sábado, 10 de outubro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 11/10/2020

  


Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

Arquidiocese de Brasília - DF

 

N

este Domingo vibramos na feliz esperança da ressurreição e da participação no Banquete do Cordeiro. No seu grande apocalipse, Isaías anuncia que o Senhor dos exércitos, após o juízo sobre a humanidade infiel à antiga aliança, preparará “para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos” (Is 25,6), libertando-os de toda cadeia. Este banquete é prefiguração da Eucaristia e do Banquete escatológico antecipado na história pela mesma Eucaristia.

Esta promessa escatológica não nos livra das dificuldades da vida presente. Na segunda Leitura, São Paulo confidencia: “Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. Tudo posso naquele que me dá forças” (Flp 4,12-13). Cheio de gratidão, ele glorifica o Deus providente, que o sustém pelas mãos generosas dos irmãos, e nos conforta na esperança da vida eterna.

Ao dar este banquete, “o Senhor Deus eliminará para sempre a morte, e enxugará as lágrimas de todas as faces” (Is 25,8). Paulo aludirá a esta promessa afirmando que a ressurreição de Cristo comportou a vitória definitiva sobre a morte (cf. 1Cor 15,54-55). João dela se lembrará ao anunciar a salvação que o Cordeiro morto e ressuscitado trará, enxugando toda lágrima e destruindo a morte, a dor e todo pranto (cf. Ap 21,4 e 7,17). Ao pedir que Deus receba os mortos no Seu Reino, a Igreja assume esta esperança: “Unidos a eles, esperamos também nós saciar-nos eternamente da vossa glória, quando enxugardes toda lágrima dos nossos olhos. Então, contemplando-vos como sois, seremos para sempre semelhantes a vós e cantaremos sem cessar os vossos louvores” (Oração Eucarística III).

A primeira Leitura exalta justamente a fidelidade de Deus à Sua promessa. O Evangelho (Mt 22,1-14), contudo, nos faz refletir sobre a exigência de uma adequada resposta humana: “Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?” (v.8). Da parte de Deus tudo está dado. A nossa correspondência, porém, será fruto da experiência exigente da caridade, a veste nupcial. “Ninguém – diz são Josemaría – é excluído da salvação, se livremente abre as portas às amorosas exigências de Cristo” (É Cristo que passa, 180). Para saborear as ricas iguarias e os vinhos mais finos é preciso afastar o coração de tudo o que afasta de Deus.

Bento XVI assim conclui uma meditação sobre esta Parábola do Evangelho de Mateus: “Todos nós somos convidados a ser comensais do Senhor, a entrar com fé no seu banquete, mas devemos vestir e guardar o hábito nupcial, a caridade, viver um profundo amor a Deus e ao próximo” (Homilia, 9.X.2011).

        A Igreja missionária anuncia a alegria e a esperança do Evangelho pelas ruas e encruzilhadas das nossas cidades, convidando todos ao Banquete do Reino.

Bom dia... 10/10/2020


quarta-feira, 7 de outubro de 2020

IMAGENS: Veneração respeitosa, não uma adoração!



Padre Sarmento (*)

 

É

 importante saber que na bíblia, há uma enorme diferença entre ídolos e imagens. Deus em sua bíblia condenou os ídolos (ex. 32, 1-5), mas ao mesmo tempo mandou fazer imagens. Você acredita? Pois bem, pegue sua bíblia e leia no livro de êxodo 25, 18-22; 37, 7-9. Deus não só mandou fazer imagens de anjos, como também declarou que falaria solenemente para o povo, do meio das duas imagens de querubins (Números 7, 8-9; 2 Samuel 6,2).

Além das imagens de anjos, Ele também mandou fazer imagem de uma serpente para o povo olhar para ela (Números 21,4-9), e Jesus reconheceu o valor simbólico dessa imagem que era uma prefiguração da sua morte na cruz (João 3,14).

O templo de Deus, construído ricamente pelo rei Salomão, estava cheio de imagens de escultura e javé se manifestou nesse templo e o encheu de sua glória; (Ezequiel 41, 17-20; 43,4-6). Nesse templo havia até imagens gigantes (I Reis 6,23-35 e 2 Crônicas 3,10-14). Tinha a serpente de bronze, querubins de ouro, grinaldas de flores, frutos, árvores, leões... etc. (Números 21,9; êxodo 25,13; Ezequiel 1,5;10,20; I Reis 6, 1B, 23; Números 8,4).

