quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Por que se deve pagar “Espórtulas” na Igreja?

 

E

spórtulas (taxas ou ofertas) são os valores que devem ser pagos à Igreja quando esta ministra alguns sacramentos como palestras, batismo, crisma e matrimônio, especialmente a Santa Missa por alguma intenção ou momento especial, na Igreja ou fora dela.

A Espórtula não é para cobrar pelo sacramento ministrado. Cada um deles é impagável, porque custou o preço do Sangue precioso de Jesus para a nossa salvação. Os sete sacramentos brotaram do coração de Jesus transpassado pela lança na cruz. É por meio deles que as graças da salvação, conquistadas a nós por Cristo, chegam a nós, e isso é impagável!

ENTÃO, POR QUE A IGREJA COBRA UMA TAXA PARA CELEBRAR ALGUNS DELES?

A prática das Espórtulas é inspirada no Novo Testamento e existe durante quase dois mil anos. Essa prática tem duplo sentido:

1) para quem oferece sua dádiva, é uma forma de participar, de maneira mais íntima, da oblação Eucarística e dos frutos desta. É expressão da fé e do amor com que tem acesso ao Pai por Cristo no Espírito Santo. Assim, as Espórtulas se justificam como a expressão da fé e do amor dos fiéis que desejam participar mais intimamente dos frutos da Santa Missa.

2) para a Igreja, é um meio de sustentação legítimo, baseado na tradição bíblica e que não se trata de simonia, isto é, de comércio com as coisas sagradas. Após o Concílio do Vaticano II (1962-1965), que fez um balanço da vida eclesial, considerando as suas necessidades, o Papa Paulo VI regulamentou as Espórtulas da Missa, em 13/06/1974, quando publicou o Motu Próprio Firma in Traditione, em que dizia:

“É tradição firmemente estabelecida na Igreja que os fiéis, movidos por seu espírito religioso e seu censo eclesial, acrescentem ao sacrifício eucarístico um certo sacrifício pessoal, a fim de participar mais estritamente daquele. Atendem assim às necessidades da Igreja e, mais particularmente, à subsistência dos seus sacerdotes. Isso está de acordo com o espírito das palavras do Senhor: ‘o trabalhador merece o seu salário’ (Lc 10,7), palavras que São Paulo lembra em sua primeira carta a Timóteo (5,18) e na primeira aos Coríntios (9,7-14)”.

“O clero que, por seu trabalho, merece receber o necessário para se sustentar, deveria ter sua subsistência garantida por um sistema de financiamento independente de ofertas feitas por particulares ou pelos fiéis que peçam serviços religiosos.”

O QUE DIZ O CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO?

Depois disso, o assunto foi regulamentado também pelo Papa João Paulo II, em 22 de janeiro de 1991, no Decreto Sobre as Espórtulas, preparado pela Sagrada Congregação para o Clero. O Código de Direito Canônico, promulgado em 25/11/83, quando fala das Espórtulas, diz entre outras coisas:

Cânon 945 – § 1. Segundo o costume aprovado pela Igreja, a qualquer sacerdote que celebra ou concelebra a Missa, é permitido receber a Espórtula oferecida para que ele aplique a Missa segundo determinada intenção. § 2. Recomenda-se vivamente aos sacerdotes que, mesmo sem receber nenhuma Espórtula, celebrem a Missa segundo a intenção dos fiéis, especialmente dos pobres.

Cânon 946 – Os fiéis que oferecem Espórtula para que a Missa seja aplicada segundo suas intenções concorrem, com essa oferta, para o bem da Igreja e participam de seu empenho no sustento de seus ministros e obras.

Cânon 947 – Deve-se afastar completamente das Espórtulas de Missas até mesmo qualquer aparência de negócio ou comércio.

No início da Igreja, os cristãos, ao participarem da Santa Missa, levavam consigo dons naturais (pão, vinho, leite, frutas, mel etc.). Depois, passou a se fazer doações também em dinheiro por ser mais prático. A Igreja, como uma sociedade também humana e inserida neste mundo, precisa de dinheiro para exercer a missão de pregar o Evangelho, confiada a ela pelo próprio Cristo, desde os tempos d’Ele. Os doze apóstolos tinham uma caixa comum (cf. Jo 12,6). Jesus aceitava que algumas mulheres os ajudassem com seus bens, entre elas, Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza; Susana e várias outras (cf. Lc 8,1-3).

A primeira comunidade cristã em Jerusalém praticava a voluntária partilha de bens (cf. At 2,44; 5,1-6). Jesus elogiou a oblação da viúva no Tesouro do Templo: “Em verdade eu vos digo que esta viúva, que é pobre, lançou mais do que todos os que ofereceram moedas ao Tesouro. Pois todos os outros deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver” (Mc 12,42-44).

E AQUELES QUE NÃO TÊM DINHEIRO PARA MANDAR CELEBRAR A SANTA MISSA?

A Igreja reza diariamente por todas as grandes intenções e necessidades da humanidade (os doentes, os moribundos, os encarcerados, os falecidos etc.), também pelas almas do Purgatório em todas as Celebrações Eucarísticas. Assim, não há almas abandonadas no Purgatório por falta de dinheiro da parte dos familiares.

