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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

COMO A RELIGIOSIDADE TRANSFORMA O AMBIENTE DE TRABALHO

 

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assamos a maior parte do nosso dia no ambiente de trabalho. Diante das cobranças por produtividade, prazos apertados e a constante busca por resultados, é comum que o estresse e o esgotamento tentem se instalar. No entanto, para o trabalhador cristão, o ambiente profissional não é apenas um lugar de deveres seculares, mas também um campo fértil para vivenciar os valores do Evangelho.

A expressão da fé no ambiente corporativo traz benefícios profundos, tanto para o indivíduo quanto para as organizações. A seguir, destacamos como a religiosidade atua como um farol de bem-estar e integridade no mercado de trabalho.

RESILIÊNCIA DIANTE DAS ADVERSIDADES

A vida profissional é repleta de desafios e frustrações. A fé oferece uma perspectiva eterna que ajuda a superar crises temporárias. O trabalhador que confia nos planos de Deus desenvolve uma paz interior que o guarda do desespero em momentos de pressão. Saber que o valor de um indivíduo não reside apenas em seu cargo ou salário, mas em sua identidade como filho de Deus, traz uma imunidade espiritual contra o esgotamento emocional (burnout).

ÉTICA E INTEGRIDADE INABALÁVEIS

Os princípios bíblicos são a base para uma conduta moral exemplar. Profissionais guiados pela fé praticam a honestidade, a transparência e a justiça, mesmo quando ninguém está olhando. Isso se traduz em menos conflitos de interesse, maior confiabilidade e um ambiente onde a palavra empenhada tem valor. A presença de colaboradores íntegros eleva o padrão ético de toda a equipe.

PROMOÇÃO DA EMPATIA E DO COMPANHEIRISMO

O mandamento de amar ao próximo transforma as relações interpessoais no escritório ou na fábrica. Onde há competição predatória, a fé introduz a cooperação, o perdão e o suporte mútuo. Profissionais religiosos tendem a ser mais acolhedores, ouvindo os colegas com atenção e estendendo a mão em momentos de dificuldade pessoal ou técnica, o que humaniza o ambiente corporativo.

O TRABALHO COMO PROPÓSITO E MISSÃO

Quando enxergamos nossas tarefas diárias como uma forma de servir a Deus e ao próximo, a monotonia desaparece. Como nos orienta a Palavra em Colossenses 3:23 "Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor". Essa visão transforma a rotina em um ato de adoração, gerando mais capricho, dedicação e excelência na entrega dos serviços.

CONCLUSÃO

    Levar a religiosidade para o trabalho não significa impor crenças, mas sim manifestar o perfume de Cristo através de atitudes. Um ambiente de trabalho que respeita e acolhe a fé de seus colaboradores colhe os frutos de uma atmosfera mais harmoniosa, produtiva e, acima de tudo, humana. Que possamos ser luz em nossos postos de trabalho, honrando a Deus em cada detalhe do nosso dia.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

O CRISTÃO NA POLÍTICA, SEGUNDO O PAPA BENTO XVI

 

por Reinaldo Gonçalves (*)

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 Papa Bento XVI exortou os cristãos a não terem medo de um compromisso político, durante uma missa ao ar livre em Viterbo, cidade ao norte de Roma que foi sede do papado durante 24 anos no século XIII. “Não tenham medo de demonstrar vossa fé nos diferentes círculos sociais, nas múltiplas situações da existência”, declarou o Sumo Pontífice, recordando ainda a vocação dos cristãos “de viver o Evangelho”, destacando que isto corresponde justamente ao “compromisso social, à ação política”.

Tal declaração vem em boa hora, quando no limiar de mais um pleito político, discute-se se a Igreja deve ter atuação política ou ser simplesmente sacramental. Este tipo de questionamento até faz lembrar as ridículas questiúnculas escolásticas. Adão tinha umbigo? O homem tinha uma costela a menos que a mulher? Os anjos eram assexuados ou não? A mulher tinha alma?

