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Solenidade de São Pedro e São Paulo nos
convida a celebrar os dois grandes pilares da Igreja. Embora tivessem
personalidades, origens e missões muito diferentes, ambos foram unidos pelo
mesmo amor radical a Jesus Cristo e pelo derramamento do próprio sangue em
Roma.
Esta festa não celebra a perfeição humana, mas a força
da graça divina que transforma a fraqueza em rocha e o perseguidor em apóstolo.
No Evangelho desta solenidade (Mt 16,13-19),
Jesus afasta-se com os discípulos e lança uma pergunta que ecoa através dos
séculos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?".
Após as respostas superficiais da multidão, Jesus personaliza o questionamento:
"E vós, quem dizeis que eu sou?".
Simão toma a palavra e professa a fé que sustenta a
Igreja: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". A
resposta de Jesus transforma o pescador da Galileia na pedra visível da
comunhão: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha
Igreja". A autoridade dada a Pedro — o poder das chaves, de ligar
e desligar — não é um privilégio de honra, mas uma primazia de serviço e
garantia da unidade da fé.
A primeira leitura (At 12,1-11) ilustra como as
forças do mal e as perseguições políticas tentam sufocar a Igreja nascente.
Pedro estava acorrentado na prisão, mas a comunidade exercia sua maior força: "a
Igreja rezava continuamente a Deus por ele".
A intervenção do anjo que quebra as correntes e abre
as portas de ferro demonstra que nenhuma estrutura de opressão humana pode
prender a Palavra de Deus ou deter o avanço do Reino. O Salmo 33(34) confirma
essa realidade ao nos fazer cantar com confiança: "De todos os
temores me livrou o Senhor Deus". Deus cuida daqueles que gastam a
vida pelo Evangelho.
Enquanto Pedro guarda as chaves e a unidade em Roma,
Paulo gasta a vida consumindo-se pelo anúncio aos pagãos. Na segunda leitura (2Tm
4,6-8.17-18), encontramos um Paulo ancião, preso e consciente da
proximidade do seu martírio. Suas palavras são um testamento espiritual
comovente: "Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a
fé".
Paulo experimentou o abandono humano, mas testemunha a
fidelidade divina: "O Senhor esteve a meu lado e me deu forças, para
que, por meu intermédio, a mensagem fosse plenamente anunciada". O
mesmo Deus que libertou Pedro das correntes da prisão libertou Paulo do
desespero, preparando para ele a coroa da justiça.
Celebrar Pedro e Paulo no contexto atual da
Igreja nos convida a atualizar três atitudes fundamentais:
- Firmar nossa
resposta pessoal: Jesus continua
a perguntar a cada um de nós quem Ele é em nossas vidas. Nossa fé não pode
ser baseada no que os outros dizem, mas em uma experiência viva e pessoal
com o Ressuscitado.
- Rezar pela
unidade e pelo Papa: Esta
solenidade celebra também o Dia do Papa. Assim como a Igreja
primitiva rezava por Pedro na prisão, somos convocados a sustentar o
Sucessor de Pedro com nossas orações, garantindo a comunhão na caridade.
- Assumir o
espírito missionário: O
dinamismo de Paulo nos lembra que uma Igreja que não evangeliza adoece.
Somos chamados a sair de nossas zonas de conforto para levar a luz do
Evangelho aos ambientes mais distantes e necessitados.
Que o testemunho e o sangue destes dois grandes
apóstolos renovem o nosso amor a Cristo e a fidelidade à Sua Igreja.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.





































