência especializada para o enfrentamento do problema da droga e do álcool; que o Estado preste apoio efetivo às adolescentes grávidas prematuramente; que seja incluída no currículo escolar a disciplina “Educação para família”; a prioridade na tramitação de processos judiciais e administrativos em demandas que ponham em risco à preservação e sobrevivência da entidade familiar; a criação do conselho da família no âmbito dos entes federados; o aperfeiçoamento e promoção à interdisciplinaridade das políticas voltadas ao combate da violência doméstica.

Em síntese, a proposta busca a valorização e o fortalecimento da entidade familiar, por meio da implementação de políticas públicas.

E você? É a favor ou contra o conceito de família como núcleo formado “a partir da união entre homem e mulher”?




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O DESAFIO DA AUTONOMIA LAICAL



Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá-AP

T
em palavras que só ao dizê-las, ou escrevê-las, provocam impacto, dúvidas e discussões. Parecem perigosas ou grandes demais. “Autonomia” é uma destas palavras que tem o poder de suscitar imediatamente a busca de adjetivos que a expliquem ou definam suas limitações. Deste jeito parece sempre mais oportuno acompanhar a palavra “autonomia” com características como adequada, responsável, relativa. Vale a pena nos perguntar porque tantos questionamentos, sobretudo quando a “autonomia” em questão é referida aos leigos e as leigas no seu “apostolado” pessoal ou reunidos em grupos e associações.

Pode ajudar o exemplo comum do trabalhador “autônomo”, experiência que muitos leigos e leigas vivem. Simplesmente, significa que não tem patrão e nem salário fixo; ele mesmo é o dono do seu negócio ou da sua atividade, paga os seus impostos e as consequências da situação: pode ganhar ou perder. Tem que se virar. É fácil entender, porém, que a “autonomia” dele não é absoluta, depende dos outros. Se os fregueses são bons ou maus pagadores, se os concorrentes são leais ou desleais, se os assaltantes não levam tudo. Dependendo dos produtos ou serviços que ele oferece, a margem de lucro pode depender do sol ou da chuva, com certeza deve prestar atenção aos últimos lançamentos para não ficar tudo envelhecido e obsoleto. É autônomo sim, mas nem tanto.

Se voltamos a falar das coisas da Igreja percebemos que muitas discussões sobre a autonomia não levam a nada. Nascem mais do medo de perder algo, como a posição ou o poder, que da boa vontade de colaborar na busca de uma verdadeira eclesiologia de comunhão. Na Igreja ninguém é totalmente autônomo pela simples razão de que todos juntos formamos o Corpo Místico de Cristo. A comparação é de S. Paulo. Nenhum membro do corpo humano pode dizer que não pertence ao mesmo corpo e que não precisa dos outros membros. A beleza e a funcionalidade do corpo está na diversidade dos membros. “Assim também acontece com Cristo... Todos fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo... (cf. 1 Cor 12). À mesma conclusão chegaríamos se fôssemos buscar no evangelho de João a imagem da videira e dos ramos (cf. Jo 15,1ss). Estes vivem e produzem frutos somente se continuam unidos ao tronco da videira. Se forem cortados, ficam secos e não servem mais para nada. Vão para o fogo.

Autonomia não significa, portanto, isolamento, independência ou autossuficiência. Nem pensar de poder ficar longe da “graça” de Deus e fora do amor da mãe Igreja. Neste caso seria arrogância e imaturidade. Autonomia é a capacidade de tomar decisões, levando em conta a própria situação, competência e aptidão. É consciência dos dons recebidos no Batismo. Vai junto com a responsabilidade e, mais ainda, com corretos relacionamentos com os outros. Autonomia é a consciência da própria maturidade; não pode ser eterna dependência ou insegurança. Todos precisamos sempre nos confrontar com as pessoas nas quais confiamos, escutar opiniões e conselhos, mas não ao ponto de não saber nunca o que fazer se nos faltarem suas orientações. Seríamos eternas crianças.

Estamos falando da autonomia própria de um laicato adulto, capaz de assumir as próprias responsabilidades dentro e fora da Igreja, nos serviços e ministérios eclesiais, mas também com projetos de vida próprios movido pela liberdade e a criatividade do Espírito Santo que distribui também livremente os seus dons. Tudo começa pela confiança. Deve ser a mesma que Jesus teve com os apóstolos ao anoitecer do dia de Páscoa quando se mostrou a eles ressuscitados e lhes disse: - Como o Pai me enviou eu também vos envio -. Então soprou sobre eles e falou: - Recebei o Espírito Santo...- (cf. Jo 20,19-23). Por que tanto medo? Será que Jesus não levou em conta as nossas fragilidades e os nossos pecados? O Espírito Santo não é o espírito de escravos para recair no medo, mas da vida nova em Cristo (cf. Rm 8). Nos lembra papa Francisco: “A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos batizados. Esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização, porque se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus, que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe deem muitas lições ou longas instruções. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus, não digamos mais que somos “discípulos” e “missionários”, mas sempre que somos “discípulos missionários”” (EG 120).

Já dizia o Concílio: “Os leigos são chamados de modo especial a tornar presente e operante a Igreja naqueles lugares e circunstâncias, onde ela só por meio deles pode vir a ser sal da terra. Assim todo o leigo, por virtude dos dons que recebeu, é testemunha e ao mesmo tempo instrumento vivo da própria missão da Igreja “segundo a medida do dom de Cristo (Ef 4,7)”” (LG 33). Entendemos que é sobretudo nestes “lugares” e nestas “circunstâncias” que o laicato deve poder exercer a sua autonomia por ser de fato a Igreja viva presente e atuante naquela situação. Vejam o peso da responsabilidade, mas fugir disso seria pecado de omissão, culpa que raramente confessamos.