Aproveitemo-nos de Santo Agostinho para questionar o problema: O grande doutor da Igreja disse com muita propriedade “que a Igreja foi feita para o homem e não o homem para a Igreja”, afirmação que se assemelha a que Cristo fez: “a lei foi feita para o homem e não o homem para a lei”.

O homem é o maior valor existente no mundo. Tudo foi criado por Deus em razão do homem e para o homem, que é o centro nevrálgico de toda a ordem social, cósmica e telúrica. O homem está inserido num contexto de universalidade, abrangente de todos os valores existentes. Nada, portanto, existe no mundo fora do homem ou que a ele não interesse.

O homem é uma totalidade de valores imanentes, e anseios e conquistas, de caminhos a percorrer, de mundos a criar. Da mesma maneira que se não podem estrangular as palpitações de vida, que gravitam nas entranhas de uma semente, assim não se pode emascular a inteligência, a vontade e a sensibilidade do homem. Ele é por essência, por natureza, por destinação, por impulsos instintivos, um ser social, um ser construtor e operário, um ser econômico, político, moral e religioso.

    A Igreja, na sua missão evangelizadora, tem que proceder como Cristo, que tomou o homem com a totalidade dos seus valores e das suas contingências. A Igreja não vai retalhar o homem em pedaços: este é meu, esse do Estado, aquele da família. Esta parte é religiosa mas aquela é política etc. O homem não é só corpo nem somente espírito. É uma síntese. Não existe esta dicotomia entre a psicologia e a fisiologia. Entre o espiritual e o material.

Negar a igreja o direito de interessar-se pelos problemas sociais, econômicos e políticos do homem, é estrangular e mutilar a sua missão de redentora do homem, e ferir este homem nos direitos primaciais que constituem a sua personalidade e os valores imanentes do seu ser.

O grande mal é que os homens abastardaram tanto a política que julgam e apreciam o comportamento da Igreja segundo essa visão míope e deformada. Sem embargo, alguns cristãos olham às vezes a Igreja como se estivessem à margem dela. Tomam distância da Igreja como se a relação dela com Jesus Cristo, seu fundador, fosse acidental e ela tivesse surgido como uma consequência ocasional de sua vida e de sua morte.

Portanto, essa Igreja, com doutrina e exemplo, nos exorta a ocupar-nos não só das coisas do espírito, mas também das realidades deste mundo e da sociedade humana de que somos parte. Nos exorta a comprometermo-nos na eliminação das injustiças, a trabalhar pela paz e a superação do ódio e das violências em todos os sentidos. Nos exorta a promover a dignidade do homem, sentirmo-nos responsáveis pelos pobres, os enfermos, os marginalizados e oprimidos, os refugiados, os exilados e deslocados, assim como de tantos outros aos quais deve chegar nossa solidariedade.

 (*) Reinaldo Gonçalves - Macapá (AP), foi Coordenador Regional Norte do Movimento Familiar Cristão (MFC) e faleceu em 4 de dezembro de 2010.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

A MISSÃO DO CASAL CRISTÃO

 

“A ação apostólica dos fieis leigos consiste; antes de qualquer coisa, em tornar a família consciente da sua identidade de primeiro núcleo fundamental da sociedade".

“A família cristã é a primeira e mais básica comunidade eclesial. Nela se vivem e se transmitem os valores fundamentais da vida cristã. Ela se chama "IGREJA DOMÉSTICA". Aí, os pais desempenham o papel de primeiros transmissores da fé a seus filhos, ensinando-lhes através do exemplo e da palavra, a serem verdadeiros discípulos missionários." (Documento de Aparecida 204)