Quando todos os católicos pagarem o dízimo que a Igreja não obriga que seja 10% do que a pessoa ganha, embora isso seja bom, então, certamente, não será mais preciso cobrar taxas para a celebração dos sacramentos, como o batismo, o crisma e o matrimônio. Mas isso ainda não é comum; por isso a Igreja precisa das taxas para suas necessidades materiais.

O CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO AFIRMA:

Cânon 222 § 1. “Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros.”

O que o Catecismo da Igreja Católica diz no §2043: “Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, as necessidades materiais da Igreja”.

Portanto, para os que puderem pagar ou oferecer, o sacerdote tem o direito de receber uma retribuição pelo serviço prestado. No geral, é através do dízimo e da Espórtula que sobrevivem os sacerdotes.

Bom dia... 07/09/2022

 


sábado, 3 de setembro de 2022

Reflexão Litúrgica do 23º domingo do Tempo Comum - 04/09/2022

EXIGÊNCIAS PARA SEGUIR JESUS COMO DISCÍPULO

O

 Evangelho deste domingo retrata a retomada do caminho de Jesus para Jerusalém. Domingo passado Jesus estava na casa de um fariseu ilustre e lá procurou ensinar a todos convidados como se comportar em relação aos primeiros lugares. Prosseguindo sua estrada, Ele procura ensinar agora a multidão.

Lucas nos informa que junto com o pequeno grupo de discípulos, uma multidão tinha se formado. Estavam próximos, mas para Jesus ainda não eram discípulos; buscavam algo junto a Ele (curas e milagres), mas não estavam interessados em fazer parte do mesmo grupo de discípulos. Jesus conhecia aquelas pessoas que O seguiam, por isto, lhes apresenta a condição para deixarem de “ser povo” e de se tornarem “discípulos”; deixarem se serem espectadores e passarem a compor o mesmo grupo de escolhidos de Jesus; deveriam abandonar a mentalidade de “receber algo” de Jesus (prodígios e milagres) para aprender a doar-se completamente. As palavras de Cristo são profundas e exigentes.

A primeira exigência de Jesus é chocante. Usando um recurso dos grandes mestre, Jesus propõe uma ideia que chama atenção de todos para em seguida explicar seu significado. A frase começa com uma proposta e não uma imposição: “Se alguém vier…” Não há obrigação, mas se alguém decide ir até Jesus, é chamado a fazer uma escolha radical, mas por outro lado, profundamente benéfica. A multidão seguia Jesus, mas cada um com suas necessidades e exigências pessoais; Cristo apresenta suas condições para que todos possam realmente receber muito mais que um benefício físico (cura) ou uma diversão (ver um milagre). Prossegue Jesus dizendo “Se alguém vier a mim e não odiar seu pai… sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Não tem como não se surpreender com a condição fundamental “odiar”, colocada por Jesus.

Lucas procura preservar a força da “expressão semita” (jeito do povo da Bíblia pensar: radical e sem meio termo). Este modo de pensar e de afirmar encontramos nos profetas e nos textos da Lei que proclamam que Deus deve receber todo o amor e não parte dele. Em outro trecho de Lucas, Jesus mesmo diz que não se pode servir a dois senhores: ou odiará um e amará outro, ou há de aderir a um e desprezará outro (cf. Lc 16,13). Mateus, ao retratar a mesma citação, faz uma adaptação que nos ajuda a entender melhor a expressão em Lucas. Diz o primeiro evangelista: “Quem ama seu pai e mãe, mais do que a mim, não é digno de mim…” (Mt 10,37). Na lista de Lucas são seis tipos de pessoas (pai, mãe, filhos…) mais a vida: sete é o número. Para ser discípulo de Jesus é precisa abandonar de forma radical todos e a própria vida para segui-Lo.

Este termo é comumente traduzido no Evangelho de Lucas por “amar menos” (ou ser capaz de rejeitar), seguindo a forma do Evangelho de Mateus: “Se alguém vier a mim e não ama menos seu pai…”. Parece traduzir melhor o que Jesus pretendia dizer, pois sabemos que Nosso Senhor não era contra a família. Ele viveu com os seus até iniciar sua vida pública; Maria, sua mãe, conviveu com Jesus e até o acompanhou como discípula. Quando perguntado sobre os Mandamentos, lembrou o quarto Mandamento (honrar os pais) como condição básica para a se salvar.

Em seguida, Jesus propõe a segunda condição, desta vez, para todos que aceitarem a primeira condição. Jesus afirma que é preciso: “Tomar a cruz e segui-Lo”. Cruz do compromisso vivido ao extremo até ao ponto de “desprezar a própria vida” para que todos tenham vida. A cruz nas palavras do Jesus é aquela que Ele abraçou e conduziu até o final de sua caminhada neste mundo. Sinal do amor extremo e total para salvação do mundo. Neste sentido, a cruz não tem nada a ver com sofrimento e dores (isto a vida se encarrega de nos dar). Não foram o sofrimento e a dor que salvaram o mundo, mas o amor vivido em sua máxima expressão.