Depois de termos todas as passagens bíblicas aqui citadas, concluímos que não é ruim termos uma imagem como recordação de um fato ou de uma pessoa a quem amamos. A propósito, até mesmo os nossos irmãos protestantes que tanto nos criticam e nos julgam injustamente têm imagens em suas casas e em suas igrejas, como: a Arca de Noé; de Moisés e o povo de Deus atravessando o Mar Vermelho; da Natureza; Matas e até da própria bíblia.

“É certo que Deus proibiu fazer ídolos, porque o povo correria o risco de adorar a deuses estranhos, como aconteceu no deserto quando o povo abandonou a Javé, fabricou e adorou um Bezerro de Ouro, como se fosse Deus”.

Precisamos, porém, entender que nossas imagens não são ídolos, mas recordações dos nossos irmãos na fé. Ídolo é aquilo que toma o lugar de Deus. Assim, os maiores ídolos de hoje são: o poder, o prazer, as riquezas… quando causam injustiças, exploração, corrupção e morte.

É bom que fique bem claro que nós católicos não adoramos a nenhuma imagem, nenhum objeto e nenhuma pessoa humana, pois a igreja nunca ensinou nem mandou adorar a quem quer que seja; mas sempre ensinou em sua doutrina que devemos adorar unicamente a Deus, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. “A honra devolvida nas santas imagens é uma veneração respeitosa, não uma adoração. Pois, esta convém unicamente a Deus”.

 

*PADRE SARMENTO: Faleceu em 26 de maio de 2013, com a saúde fragilizada, mas lúcido, aos 97 anos, o cônego Luiz Geraldo Wanderley Sarmento, mais conhecido como “Padre Sarmento”, que por 64 anos, foi pároco da Igreja de São Benedito, no Centro de Maceió.

Bom dia... 07/10/2020


sábado, 3 de outubro de 2020

Bom dia... 03/10/2020

 


REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 04/10/2020


 

“ARRENDARÁ A VINHA A OUTROS VINHATEIROS…”

 

Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

Arquidiocese de Brasília – DF 

O

 mês de outubro é tradicionalmente dedicado ao Santo Rosário e às Missões. No Brasil, as Pontifícias Obras Missionárias, em colaboração com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e outros organismos, realiza a Campanha Missionária, que neste ano reflete sobre o tema “A vida é missão”, inspirando-se em Isaías 6,8: “Eis-me aqui, envia-me”. A Igreja de Brasília acolhe a Campanha com o propósito de robustecer o seu ardor missionário e, assim como o Papa Francisco disse aos católicos chineses, nós também suplicamos “uma nova efusão do Espírito Santo, para que em vós possam resplandecer a luz e a beleza do Evangelho, poder de Deus para a salvação de quem acredita”.

A Igreja se reconhece na belíssima imagem da Vinha do Senhor apresentada pelo profeta Isaías (cf. LG 6). Este cântico nupcial mostra o amor e os cuidados do Senhor com a Sua vinha: “O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz?” (Is 5,4), embora num dado momento tenha dela se desencantado. Por isso o começo lírico se converte depois em anúncio de castigos. A casa de Israel deverá reconhecer a sua culpa para voltar a produzir “frutos de justiça e obras de bondade” (5,7). Do contrário, como veremos no Evangelho, o Senhor confiará a vinha a novos vinhateiros: o novo Israel. As vicissitudes históricas do povo da primeira Aliança se tornarão ocasião para a abertura universal do anúncio da salvação.

 Na parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-43), Jesus se refere ao rechaço de Israel a seu Deus e à decisão divina de criar para Si um novo povo. Começa com uma evocação implícita da profecia narrada na primeira leitura (Is 5,1-7), dirigindo-se às classes dirigentes de Israel. Deus enviou os profetas, que não recolheram os frutos por Ele desejados, e foram maltratados ou mortos.

Finalmente, Jesus se refere a Si mesmo: o divino Vinhateiro enviou Seu Filho. Os profetas eram servos, Jesus é o Filho. Mateus, que escreve para judeus, é o único a dizer que Deus entregará a vinha a um outro povo, aludindo assim à Igreja, novo povo de Deus, que sofre perseguição como o seu Senhor.