C
hamados ao matrimônio o casal cristão abraça livremente a vocação de seguir a Cristo e de se por ao serviço do reino de Deus todos os dons decorrentes da graça matrimonial.
    O matrimônio é para os cônjuges uma profissão de fé feita dentro da Igreja e com a Igreja, comunidade dos que professam o cristianismo.
     Esta profissão de fé exige o seu prolongamento no decurso da vida dos esposos e da família.
  No matrimônio Deus continua a chamá-los dentro dos fatos e através dos fatos, dos problemas, das dificuldades, dos acontecimentos da existência de todos os dias.
  A família cristã, sobretudo hoje, tem uma especial vocação para ser testemunha da aliança pascal de Cristo, mediante a irradiação da alegria do amor e da certeza da esperança; da qual deve tornar-se um reflexo.
   A Igreja doméstica é chamada a ser um sinal luminoso da presença de Cristo e do seu amor neste mundo, mesmo para os "afastados", para as famílias que ainda não creem e para aquelas que já não vivem em coerência com a fé recebida: é chamada com o exemplo e com o testemunho a iluminar aqueles que procuram a verdade.
    Vejamos o que disse Paulo VI:
“A família, como a igreja, deve ser um lugar onde se transmite o Evangelho e donde o Evangelho irradia”.
"O ministério de evangelização e de catequese da Igreja doméstica deve permanecer em comunhão íntima e deve harmonizar-se responsavelmente com todos os serviços de evangelização e de catequese presentes e operantes na comunidade eclesial, quer diocesana quer paroquial."
    A Igreja por sua parte sabe que o futuro da humanidade e da própria Igreja passa através da família.
SITUAÇÃO E MISSÃO DA FAMÍLIA
  A salvação da pessoa humana está estreitamente ligada ao bem estar da comunidade conjugal e familiar. Este bem estar por vezes está ameaçado pelo egoísmo, pelo hedonismo (tudo está condicionado ao prazer próprio) e por práticas ilícitas contra a geração. De resto, as condições econômicas, sociopsicológicas e civis de hoje em dia acarretam não leves perturbações na família.
    As mudanças de conceitos, preconceitos; a globalização interfere cada vez mais na educação dos filhos. Muitas vezes com ideias alheias ao senso cristão.
    A situação de degradação que se encontram várias famílias de hoje coloca em risco não só a saúde da igreja (por deixar de cumprir seu papel profético), Mas também de toda a sociedade humana. A Igreja olha com preocupação e procura meios para sanar as adversidades que se levantam contra a família nos tempos atuais.
    A 5ª Conferência do Episcopado Latino Americano, no Caribe, teve como tema: "Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que Nele nossos povos tenham vida""Eu sou o caminho, a verdade e a vida".     Vejamos o que diz Jo 14,6: Um pequeno fragmento do Documento de Aparecida. "Ser cristão não é uma carga, mas um dom”.
    A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus.
    Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra é nossa alegria. (Documento de Aparecida 28 e 29)

Fonte: Jornal Atuação Nº 161 - Pag. 5 - Movimento Familiar Cristão (MFC).

quarta-feira, 3 de abril de 2024

TEMPO PASCAL

 

José Lisboa Moreira de Oliveira

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 Carta aos Colossenses afirma que a pessoa cristã já vive como ressuscitada e, como tal, é convidada a comprometer-se com ações que expressem o essencial dessa condição que é a prática do amor ao próximo (Cl 3,1-17).

    Isso nos autoriza a dizer que a celebração da Páscoa cristã, enquanto memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus, precisa ser traduzida em atos e gestos concretos de amor ao próximo, distintivo único e fundamental da identidade do discípulo e da discípula de Jesus (Jo 13,15).

    Assim sendo, a celebração da Páscoa deve ser uma verdadeira primavera que expulse todo e qualquer mofo e frieza da Igreja e a faça pulsar de vitalidade e de acolhida da vida. Não cabe celebrar a Páscoa num contexto de rigidez e de falta de misericórdia, num ambiente em que as leis e as normas estão acima da vida das pessoas (Mc 3,1-5).