Duas condições fundamentais para seguir Jesus: amor maior e total a Cristo ao ponto de doar sua vida! Mas, para isto Jesus alerta que nada deve ser feito como algo somente para um momento da vida e sem convicção. É preciso medir suas consequências e meditar suas exigências. Por isto, Jesus conta duas parábolas que retratam a prudência e a seriedade para com as coisas da vida (construir uma torre e partir para uma guerra). Seguir Jesus vivendo as condições que Ele mesmo vivia, requer a mesma consciência e seriedade, mas de modo radical e total.

Jesus acrescenta a terceira exigência para “ser seu discípulo” (frase que repete três vezes ao final de cada condição): “Renunciar a tudo que lhe pertence”. O discípulo que Jesus deseja “atrás de si” (isto é, seguindo seus passos) é aquele que ama com toda intensidade o seu Mestre ao ponto de deixar todos e tudo em segundo plano; ser discípulo de Cristo é assumir seus passos e fazer a mesma caminhada vivendo o amor para com todos (e não somente para os familiares mais próximos), uma existência plenamente aberta para a promoção da vida de todos e não somente seus anseios pessoas; Uma vida de total doação e serviço que tem como sinal maior a própria cruz deixada por Cristo.

As exigências são duras e profundas, mas para amar o próximo  precisamos primeiro fazer a experiência do verdadeiro amor que é Jesus. Para receber o melhor, precisamos ser capazes que doar tudo primeiro. Para viver intensamente nossa vida, precisamos ser capazes que doá-la ao serviço do bem e da vida de todos. As exigências de Jesus nada mais são que o próprio estilo de vida que Ele mesmo viveu.

São grandes mistérios que somente quem consegue fazer a experiência do amor de Deus consegue entender. O amor de Deus não é egoísta e discriminatório. Jesus é a fonte do amor e quem descobre esta água vida não se fecha em si ou somente com algumas pessoas, mas semeia amor na vida de todos com quem convive. Fazer a experiência de abraçar Jesus com todo seu amor, ao final, torna-se também fonte de amor para as outras pessoas. A pessoa que faz a experiência de amar Jesus em primeiro lugar e com toda sua vida, passa necessariamente para todos os outros o mesmo amor: familiares, amigos e todas as pessoas com quem tiver contato.

A lógica de Deus e do seu amor não segue os mesmos passos e caminhos que conhecemos (primeira leitura). Somos capazes que medir e afirmar sobre muitas coisas até mesmo muito distante de nós (universo), mas a experiência do amor conforme Jesus viveu e nos ensinou, somente ela completa nossa existência, pois mais do que satisfazer o nosso conhecimento, dá sentido à nossa vida. É preciso romper com a lógica do mundo como Paulo na segunda leitura convida seu amigo Filêmon a fazer com o seu “filho na fé” (Onésimo). Não o tratar com um escravo fugitivo, mas como um irmão na fé. Se o universo pode ser desbravado com o nosso conhecimento, somente o verdadeiro amor que tem sua origem em Deus pode dar sentido a tudo e a todas as coisas. Vivemos para amar intensamente Deus e nossos irmãos!


Bom dia... 03/09/2022

 


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

DECISÕES SIMPLES PARA VIVER OS VALORES NA FAMÍLIA!

 

F

alar de valores é fácil, mas vivê-los é difícil. Na verdade, não é tão difícil como parece, requer esforço, concentração e perseverança. Com algumas decisões simples você poderá conseguir que sua vida, suas ações e a sociedade tenham como coluna vertebral os valores.

CONHECER SUA IMPORTÂNCIA

Parece simples? Mas não é. A primeira decisão para viver os valores é ter consciência do quanto elas são importantes. Uma sociedade fundamentada em indivíduos com valores é a chave para uma convivência mais sadia. As leis civis não são o bastante. Nelas está estabelecido apenas o elementar para assegurar uma convivência medianamente decente, porém, não é suficiente apenas "cumprir a lei". Os valores vão muito mais além do que cumprir o regulamento de trânsito, vão à raiz das coisas. Por exemplo, o regulamento diz que não é permitido atravessar a rua quando o sinal está vermelho (bastante elementar para não se matar), no entanto, não diz que em um congestionamento de tráfego o fato de ceder a passagem a uma pessoa é algo amável, que faz com que todos estejamos mais contentes e pode, até mesmo, nos poupar um contratempo. O mesmo ocorre em outros âmbitos da vida. A lei estabelece uma pena por homicídio, mas não nos diz que tratar o próximo com atenção e educação nos ajuda a conviver ainda melhor. Para viver os valores, primeiramente, deve-se estar consciente de que estes são vitais, e são o que pode mudar verdadeiramente uma pessoa, uma família ou uma nação.

ANALISAR MEU CONJUNTO DE VALORES

Uma vez que se tenha aceitado a importância de viver os valores, deve-se analisar claramente quais valores são a base da sua vida.