 O Apóstolo Paulo, já preso por causa do Evangelho, dirige-se aos filipenses, também imersos em adversidades. Ele exorta-os a depositar a confiança no Senhor através da oração: “Irmãos, não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças” (Fl 4,6). Se o Senhor, o Esposo, a verdadeira Videira, do qual os filipenses são novos sarmentos, é perseguido, também os ramos o serão. Portanto, é preciso confiar no Senhor, “ocupando-nos de tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro…”, e o Deus da paz estará com a Sua Vinha, com o Seu povo.

 Com o Rosário, a oração dos simples, suplicamos neste mês a graça de sermos sempre uma Igreja Missionária.

sábado, 26 de setembro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – 27/09/2020

  


Pe. Fábio Evaristo R. Silva, C.Ss.R.

Folheto litúrgico Deus Conosco - Ed. Santuário

 

D

eus nos convida, nos chama, convoca. É preciso unir a Palavra com nossos gestos e atitudes. Deus quer contar conosco para construirmos uma sociedade renovada pela justiça, pela fraternidade e pela paz. Diante desse projeto de vida, podemos assumir duas atitudes: dizer "sim" ou "não" à vontade de Deus. E ao celebrarmos o Dia Nacional da Bíblia, que a Palavra libertadora do Senhor alcance nosso coração. 

Na Liturgia da Palavra, Deus nos fala que devemos ter os mesmos sentimentos e atitudes de Cristo para segui-lo fielmente. Ele dispensou sua realeza para viver a simplicidade da vida.

Em diversas ocasiões nos evangelhos encontramos Jesus falando sobre a importância de uma vida coerente, isto é, uma vida onde as palavras e as ações não se contradizem, mas estão profundamente interligadas. Jesus aponta com frequência para o que deve caracterizar seus discípulos: saber colocar em prática a vontade do Pai, demonstrando por suas obras o quanto amam a Deus.

É assim que compreendemos suas palavras: "Nem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mt 7,21). Tal como no tempo de Jesus, hoje também é possível encontrar alguém que, com sua capacidade de orar e comunicar-se, com seus conhecimentos sobre Bíblia ou religião, arranque lágrimas das outras pessoas. Por vezes, não passam de palavras vazias, infecundas.

Na parábola dos dois filhos que mudaram de atitude vemos um típico exemplo de que as palavras, assim como as ideologias, podem muitas vezes nos enganar. Só conhecemos verdadeiramente o coração do ser humano por suas obras: "Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros" (Jo 13,35).

O "sim" que os discípulos de Jesus são chamados a dizer deve ser respondido com consciência e maturidade, para que seja verdadeiro "sim", e não fruto de um mero momento de euforia. Nossa tarefa de cada dia consiste em renovar o nosso "sim", fazendo-o todas as vezes com mais profundidade, reafirmando-o sobretudo com nossas práticas.

Ao dizer que os cobradores de impostos e as prostitutas serão os primeiros a alcançar o Reino de Deus, Jesus aponta para a fragilidade daqueles que se acham perfeitos e melhores que os outros. Mostra-nos também que devemos nos colocar em permanente atitude de conversão, pois sempre estamos sujeitos a cair. Os que se acham "santos" são muito facilmente propensos ao erro, pois acabam perdendo-se na sua soberba e se fecham à graça divina.

Ao contrário, os pecadores são mais abertos para acolher a graça, pois têm consciência de sua precariedade e confiam apenas na misericórdia de Deus. Precisamos responder ao chamado de Deus nos atos cotidianos, nas relações interpessoais, nas próprias escolhas. Fazendo assim, caminha-se na justiça e no testemunho fidedigno do Reino de Deus.

Bom dia... 26/09/2020

 


sábado, 19 de setembro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 20/09/2020


Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

Arquidiocese de Brasília – DF

 

A

Palavra é a verdade que surpreende e ensina que os nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus. Faz ver que não é segundo os critérios humanos que o bom Deus recompensa os operários do Reino.

A primeira leitura salienta o convite de Isaías a buscar “o Senhor enquanto pode ser achado … enquanto está perto” (Is. 55,6). Na sequência, ele fala do nosso Deus generoso no perdão, ao contrário dos que nesses tempos carregamos uma espécie de sanha punitivista contra quem é ou consideramos ímpio, corrupto, injusto. Deus está sempre disposto a resgatar mediante o perdão a ser dado vezes sem conta, como se dizia no Evangelho da semana passada. Basta que o pecador o invoque, “pois Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente” (Sl. 144,18).