Não haverá Páscoa de Jesus numa Igreja que condena e discrimina certos filhos e certas filhas de Deus; que reserva os bancos de seus templos para aqueles que se autoproclamam perfeitos e merecedores do céu. Além disso, a Páscoa deve ser a festa da libertação dos pobres e dos oprimidos. E não se trata apenas de uma falsa libertação "espiritual”, cuja recompensa é uma vida futura, programada para depois da morte.

Trata-se, como nos mostra a experiência do Êxodo, de uma libertação a ser realizada aqui nesta terra. Uma libertação que inclui terra, casa, comida, emprego, saúde, escola etc.

E para celebrar esta Páscoa os cristãos e as cristãs precisam, como Javé, ver a opressão, descer até o submundo dos pobres, sentir o cheiro da pobreza, tocar com os pés e as mãos os sofrimentos dos injustiçados e excluídos e permanecer comprometidos com as suas lutas por dias melhores (Ex 3,7-10).







JOSÉ LISBOA MOREIRA DE OLIVEIRA. Filósofo. Doutor em teologia. Ex-assessor do Setor Vocações e Ministérios/CNBB. Ex-Presidente do Inst. de Past. Vocacional. Foi gestor e professor do Centro de Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

A IMPORTÂNCIA DO JEJUM NA VIDA DO CRISTÃO

Jonathan Ferreira

Missionário da Comunidade Canção Nova

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 jejum é uma das práticas espirituais mais antigas. São inúmeros os exemplos ainda no Antigo Testamento sobre essa prática. Moisés, Elias, Daniel, os profetas, Joel, Jeremias, Isaías e tantos outros exortaram a respeito deste tema. Nos Evangelhos, temos o próprio Jesus dando o exemplo: “Jejuou quarenta dias e quarenta noites.” (Cf Mt 4,2); e exortou os discípulos para que assim também o fizessem: “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Cf Mt 17, 21).

Os apóstolos jejuavam, posteriormente os padres da Igreja e igualmente os inúmeros santos da Igreja Católica ao longo da história. É certo que estamos falando de uma prática espiritual consolidada e eficaz. Para que não haja confusão, precisamos definir o que é o jejum: trata-se da privação daquilo que é alimento. Portanto, não estamos falando de deixar de assistir à TV, abster-se de redes sociais ou simplesmente não comer doces ou não beber refrigerante. Todas essas coisas entram na categoria de penitências, favorecem a vida ascética, mas não é jejum propriamente dito conforme a Igreja ensina. Uma forma de fazer jejum é a seguinte, ao longo do dia, a pessoa deve tomar apenas uma única refeição completa que seja capaz de saciá-la, mas que não contenha excessos, e, ao longo do mesmo dia, outras duas refeições modestas, como lanches simples que mantêm o caráter penitencial e austero do jejum. Também é possível praticar o jejum da seguinte forma, uma refeição completa sem exageros, mas que sacie e, ao longo do mesmo dia, dois ou mais momentos em que se come pão.

Em um dia de jejum, como em um dia normal, é necessário sempre se hidratar tomando muita água e não devemos deixar de tomar remédios, caso necessário. Não devemos ter lanchinhos, “beliscar” as coisas da cozinha, chupar balas etc., esse hábito foge do caráter de austeridade que o jejum exige.