Neste momento, poderíamos estabelecer duas classes: os que você já possui e os que deseja construir. Para saber quais são os valores, em Valores para ser melhor há informação sobre cada um deles, e continuamente estamos pesquisando e publicando mais materiais, assim, o melhor que tem a fazer é dar uma olhada em todas as seções de Valores. Por outro lado, também deve fazer um esforço e meditar lentamente em quais são os princípios, normas e comportamentos fundamentais para ser melhor, para viver melhor. Quais te ensinaram em casa? Quais têm aprendido com a vida? Quais sabe que existem, mas não os vive muito? Quais gostariam de ter? Tem a necessidade de pesquisar mais sobre eles? A ideia aqui, é que você se sente em um lugar tranquilo, e em uma folha de papel: Escreva a data e faça três colunas iguais. No lado esquerdo, na primeira coluna, faça uma lista com os valores mais importantes para você, sem importar-se com a ordem e se os vive atualmente ou não, simplesmente escreva os princípios considerados fundamentais para você. Quando terminar, na coluna do meio, faça uma lista com os valores adquiridos desde criança em casa, os adquiridos com a vida, e os adquiridos ultimamente, mas que não tem vivido. Ao terminar, vá para a coluna da direita, desenhe um triângulo e escreva em cada vértice "Minhas fortalezas", "Minhas fraquezas", "O que quero ser". Faça três listras, e escreva os valores que já existem em você, que lhe definem como uma pessoa especial, e que você vive continuamente. Em "Minhas fraquezas" escreva os defeitos que você conhece e te impedem de viver melhor os valores. Por último, escreva os valores que desejaria viver em "O que quero ser". É muito importante que você guarde esta folha, pois ela é a base de teu trabalho e dos próximos passos deste guia.

O "PLANO-MESTRE"

Agora que já conhece teus valores, tuas fraquezas e o que deseja ser, torna-se necessário o uso de uma agenda. Qualquer uma será útil (de escritório, de bolso, eletrônica - um Palm Top será ideal para isto). Em outra folha, estabeleça três bases de tempo: anual, mensal e diária. Na anual, escreva o que espera alcançar em um ano. Os valores concretos que deseja alcançar (inclua os que você já vive e os que deseja viver). Dívida esta lista em uma base de tempo mensal, fixando um mês para cada atividade. Na diária, faça uma lista com o título "O que vivo e devo reforçar" e outra "O que me falta". Em tua agenda, estabeleça uma meta concreta diária (pequena, mas significativa) de valores que irá reforçar e que quer viver. Uma meta concreta diária pode ser "Falar com João por telefone", para fortalecer o valor da amizade (talvez tenha meses que não liga para alguma pessoa), ou pode estabelecer "Ajudar alguém pobre", para fortalecer ou criar a generosidade. Faça para o primeiro mês (ou seja, o mês em que você está). A cada mês deve revisar o teu "plano-mestre", estabelecer os valores de acordo com sua atividade diária e fazer uma reflexão sobre os resultados. Se, por algum motivo, não tenha ido bem em um determinado mês, não se preocupe, coloque-o novamente em teu plano diário e análise porque não pôde cumpri-lo. Reflita sobre as razões que te impediram (falta de tempo, falta de constância, esquecimento etc.) e estabeleça meios para que isto não ocorra de novo. Aqui, o importante é que esteja avançando, mesmo que a passos curtos.

O EXAME DIÁRIO

Se deseja viver realmente os valores, durante uma parte do dia (pode ser à tarde ou à noite - se for à noite, certifique-se de não estar muito cansado) reserve 10 minutos para refletir. Deve pensar em como foi o dia, se está cumprindo tua meta (ou metas) diária, o que te falta para fazer e o que já fez. Este exame é vital, se não o fizer todo o sistema para viver os valores irá se perdendo até que se esquecerá dele. O exame te permite duas coisas: analisar de maneira realista e rápida que resultados tem obtido, e te dá propósitos concretos para fazer algo e viver teus valores.

MANUTENÇÃO

A cada mês, revise teus valores, revise o que aprendeu, pense como tem ido em teus exames diários. Melhorou? Piorou? Houve um grande avanço? O fundamental neste sistema é a constância. Se fizer o teu "plano-mestre" e estabelecer tuas prioridades, mas não as viver, não fizer o exame e não seguir teus propósitos concretos, então em quinze dias terá esquecido de tudo. Se realmente quiser viver os valores deve cumprir os propósitos. Este guia está feito de tal maneira que lhe permite analisar e elaborar metas de maneira ordenada, e pequenas ações para alcançá-las. É melhor fazer uma pequena ação todos os dias do que grandes ações raramente. Teu guia é pessoal, no entanto, não duvide em compartilhar com outros amigos, e especialmente, que alguém de confiança te ajude a estabelecer os valores que seriam melhores para você, porque às vezes perdemos a perspectiva de nós mesmos ou temos defeitos que simplesmente não vemos.

Bom dia... 01/09/2022

 


sábado, 30 de julho de 2022

Reflexão Litúrgica do 18º Domingo do Tempo Comum - 31/07/2022

Deus Conosco – Reflexões Litúrgicas

A

 liturgia deste domingo vai ao encontro da realidade em que vivemos: há abundância da ganância e muita carência de justiça, solidariedade e fraternidade; sobra desejo de possuir a todo o custo; e falta vontade e realização do repartir entre irmãos.

O autor do Eclesiastes medita sobre o sentido da vida, mostrando a transitoriedade e a brevidade de todas as coisas. Aconselha a viver o desapego dos bens, pois a busca desenfreada pelas riquezas e a preocupação em acumular impedem de desfrutar os frutos do trabalho com alegria.