Autonomia, repito, não é isolamento, mas busca constante de comunhão e fraternidade. Autonomia não é rebeldia e disputa. É colaboração livre e consciente. Não é promoção de parte, é doação e entrega para todos. Não é autocontemplação, é corresponsabilidade, partilha, mutirão.

Coisas, porém, que, talvez, todos precisamos aprender juntos de novo.


domingo, 16 de novembro de 2014

LITURGIA DO 33º DOMINGO COMUM - 16/11/2014





33º DOMINGO COMUM
16/11/2014

  

  
PRIMEIRA LEITURA (Pr 31,10-13.19-20.30-31)


Leitura do Livro dos Provérbios:
10Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as jóias. 11Seu marido confia nela plenamente, e não terá falta de recursos.
12Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto, todos os dias de sua vida. 13Procura ló e linho, e com habilidade trabalham as suas mãos. 19Estende a mão para a roca e seus dedos seguram o fuso. 20Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre. 30O encanto é enganador e a beleza é passageira; a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor. 31Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


RESPONSÓRIO (Salmo 127)


- Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

- Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem!

- A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa.

- Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor.

- O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida; para que vejas prosperar Jerusalém.


SEGUNDA LEITURA (1Ts 5,1-6)


Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:
1Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos, não há por que vos escrever. 2Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão, de noite. 3Quando as pessoas disserem: 'Paz e segurança!', então de repente sobrevirá a destruição, como as dores de parto sobre a mulher grávida. E não poderão escapar. 4Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. 5Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. 6Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


EVANGELHO (Mt 25,14-15.19-21)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: 14Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. 19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: `Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei'. 21O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!'

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


HOMILIA
“FELIZ É QUEM TEME O SENHOR”
Pe. Luiz Carlos de Oliveira – CSsR


ELE NOS ENTREGOU SEUS BENS
Estamos terminando o ano litúrgico. Nesse período somos chamados à vigilância para ir ao encontro do Senhor, Juiz do Universo. Com a próxima festa de Cristo Rei sabemos a direção a tomar e o caminho a percorrer. O caminho da vigilância é o bom uso dos bens que recebemos de Deus para produzir. No evangelho de hoje ouvimos a parábola dos talentos. As riquezas de Deus nos foram confiadas para que as fizéssemos produzir. Deus não pede que tenhamos tudo, mas que façamos produzir frutos os dons que recebemos. Ninguém é mais que ninguém. Menor é o que não aproveita os dons que tem. Não é matemática nem economia, mas correspondência aos dons que nos foram confiados. Preguiça espiritual é sinônimo de corpo morto, inútil e prejudicial. Quais são os talentos que recebemos? (Talento equivalia a 26 kg de ouro ou prata – 6.000 dias de trabalho – 5 talentos eram um valor altíssimo). Um talento não era uma moedinha. Nós chamamos talentos os dons que recebemos. Valem mais que dinheiro. Além dos dons pessoais recebemos as preciosas riquezas dadas por Deus em Cristo: Sua Igreja, os Sacramentos, a Palavra de Deus, a vida da comunidade, os ministérios, a evangelização, o mundo criado que nos foi dado a cuidar e o amor ao próximo, sobretudo o necessitado. Não produzir significa morrer. Não bastam oraçõezinhas para a salvação. É preciso produzir frutos. Esta é a vigilância que Jesus pede: responsabilidade sobre o que nos foi confiado. Não se trata de ficar apavorado com um mundo que pode acabar de uma hora para a outra. Isso fica por conta de quem não tem o que fazer com os dons confiados a ele. O maior dom é o cuidado dos necessitados. Nossa missão é resgatar o tempo presente de todas as iniquidades, pois os dias são maus. A educação cristã fixou-se quase só na prática de orações e rito e não tomou conta da vida no seu todo.

ABC DA MULHER DE VALOR
O texto da primeira leitura é um poema alfabético. Cada frase começa por uma letra do alfabeto. No texto atual está reduzido. Cada frase é uma virtude da mulher que sabe usar o talento de sua feminilidade como esposa e mãe na administração da casa e a criação dos filhos. Não havia lojas. Ela mesma produzia o fio para fazer as roupas. A vigilância é ser operoso no cumprimento de nosso dever e no uso de nossos talentos. Vamos prestar contas a Deus do tempo perdido. A pobreza espiritual e humana faz perder tempo com tantas coisas desnecessárias e inúteis como a vaidade, a distração vazia e as atitudes inúteis. Deus quer alegria, entusiasmo, participação e empenho na vida social. Mas é preciso vigiar para produzirmos obras no uso dos talentos. O salmo nos convida: “Felizes os que temem o Senhor”. A família é o santuário de viver no temor do Senhor.

FILHOS DA LUZ
Paulo, respondendo às questões que lhe puseram os tessalonicenses, explica como vai ser o dia da vinda do Senhor. Não importa quando, mas que a vida seja operosa vivendo como filhos da luz. É preciso tirar os sinais de morte e implantar os sinais de vida, despertar do sono das obras das trevas, e vestir-se das armas da luz. É caminhar como em pleno dia, sem orgias.  Quais são as trevas que estão em nós? Ou somos luz? Não podemos esperar um Senhor que virá só no fim dos tempos, mas ir ao encontro Daquele que vem na pessoa dos necessitados e nos questionamentos dos sinais dos tempos.


ORAÇÃO

                             
Ó Pai, confiais às nossas mãos frágeis todos os bens da criação. Ajudai-nos para que sejamos servidores incansáveis, multiplicando os frutos da vossa providência e vigilantes esperemos a vossa vinda gloriosa. Amém!