Segundo o ensinamento da Igreja, os dias obrigatórios para o fiel praticar o jejum são: a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão do Senhor. Esta lei eclesial se aplica a todos os fiéis católicos com idade de 18 a 60 anos. Mas isso não impede que, generosamente e para purificar-se, a pessoa faça jejum muitas vezes durante o ano, inclusive, é bom que se tenha o hábito do jejum. Tendo dito isso, acredito que podemos partir para o efeito do jejum na vida de quem o pratica. Existe, no interior do homem, uma tríplice concupiscência: a soberba da vida, a concupiscência dos olhos e a concupiscência da carne. Essas concupiscências agem no interior do homem e, de maneira resumida o faz estimar a si próprio de maneira desordenada, buscar desordenadamente as coisas materiais e buscar desordenadamente os prazeres sensíveis. O jejum é a ferramenta que favorece para que seja ordenado, no interior do homem, a busca pelos prazeres sensíveis. O que é o prazer sensível? São aqueles que advém do uso dos nossos cinco sentidos, em especial o tato e o paladar. O homem que vive supervalorizando os prazeres pelo sentido é como animais irracionais. Ou seja, o homem que age tão somente levado pelo prazer sexual ou da bebida ou comida, é semelhante aos animais que não conseguem se conter sexualmente. Os cachorros, quando veem uma cadela no cio ou uma vasilha de comida, logo se lançam para saciar-se desconsiderando toda e qualquer regra moral ou espiritual, agem dispensando o aspecto racional (nem sequer possuem tal potência) e se comportam como verdadeiras feras selvagens. Este tipo de homem, que age como um animal irracional porque busca de maneira desordenada o prazer sensível, tem muita dificuldade na vida de oração, ele mal fecha os olhos para rezar e logo inúmeras imagens e preocupações lhe assaltam o pensamento levando-o a distrair-se.

Quando este mesmo homem se coloca a estudar, mal consegue concentrar-se por poucos minutos, fica inquieto, entra na rede social para encontrar algum entretenimento nas redes sociais ou se levanta de sua mesa à procura de alguém para conversar e distrair-se. Tudo isso porque necessita de estímulos, seja sonoro, visual, tátil ou palatável. Alguém poderia dizer: mas eu tenho o temperamento sanguíneo e a distração é algo “normal” para o meu temperamento. É certo que existem diferenças entre temperamentos, alguns são mais expansivos e outros menos, contudo, não é sobre isso que estamos falando. Mesmo uma pessoa com temperamento expansivo como o sanguíneo é capaz de concentrar-se, não viver procrastinando, desenvolver um sólido trabalho intelectual e alcançar a santidade. O melhor exemplo neste caso é Santo Agostinho, um sanguíneo que soube moderar os prazeres sensíveis, nos deixou um legado filosófico e teológico imenso e ainda se tornou um santo doutor da Igreja. Tenha a certeza de que ele não conseguiria levantar todo esse edifício espiritual se não tivesse domado suas paixões mais baixas, no caso, a concupiscência da carne. Esse é o início da santificação do homem.

Além do benefício ascético relacionado à prática do jejum, existe uma graça espiritual que a mesmo comporta. Podemos verificar isso na passagem do livro de Jonas, que exortava o povo de Nínive à conversão: “Jonas entrou na cidade e começou a andar. Caminhou um dia inteiro dizendo assim: ‘Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída!’. Os ninivitas passaram a crer em Deus e proclamaram um dia de penitência, vestindo-se todos de saco do maior ao menor. O fato chegou até o conhecimento do Rei. Mandou também publicar e proclamar aos ninivitas este decreto do rei e de seus ministros: ‘As pessoas, os animais, o gado e as ovelhas não poderão provar nada, ficando sem pastar e sem água. Pessoas e animais deverão se vestir de saco, clamando a Deus com força’” (Cf. Jn 3,4-8). E o resultado dessa boa prática foi o seguinte: “Deus viu o que eles fizeram e como voltaram atrás de seus caminhos perversos. Compadecido, desistiu do mal que tinha ameaçado. Nada fez.” (Cf. Jn 3,10). Esse é um exemplo claro do jejum aliado à oração, que favoreceu a conversão de um povo inteiro. Escutaram a pregação de Jonas e tiveram fé, virtude fundamental para o crescimento espiritual. Jejuaram e clamaram a Deus, suplicando a Sua misericórdia. Portanto, não se trata de uma demonstração de força humana, mas de um reconhecimento de sua própria miséria, o homem se recusa temporariamente a receber o alimento material para receber em abundância do alimento divino.