Na 2ª leitura o autor fala sobre a vida cristã. Mostra que a experiência da ressurreição começa já neste mundo, no tempo presente. A experiência da ressurreição transforma a conduta e a maneira de pensar. “Cuidai das coisas do alto, não do que é da terra”. Não se trata de viver de forma alienada. Consiste em se deixar reger pela vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte, buscando libertar-se dos valores contrários ao Reino de Deus.

A presença do Senhor ressuscitado nos fortalece com seu Espírito para que possamos viver a comunhão e a solidariedade. Jesus, no Evangelho de hoje, ensina a fazer bom uso dos bens deste mundo. Quem segue a Cristo deve ser livre diante dos bens, administrando-os com sabedoria. O problema está na acumulação como garantia de segurança e de vida.

Jesus exorta a viver numa atitude constante de abertura e confiança em relação a Deus e de compromisso com seu Reino. No testemunho, em meio à adversidade, e na busca de suprir as necessidades de subsistência, a referência a Deus é fundamental para a caminhada dos seguidores de Cristo.

A vida voltada unicamente para os bens do mundo está fadada à falência. Os bens materiais, mesmo que sejam necessários, eles não geram o sentido pleno da existência.

Podemos possuir os bens criados por Deus para vivermos com dignidade, mas acumular é defeito humano, é pequenez, é verdadeiramente uma indecência. Aquele homem rico pensou em reservar para si só, não pensou em partilhar com aqueles que colheram o trigo, os bens que a terra produziu. Não houve sequer uma pequena preocupação em partilhar. Aí não estão presentes o Evangelho, o Reino, o amor, apenas o egoísmo, que é a raiz de todo o mal.

Será que há paz de consciência àquele que acumula nos celeiros e nos bancos comerciais, mas nada reparte, nem mesmo com os famintos? Podem morrer aos seus pés e nada lhes toca o coração? Jesus tem mesmo razão: É infeliz quem ajunta tesouro só para si… O acúmulo de bens é uma verdadeira idolatria.

Certamente, o Evangelho também nos diz hoje sobre a justiça social, a justiça distributiva, a equidade. Há o bem comum a ser respeitado e bem administrado. Jesus quer que os discípulos entendam que é preciso haver a justiça, a igualdade, porque somos irmãos. O Evangelho vem questionar nossa posição pessoal, comunitária e pessoal. Nossa vida é um entrelaçamento com as coisas, com as pessoas, com a vida, mas em nada perderemos perder de vista o que nos ensina o Evangelho. Só assim alcançaremos a paz e a salvação.

Bom dia... 30/07/2022

 


sábado, 23 de julho de 2022

Reflexão Litúrgica do 17º Domingo do Tempo Comum - 24/07/2022

Deus Conosco – Reflexões Litúrgicas

N

o Evangelho deste 17º Domingo do Tempo Comum, Lucas inicia a narrativa informando que Jesus estava em um lugar orando. O modo de rezar de Jesus desperta o desejo dos discípulos em aprender mais e provoca o pedido: “Senhor, ensina-nos a rezar como também João”.

Semelhante a outros grupos, que tinham preces, formas particulares de oração, o Pai Nosso caracteriza a oração dos discípulos de Jesus. Como Jesus, que encontrou forças na oração para vencer as tentações no deserto, para proclamar a Boa-Nova do Reino, para saciar a fome do povo, para perdoar até mesmo seus inimigos na cruz, os discípulos e discípulas buscavam, por meio da oração do Pai Nosso permanecer firmes no projeto de Deus.

Jesus ensina aos seus que podem dirigir-se a Deus com toda a confiança de serem acolhidos. Deus é muito mais disponível para acolher do que um amigo. Ele cuida de cada pessoa com um carinho maior do que aquele manifestado pelo pai a seu filho. Pedir, buscar, bater à porta, são expressões utilizadas para expressar a grande verdade relativa à oração: a persistência ou perseverança.

É necessário buscar com insistência o Reino e a comunhão com o Pai. O pão, o peixe e o ovo são alimentos básicos de uma região, como a pedra, a serpente e o escorpião, que pertencem à natureza. Deus oferece mais que “coisas boas”.

“O Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!” para que possam viver uma relação de confiança filial. A força do Espírito Santo de Deus ajuda a comunidade a realizar o projeto de amor fraterno e solidário proposto por Jesus.

Como vamos conhecer o projeto do Pai se não escutamos sua proposta, em um colóquio profundo, escutando sua palavra de vida e salvação? Como vamos colaborar na construção do Reino, interceder e comprometer-nos com a história sem conhecer o plano divino da salvação?

Resta-nos rever o nosso modo de rezar, tanto individual como comunitário. Uma dimensão não vive sem a outra. A oração particular ou individual prepara, prolonga e aplica a cada pessoa o encontro objetivo e sacramental com o Senhor que se realiza na liturgia.

Vale lembrar aqui as palavras de João Crisóstomo: “Assim como não se põe o incenso em fogo apagado, não adianta a celebração litúrgica sem uma verdadeira oração individual. O desejo espiritual é como um fogo, a oração individual faz a pessoa abrasar neste fogo. Então, quando as brasas estão acesas, se põe o incenso da liturgia e se realiza a oração comunitária”.