A comunidade de Filipos, à qual Paulo falou do paradoxo da “kenosis” ou da aniquilação de Cristo como caminho da salvação do gênero humano, recebe dele o testemunho de entrega e de amor ao Senhor Jesus: “Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte” (Flp. 1,20). No versículo seguinte, ele completa dizendo que Jesus é o sentido de sua vida e de sua morte: “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Trata-se do encontro com o Senhor. “É um sentido novo da vida, da existência humana, que consiste na comunhão com Jesus Cristo vivo; não só com uma personagem histórica, um mestre de sabedoria, um líder religioso, mas com um homem no qual Deus habita pessoalmente. A sua morte e Ressurreição é a Boa Nova que, partindo de Jerusalém, se destina a alcançar todos os homens e povos, a partir de dentro das culturas, abrindo-se à verdade fundamental: Deus é Amor, fez-se homem em Jesus e com o seu Sacrifício resgatou a humanidade da escravidão do mal dando-lhe uma esperança certa” (Bento XVI, Ângelus 18/09/2011).

A parábola que Jesus conta (Mt. 20,1-16) sobre o vinhateiro que, em diversas horas do dia, chama trabalhadores para a sua vinha e, ao cair da tarde, dá a todos o mesmo salário, torna-se causa do protesto dos trabalhadores da primeira hora. Parecia-lhes injusto ter recebido a mesma moeda dada também como paga àqueles que só começaram a trabalhar ao entardecer: faltou – diríamos hoje – isonomia. Mas a moeda dada a cada um representa a vida eterna. Deus não pode dar menos do que a vida eterna aos “primeiros” ou aos “últimos”. Além disso, o Senhor não tolera “desemprego” na Sua vinha. Na verdade, a primeira recompensa do operário da Vinha do Senhor consiste precisamente na honra de ser chamado à missão do próprio Vinhateiro divino. Só quem trabalha por amor ao Senhor e ao Seu Reino entende isso. Quem trabalha por um prêmio de qualquer outra natureza, nunca compreenderá que a vocação é “Dom e Mistério” (São João Paulo II).

Maria, a Virgem que sabe ouvir a Palavra, nos ajude a responder “sim” ao chamamento do Senhor para trabalhar na Sua Vinha.

Bom dia... 19/09/2020


sábado, 12 de setembro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 13/09/2020

 


SENHOR, QUANTAS VEZES DEVO PERDOAR?

Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

Arquidiocese de Brasília-DF

A

o rezarmos o Pai Nosso, fazemos uma súplica exigente: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com estas palavras ensinadas pelo próprio Senhor Jesus, nós pedimos o perdão das nossas faltas oferecendo ao Pai, que não se cansa de perdoar, a medida do perdão que desejamos receber.

    Já no Antigo Testamento lemos que: “Se (alguém) não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão a Deus?” (Eclo. 28,4). O mesmo sábio aconselha: “Perdoa ao próximo que te prejudica, assim, quando orares, teus pecados serão perdoados” (28,2). Esta palavra já nos aproxima da revelação Evangélica da centralidade do perdão e da misericórdia na vida dos filhos de Deus.

    Mesmo o salmista, ao convidar a própria alma a bendizer ao Senhor lembrando-se dos imensos benefícios que o Senhor lhe fez, diz: “Ele te perdoa toda culpa, cura toda tua enfermidade … como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem” (Sl. 102,3.13).

    Na segunda leitura, o Apóstolo sugere aos cristãos de Roma que na comunidade Cristã nada há de essencial senão a pertença radical a Jesus, pois “quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor”, que “morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos” (Rm. 14,8-9). E o fez realizando a reconciliação do gênero humano com o Seu Pai e nosso Pai.

    Na sequência da tradição bíblica do perdão e levando-a ao seu pleno cumprimento, Jesus universaliza o sentido do próximo e estabelece o vínculo entre o perdão recebido e o perdão dado (cf. Mt 18, 21-35). São João Paulo II assim comenta o diálogo entre Jesus e Pedro: “Cristo sublinha com insistência a necessidade de perdoar aos outros. Quando Pedro lhe perguntou quantas vezes devia perdoar ao próximo, indicou-lhe o número simbólico de «setenta vezes sete», querendo desta forma indicar-lhe que deveria saber perdoar sempre a todos e a cada um”. (Dives in misericordia, n. 14).