Ainda sobre a força espiritual do jejum aliado à oração, podemos citar o versículo com o qual iniciamos esse artigo: “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Cf. Mt 17, 21). Existem forças malignas que agem neste mundo, quando temos uma vida de oração profunda e somamos isso às práticas penitenciais como o jejum, podemos dizer que, temos um manancial de graça para combater o mal e começamos a viver conforme o ensinamento de São Pedro em sua carta: “Sede sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, anda em derredor como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (IPd 5, 8).

Para finalizarmos esse artigo, tenhamos em mente o seguinte: não se conhece, na história da Igreja, algum santo que não tenha usufruído desta ferramenta santificadora. Sendo assim, com discernimento e generosidade, dedique-se para crescer, dia após dia, nessa prática espiritual fecunda. O Senhor nos convoca para a santidade.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

MISSÃO – IDENTIDADE DA IGREJA!

Padre Ademir Bernardelli

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 missão é parte constitutiva da identidade da Igreja, chamada pelo Senhor a evangelizar todos os povos. Sua razão de ser e agir como fermento e como alma da sociedade, que deve renovar-se em Cristo e transformar-se em família de Deus. Por isso, a missão que se realiza deve, antes de tudo, animar a vocação missionária dos cristãos, fortalecer as raízes de sua fé e despertar sua responsabilidade para que todas as comunidades cristãs se ponham em estado de missão permanente. Trata-se de despertar, nos cristãos, a alegria e a fecundidade de serem discípulos de Jesus Cristo, celebrando com verdadeiro a alegria de “estar-com-Ele” e o “amar-com-Ele” para serem enviados para a missão.

A missão nos leva a viver o encontro com Jesus num dinamismo de conversão pessoal, pastoral e eclesial, capaz de impulsionar os batizados à santidade e ao apostolado, e de atrair os que abandonaram a Igreja, os que estão distantes do influxo do Evangelho e os que ainda não experimentaram o dom da fé.

O espírito missionário é um despojar se de si para doar-se por completo, sem ver as suas necessidades, mas a do outro, é ir onde ninguém que é abraçar o compromisso com evangelho e viver intensamente, e fazer com a palavra de Deus chegue aos corações, e que seja meramente um enfeite para a vida onde se fala de boca pra fora, mas que fale na boca o que trás no coração, ser missionário tem que ser verdadeiro e autentico , fala explicitamente da palavra de Deus sem medo ou reservas para que todos possam compreender o que é a lógica do Reino.

O trabalho missionário é muito mais que uma visita a um lar , deve ser algo que incentive a viver a vida da fé e volte a assumir a comunidade como parte integrante da família cristã, e neste trabalho descobrir novas lideranças e pessoas que assumam o compromisso cristão em comunidade, onde o lema deve ser: Viver e crescer em Comunidade”, onde a vida cristã acontece e onde as pessoas se apõem umas nas outras para caminharem juntas. E o entusiasmo missionário deve estar no DNA de cada cristão pois isso recebemos na pia batismal no dia do batismo.

Para que um trabalho missionário acontece na sua eficácia não pode ser feito a toque de caixa, é preciso antes fazer uma visita na comunidade, reunir alguns membros, conversar sobre o assunto e tomar as decisões de como devemos fazer uma missão em comunidade. Depois reunir os grupos de ruas e encontrar coordenadores de cada grupo, para que antecipadamente se faça uma reunião explicando como de ser realizada a missão. Isso se chama pré-missão, depois vem a segunda etapa, onde os grupos vão se reunir nas casas e refletir a palavra fazendo suas orações, sempre com um livrete apropriado e formativo já levando cada membro ir percebendo o como será a missão , terminada esta etapa acontece a missão propriamente dita, o Tempo da Missão, este será o tempo forte onde os missionários irão fazer as grande celebrações e pregações  levando o povo a uma tomada de consciência de seu Papel na Igreja, povo de Deus que caminha na fé. Terminada o tempo de missão vem a tomada de consciência  da comunidade do que precisa fazer e agir para que os frutos da missão venham acontecer com eficácia na comunidade, aí que surgem as lideranças,  pessoas que buscam viver e cresce nesta comunidade dando sua contribuição e fazendo o reino acontecer. “Podemos chamar esta etapa de: O povo de Deus persevera”, daí o pároco será o grande missionário incentivador que vai ajudar a comunidade perseverar. E neste trabalho missionário tem o grande objetivo de criar comunhão, fazendo com os membros da comunidade e todas as famílias são convidadas a viver este com intensidade o espírito missionário que está sendo fermento na massa.