Bom dia... 23/07/2022

 


sábado, 16 de julho de 2022

REFLEXÃO LITÚRGICA DO XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM - 17/07/2022

Dom Paulo Cezar Costa, Arcebispo de Brasília

UMA SÓ COISA É NECESSÁRIA

N

este domingo, a Palavra de Deus coloca diante de nós a visita de Jesus à casa de Marta e Maria (Lc 10, 38 – 42). O Evangelho apresenta a atitude de duas irmãs com relação à visita de Jesus. O Evangelho dá a entender que Marta fosse a dona de casa, pois diz: “… certa mulher, chamada Marta, recebeu-o em sua casa”.  Marta quer oferecer uma hospedagem digna para Jesus. A hospedagem para o mundo bíblico é algo muito importante. Abraão recebendo os três viajantes recebeu o próprio Deus (Gn 18, 1-10).

Mas, este Evangelho quer ir além, pois enquanto Marta está preocupada com os muitos afazeres, Maria está sentada aos pés de Jesus ouvindo-o: “Maria ficou sentada aos pés do Senhor, escutando-lhe a palavra”. Jesus é apresentado como mestre, como aquele que ensina, e Maria está aos seus pés, escutando-O. É evidente que São Lucas quer afirmar o primado da escuta da Palavra de Deus.  Maria é apresentada como modelo do discípulo que, na vida do dia a dia, não se deixa afogar pelos muitos afazeres, mas sabe distinguir o que é fundamental a cada momento. Por isso, a observação de Jesus a Marta: “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas com muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só”.

O Evangelho não quer contrapor Marta e Maria, vida contemplativa e vida ativa. Ele quer que cada cristão, cada discípulo de Jesus Cristo seja capaz de, em cada momento, escolher a melhor parte. Ele quer que encontremos momentos na nossa vida para ouvirmos a Palavra de Deus, para estarmos com o Senhor, para exercermos a dimensão contemplativa da vida que, nas palavras de Carlo Maria Martini, é aquele momento de distanciamento da realidade, de reflexão e avaliação das coisas à luz da fé, que é muito necessário para não sermos atropelados pelos compromissos cotidianos: “é um tempo do Espírito”. Vive-se hoje numa sociedade da eficiência, do fazer, do realizar, onde o perigo está na fragmentação da vida, das mil coisas que fazemos, no qual o ser humano vai perdendo aquela unidade essencial, fundamental na vida. O encontro com a Palavra de Deus, com a leitura orante da Palavra de Deus, vai nos fazendo experimentar o amor de Deus.

O encontro orante com a Palavra de Deus nos torna homens e mulheres que buscam viver da vontade de Deus, que afirmam o primado de Deus. A vontade de Deus se manifesta mediante a escuta orante da Palavra. Ela vai realizando em nós, no hoje da história, aquilo que fez com os grandes personagens da história da Salvação: Abraão, Moisés, Isaías, Jeremias, Maria, os apóstolos etc. Ela quer continuar a formar, ainda hoje, homens e mulheres livres e operantes.

A Palavra de Deus é um lugar privilegiado de encontro com Jesus Cristo, de formação do discípulo missionário, de formação da comunidade missionária. É preciso estarmos como Maria, aos pés do mestre Jesus Cristo, ouvindo-O.

Bom dia... 16/07/2022

 


sábado, 9 de julho de 2022

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA O XV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 10/07/2022

Padre Cesar Augusto. SJ - Vatican News

A

 primeira leitura da liturgia deste domingo nos fala da maravilha que é possuir uma lei feita por Deus e que, por isso mesmo, leva à Vida. Essa Lei está impregnada em nosso ser.

O Livro do Deuteronômio diz que ela “está ao seu alcance: está na sua boca e no seu coração”. Isso significa que não deveremos ficar presos a um código de regras, de prescrições, mas que nos entreguemos, sem reservas, à promoção da Vida.

No Evangelho, a parábola do Bom Samaritano, contada por Jesus, deixa isso claríssimo. O Mestre dá a essa Lei um nome: misericórdia!

A misericórdia promove a Vida. Ela não faz rodeios para salvar o ser humano. A Vida está em primeiro lugar. Salvaguardar a Vida, seja de quem for, é a Lei Máxima! E quando se fala em Vida não se restringe à vida física, mas se compreende também a moral, a psíquica, a espiritual.

Fala-se da Vida do Homem. Tudo deve estar subordinado a esse valor, porque Deus é Vida e Ele assim determinou que fosse. Por isso, matar alguém, física ou moralmente é um pecado grave.

Do mesmo modo é desconhecimento da revelação do Amor de Deus, qualquer atitude que demonstre falta de misericórdia. Está escrito: “Quero a misericórdia e não o sacrifício”.

Por que é um samaritano quem pratica a misericórdia na parábola contada por Jesus? Será que Jesus quer simplesmente incomodar os judeus? Não, não é nada disso. Ele até pode ter esse desejo, e certamente o tem, de alertar seus concidadãos. Mas a figura do samaritano, nesta parábola, tem o significado de ser alguém que desconhece um código de leis.

Jesus quer destacar que esse homem nascido na Samaria agiu somente por causa de seu coração. Ele teve a sensibilidade de perceber a situação de miséria em que se encontrava o homem assaltado. Ajudou muito para que tivesse compaixão, sua origem samaritana, de marginalizado. Ele se identificou com o pobre coitado e agiu como Deus, isto é, teve compaixão.

