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liturgia
deste 19º Domingo do Tempo Comum nos convida a fazer uma pergunta fundamental
para a nossa vida espiritual: Onde procuramos a Deus quando as tempestades
da vida nos assustam?
As leituras de hoje
quebram as nossas expectativas humanas. Nós costumamos associar a presença de
Deus ao extraordinário, ao barulho, à força esmagadora. No entanto, a Palavra
de Deus nos mostra que Ele prefere a pedagogia da brisa leve e do recolhimento.
Na Primeira Leitura,
encontramos o profeta Elias. Ele está escondido em uma gruta, com medo,
deprimido e fugindo de quem queria matá-lo. Elias esperava ver a manifestação
de Deus no furacão, no terremoto ou no fogo — elementos que tradicionalmente
demonstram poder. Mas a Escritura é categórica: Deus não estava neles.
Muitas vezes, não
escutamos a Deus porque o nosso coração está cheio de barulho. O barulho das
preocupações, das redes sociais, da ansiedade. É no recolhimento interior que
recuperamos as forças para continuar a caminhada.
No Evangelho, vemos os
discípulos enfrentando outra noite escura. Jesus os envia na frente, de barca,
enquanto Ele sobe o monte para rezar a sós. De madrugada, a barca é agitada
pelas ondas e pelo vento contrário.
Quantas vezes a nossa
vida se parece com essa barca? A barca da família enfrentando crises. A
barca da saúde que vacila. A barca da Igreja ou da sociedade
navegando em tempos difíceis.
Quando Jesus se
aproxima caminhando sobre as águas, os discípulos não o reconhecem. Eles gritam
de medo, achando que é um fantasma. O medo cega. O medo nos faz confundir a
presença salvadora de Jesus com uma ameaça. Mas a voz do Mestre imediatamente
acalma o coração: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!"
Pedro, sempre
impetuoso, pede uma prova: "Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu
encontro sobre as águas". Jesus diz apenas: "Vem".
Pedro dá os primeiros
passos. Enquanto ele mantém os olhos fixos em Jesus, ele caminha sobre o
impossível. Mas o texto nos diz que, ao sentir a força do vento, Pedro
teve medo e começou a afundar.
O erro de Pedro não foi
a tempestade; foi desviar o olhar de Jesus e focar apenas no tamanho do
problema. Quando olhamos apenas para as dificuldades, nós afundamos. Mesmo
afundando, Pedro nos ensina a oração mais sincera e curta do Evangelho: "Senhor,
salva-me!". Imediatamente, Jesus estende a mão e o segura. Jesus não
deixa Pedro morrer; Ele o corrige com amor: "Homem fraco na fé, por que
duvidaste?".
Assim que Jesus e Pedro
sobem na barca, o vento se acalma. Os discípulos, maravilhados, prostram-se
diante de Jesus e proclamam: "Verdadeiramente, tu és o Filho de
Deus!".
A mensagem central
deste domingo é um convite à confiança total. Paulo, na Segunda Leitura, sofre
pelos seus irmãos que ainda não acolheram a Cristo, mostrando que a fé é o
maior tesouro que podemos possuir.
Não importa o tamanho
do vento contrário que você esteja enfrentando nesta semana. Não enfrente a
tempestade sozinho. Convide Jesus para entrar na sua barca. Fixe os seus olhos n’Ele,
escute a Sua voz na brisa mansa da oração e confie. Ele é o Senhor que caminha
sobre as nossas crises e nos segura pela mão.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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