    A parábola que ilustra a resposta de Jesus a Pedro, coloca salienta o contraste hiperbólico entre a magnanimidade do senhor que perdoa uma soma incalculável representada pelos dez mil talentos (mais de dois bilhões de denários) e a mesquinhez do criado para com o companheiro que lhe devia apenas cem denários, ou seja, cem vezes o salário de um dia.

    O exercício contínuo e generoso do perdão nos configura cada vez mais a Cristo, que “me amou e Se entregou por mim”. E nós confiamos este desejo à intercessão d’Aquela que não cessa de proclamar «a misericórdia, de geração em geração» e também a daqueles em que já se realizaram até ao fim as palavras do Sermão da Montanha, «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (cfr. Id., n. 15).

Bom dia... 12/09/2020


sábado, 5 de setembro de 2020

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 06/09/2020

 


SE TEU IRMÃO PECAR CONTRA TI…

 

D

esde a década de 70, a Igreja no Brasil dedica o mês de setembro à promoção do conhecimento da Bíblia entre os católicos. Este mês foi escolhido porque nele se celebra a memória de São Jerônimo, Doutor da Igreja, patrono dos cultores das Escrituras Santas. Ele traduziu a Bíblia para a língua dos romanos a pedido do Papa Dâmaso. Sua tradução foi adotada na liturgia católica e ficou conhecida como “Vulgata”, por seu latim popular, simples e belo. A tradução brasileira usada na liturgia foi feita a partir das línguas originais e cotejada com a Nova Vulgata, revisada por especialistas a pedido de São Paulo VI.

 

Neste mês, portanto, a Igreja no Brasil «exorta com ardor e insistência todos os fiéis a que aprendam “a sublime ciência de Jesus Cristo” (Fl. 3,8) na leitura frequente da Sagrada Escritura» (CIC n. 133), porque, como dizia S. Jerônimo, “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” (Comentário a Isaías). Peçamos a sua intercessão para aprendermos a conhecer e amar as Escrituras Sagradas.

 

Neste Domingo, a liturgia da Palavra nos orienta para uma atitude oposta à de Caim, que ao matar o irmão, retrucou a Deus: “por acaso sou guarda do meu irmão?” (Gn. 4,9). O desinteresse pela vida do irmão, por suas quedas ou afastamento de Deus, não é respeito, é escárnio, desprezo. Cada irmão nosso vale o caro preço do Sangue de Cristo.

 

Já na primeira Aliança, Deus exortava o profeta Ezequiel a cuidar da casa de Israel, orientando e corrigindo o ímpio, isto é, o pecador injusto: “Se eu disser ao ímpio que ele vai morrer, e tu não lhe falares, advertindo-o a respeito de sua conduta, o ímpio vai morrer por própria culpa, mas eu te pedirei contas da sua morte” (Ez 33, 7-9). A correção omitida acarreta responsabilidade pela vida do ímpio, mas a correção realizada traz a salvação àquele que corrige.

 

Ao convidar-nos a não fechar os corações, o Espírito Santo nos chama pela pena do Salmista a ouvir “hoje a voz do Senhor” (Sl. 94). Por meio do Apóstolo dos gentios, a Sua voz nos diz para não ficar “devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo toda a Lei” (Rm 13,8).

 

Quando por meio de obras de misericórdia espirituais oferecemos nosso amor aos que padecem no erro, é a Cristo que adoramos: “O que fizestes a um destes pequeninos, a mim o fizestes”. Por isso, no Evangelho (Mt 18,15-20), Jesus nos ensina o modo de fazer a correção fraterna e as etapas a cumprir ao corrigir os que erram. Vale a pena meditar durante esta semana sobre as palavras de Jesus, pedindo-lhe as luzes e a força para colocá-las em prática. A capacidade de fazer correção fraterna é um índice de maturidade cristã e, como nos ensina o Papa Francisco, um remédio eficaz contra a maledicência.

 

Nossa Senhora nos ajude a ser atentos à voz do Espirito Santo que fala nas Escrituras.


Fonte: Palavra do Pastor - Arquidiocese de Brasília-DF.

Bom dia... 05/09/2020