Segundo Lucas, somente Jesus tem compaixão. É um gesto eminentemente divino! O QUE É MEU É TEU!  QUERO QUE VOCÊ TENHA VIDA!

Podemos apreender o seguinte ensinamento: para alguns, a salvação está no cumprimento das leis; para outros, nos atos realizados dentro de um templo; para o samaritano, está em assumir a Vida e colocar-se a caminho dos que estão sendo privados dela. Ao se solidarizar com o marginalizado, o samaritano encontrou Deus e a verdadeira religião.

Bom dia... 09/07/2022

 


domingo, 3 de julho de 2022

Reflexão Litúrgica da Solenidade de São Pedro e São Paulo - 03/07/2022

Homilia pronunciada pelo Papa Francisco

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evive, hoje, na Liturgia da Igreja o testemunho dos dois grandes Apóstolos Pedro e Paulo. O primeiro, que o rei Herodes metera na prisão, ouve o anjo do Senhor dizer-lhe: «Ergue-te depressa» (At 12, 7); o segundo, resumindo toda a sua vida e apostolado, diz: «combati a boa batalha» (2 Tm 4, 7). Tendo diante dos olhos estes dois aspetos – erguer-se depressa e combater a boa batalha –, perguntemo-nos que podem eles sugerir à Comunidade Cristã de hoje, empenhada no processo sinodal em curso.

Antes de mais nada, os Atos dos Apóstolos falam-nos da noite em que Pedro foi libertado das correntes da prisão; um anjo do Senhor tocou-lhe o lado enquanto dormia, despertou-o e disse: «Ergue-te depressa!» (12, 7). Desperta-o e pede-lhe para se erguer. Esta cena evoca a Páscoa, porque aqui encontramos dois verbos usados nas narrações da ressurreição: despertar e erguer-se. Significa que o anjo despertou Pedro do sono da morte e o impeliu a erguer-se, isto é, a ressurgir, a sair para a luz, a deixar-se conduzir pelo Senhor para superar o limiar de todas as portas fechadas (cf. At 12, 10). É uma imagem significativa para a Igreja. Também nós, como discípulos do Senhor e como Comunidade Cristã, somos chamados a erguer-nos depressa para entrar no dinamismo da ressurreição e deixar-nos conduzir pelo Senhor ao longo dos caminhos que Ele nos quiser indicar.

Sentimos ainda tantas resistências interiores que não nos deixam pôr em marcha. Tantas resistências! Às vezes, como Igreja, somos dominados pela preguiça e preferimos ficar sentados a contemplar as poucas coisas seguras que possuímos, em vez de nos erguermos a fim de lançar o olhar para horizontes novos, para o mar alto. Muitas vezes estamos acorrentados como Pedro no cárcere do ramerrão, assustados pelas mudanças e presos à corrente das nossas habitudes. Mas, assim, cai-se na mediocridade espiritual, corre-se o risco de «ir sobrevivendo» mesmo na vida pastoral, esmorece o entusiasmo da missão e, em vez de ser sinal de vitalidade e criatividade, a impressão que se dá é de tibieza e inércia. Então, como escrevia padre Henri de Lubac, a grande corrente de novidade e de vida, que é o Evangelho nas nossas mãos, torna-se uma fé que «cai no formalismo e na habitude, (...) religião de cerimônias e devoções, de ornamentos e vulgares consolações (...). Cristianismo clerical, cristianismo formalista, cristianismo mortiço e endurecido» (O drama do humanismo ateu. O homem diante de Deus, Milão 2017, 103-104).

O Sínodo, que estamos a celebrar, chama-nos a ser uma Igreja que se ergue em pé, não dobrada sobre si mesma, capaz de olhar mais além, de sair das suas prisões para ir ao encontro do mundo, com a coragem de abrir portas. Naquela mesma noite, insidiava outra tentação (cf. At 12, 12-17): aquela jovem assustada, em vez de abrir a porta, volta para trás contando algo que, para os presentes, só podia ser obra da sua fantasia. Abramos as portas. É o Senhor que chama. Não sejamos como Rode que voltara para trás...

Uma Igreja sem correntes nem muros, onde cada qual se possa sentir acolhido e acompanhado, onde se cultive a arte da escuta, do diálogo, da participação, sob a única autoridade do Espírito Santo. Uma Igreja livre e humilde, que «se ergue depressa», que não adia, não acumula atrasos face aos desafios de hoje, não se demora nos recintos sagrados, mas deixa-se animar pela paixão do anúncio do Evangelho e pelo desejo de chegar a todos, e a todos acolher. Não esqueçamos esta palavra: todos. Todos! Ide pelas encruzilhadas e trazei todos, cegos, surdos, coxos, doentes, justos, pecadores: todos, todos! Esta palavra do Senhor deve ressoar… ressoar na mente e no coração: todos! Na Igreja, há lugar para todos. E muitas vezes tornamo-nos uma Igreja de portas abertas, mas para despedir as pessoas, para condenar as pessoas. Ontem dizia-me um de vós: «Para a Igreja, este não é o tempo dos despedimentos, mas o tempo do acolhimento». «Não vieram ao banquete...» – Ide pelas encruzilhadas. Todos, todos! «Mas são pecadores!» – Todos.