Tudo isso foi de experiência vivida através de anos como missionário redentorista, que me ajudou e continua me ajudando no dinamizar a comunidade paroquial, pois este entusiasmo missionário trago em minha vida pois foi na escola da missão que vive grande parte de minha caminhada vocacional, sempre tudo isso para ajudar a Igreja nesta caminhada missionária.

Que o ardor missionário incentive a todos nós na missão da Igreja para que sejamos sempre portadores da Boa Nova do Evangelho e que Maria a grande missionária do Pai nos dê a graça da perseverança em nossa caminhada como povo de Deus em missão.


*Padre Ademir Bernardelli é Pároco na Paróquia Santa Maria (Jaguariúna) e Assessor Eclesiástico das Campanhas da Fraternidade e da Evangelização na Diocese de Amparo-SP.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Reflexão Litúrgica do 5º Domingo do Tempo Comum - SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO




Dom Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

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ara falar da presença dos seus discípulos no mundo, Jesus recorre às sugestivas imagens do sal e da luz, cuja importância era bastante conhecida pelas pessoas que o ouviam. O sal, apreciado por dar sabor e preservar os alimentos, e a luz, por iluminar a casa ou o caminho durante a noite e por aquecer no frio.

A presença do sal nos alimentos ou da luz na escuridão é percebida facilmente, porém, não de modo ostensivo. O sal não se mostra como tal nos alimentos, sendo sentido apenas o seu sabor. A luz se espalha pelos ambientes. A presença discreta, mas facilmente perceptível, do sal e da luz expressa como o cristão deve agir no mundo: com vigor e humildade, com o testemunho corajoso e a simplicidade de vida.

O testemunho de São Paulo, recordado na segunda leitura, é um precioso exemplo disso ao afirmar que o anúncio do Evangelho não depende da “linguagem elevada ou do prestígio da sabedoria humana” (1Cor 2,1). A força e a sabedoria de Deus são manifestadas muitas vezes na pequenez e na fragilidade experimentada pelos discípulos de Cristo, como “demonstração do poder do Espírito”. Não é por si mesmos, mas pela graça de Deus, que os discípulos se tornam “sal da terra” e “luz do mundo”. Eles recebem de Deus o sabor que dá sentido à vida e a luz para iluminar o mundo. Eles podem ser luz somente na medida em que são iluminados; apenas podem dar sabor, na medida em que o receberem de Cristo. Esta perspectiva se expressa também nas palavras conclusivas do Evangelho proclamado: “para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16), afirma Jesus. O testemunho cristão deve levar a glorificar a Deus e não ser motivo de vaidade.

O profeta Isaías anuncia as condições para que a “luz” possa brilhar “como a aurora” ou como “o meio dia”: a vivência da caridade e da misericórdia para com os famintos, os pobres e os peregrinos; a superação da violência e da maldade. O Salmo 111, hoje meditado, afirma que é “feliz o homem caridoso e prestativo” e que “o bem praticado pelo justo permanece para sempre”.

Sal e luz não são apenas para dias de festa, mas também na vida cotidiana, a começar da própria casa, assim como, a luz “ilumina os que estão na casa”. Apesar das muitas dificuldades para a vivência cristã em família, sentida por tantas pessoas, ninguém está dispensado de fazer o máximo possível. A chama da fé em Cristo, simbolizada pela vela recebida no Batismo, possa brilhar em casa, no trabalho, na escola e em toda parte, alimentada sempre mais pela oração, pela Palavra e pela Eucaristia.