Depois, a segunda Leitura propôs-nos as palavras de Paulo que, repassando toda a sua vida, afirma: «combati a boa batalha» (2 Tm 4, 7). O Apóstolo refere-se às inúmeras situações, às vezes marcadas pela perseguição e a tribulação, em que não se poupou a anunciar o Evangelho de Jesus. Agora, no final da vida, vê que, na história, está ainda em curso uma grande «batalha», porque muitos não estão dispostos a acolher Jesus, preferindo correr atrás dos seus próprios interesses e doutros mestres mais condescendentes, mais facilitadores, mais conformes à nossa vontade. Paulo enfrentou o seu combate e, agora que terminou a corrida, pede a Timóteo e aos irmãos da comunidade para continuarem esta obra com a vigilância, o anúncio, o ensino; enfim, cada um cumpra a missão que lhe foi confiada e faça a própria parte.

É uma Palavra de vida, também para nós, despertando a consciência de que, na Igreja, cada um é chamado a ser discípulo-missionário e a prestar a sua contribuição. Aqui vêm-me ao pensamento duas perguntas. A primeira: Que posso fazer eu pela Igreja? Não me lamentar da Igreja, mas empenhar-me em prol da Igreja. Participar com paixão e humildade: com paixão, porque não devemos ficar espectadores passivos; com humildade, porque envolver-se na comunidade nunca deve significar ocupar o centro do palco, nem se sentir o melhor impedindo aos outros de se aproximarem. Igreja em processo sinodal significa isto: todos participam, mas ninguém no lugar dos outros ou acima dos outros. Não há cristãos de primeira e segunda classe; mas todos, todos são chamados.

Entretanto participar significa também continuar aquela «boa batalha» de que fala Paulo. Trata-se realmente duma «batalha», porque o anúncio do Evangelho não é neutral – por favor! Que o Senhor nos livre de destilar o Evangelho para o tornar neutral: o Evangelho não é água destilada –, não deixa as coisas como estão, não aceita a cedência às lógicas do mundo, mas acende o fogo do Reino de Deus lá onde, ao contrário, reinam os mecanismos humanos do poder, do mal, da violência, da corrupção, da injustiça, da marginalização. Desde que Jesus Cristo ressuscitou, agindo como linha divisória da história, «começou uma grande batalha entre a vida e a morte, entre esperança e desespero, entre resignação ao pior e luta pelo melhor, uma batalha que não conhecerá tréguas até à derrota definitiva de todas as forças do ódio e da destruição» (C. M. Martini, Homilia na Páscoa da Ressurreição, 04/IV/1999).

Vimos a primeira pergunta; agora a segunda: Que podemos fazer juntos, como Igreja, para tornar o mundo em que vivemos mais humano, mais justo, mais solidário, mais aberto a Deus e à fraternidade entre os homens? Certamente não devemos fechar-nos nos nossos círculos eclesiais nem nos perder em certas discussões estéreis. Cuidado para não cairdes no clericalismo; o clericalismo é uma perversão. O ministro que se faz clerical adotando atitudes clericais, embocou um caminho errado; pior ainda são os leigos clericalizados. Estejamos atentos a esta perversão que é o clericalismo. Ajudemo-nos a ser fermento na massa do mundo. Juntos, podemos e devemos fazer gestos cuidadores a bem da vida humana, da tutela da criação, da dignidade do trabalho, dos problemas das famílias, da condição dos idosos e de quantos se veem abandonados, rejeitados e desprezados. Enfim, ser uma Igreja que promove a cultura do cuidado, da ternura, a compaixão pelos frágeis e a luta contra toda a forma de degradação, incluindo a das nossas cidades e dos lugares que frequentamos, para resplandecer na vida de cada um a alegria do Evangelho: esta é a nossa «batalha», este é o nosso desafio. As tentações para ficar no passado são muitas; a tentação da nostalgia que nos faz olhar para outros tempos como sendo melhores. Por favor, não caiamos no saudosismo, neste saudosismo de Igreja que está na moda hoje.

Irmãos e irmãs, hoje, segundo uma bela tradição, benzi os Pálios para os Arcebispos Metropolitas recém-nomeados, muitos dos quais participam na nossa celebração. Em comunhão com Pedro, são chamados a «erguer-se depressa», não dormir, para ser sentinelas vigilantes do rebanho. Levanta-te para «combater a boa batalha», nunca sozinhos, mas com todo o santo Povo fiel de Deus. E como bons pastores devem estar à frente do povo, no meio do povo e atrás do povo, mas sempre com o santo povo fiel de Deus, porque fazem parte do santo povo fiel de Deus. De coração, saúdo a Delegação do Patriarcado Ecuménico, enviada pelo querido irmão Bartolomeu. Obrigado! Obrigado pela vossa presença e pela mensagem de Bartolomeu! Obrigado! Obrigado por caminhar juntos, porque, só juntos, podemos ser semente de Evangelho e testemunhas de fraternidade.

Pedro e Paulo intercedam por nós, intercedam pela cidade de Roma, intercedam pela Igreja e pelo mundo inteiro. Amém.

Bom dia... 03/07/2022